WTTC: Turismo deverá criar mais 91 milhões de empregos até 2035 mas poderão faltar 43 milhões
O relatório “O Futuro da Força de Trabalho de Viagens e Turismo” do WTTC, revela que embora o sector esteja a caminho de gerar um em cada três novos empregos em todo o mundo até 2035, as mudanças demográficas e estruturais podem criar um défice de mais de 43 milhões de pessoas se não for feito o devido planeamento.
Apresentado esta terça-feira, 30 de setembro, na 25ª Cimeira Global do World Travel & Tourism Council, que decorre em Roma, o relatório, “O Futuro da Força de Trabalho de Viagens e Turismo”, com foco em 20 economias, destaca a recuperação do sector como motor global de criação de emprego, mas aponta como as mudanças estruturais, incluindo o envelhecimento populacional, irão impactar o sector das Viagens e Turismo, que deverá crescer consideravelmente mais rápido do que a economia.
Em 2024, o setor esteve na base da criação de um recorde de 357 milhões postos de trabalho em todo o mundo e a previsão é que apoie 371 milhões de empregos este ano. Na próxima década, a projeção é que sejam criados 91 milhões de novos empregos, representando um em cada três novos empregos líquidos criados a nível global.
O WTTC alerta, no entanto, que até 2035, a procura global de trabalhadores no setor ultrapasse a oferta em mais de 43 milhões de pessoas, deixando a disponibilidade de mão-de-obra 16% abaixo dos níveis necessários, com a hotelaria a registar um deficit de 8,6 milhões de trabalhadores, cerca de 18% abaixo dos níveis de pessoal necessários.
Com os cargos pouco qualificados a continuarem a ser os mais procurados, o relatório destaca que o desafio da mão-de-obra afetará todas as 20 principais economias analisadas-Ainda assim, os países mais sofrerão com a falta de mão de obra nas viagens e turismo serão a China (16,9 milhões), a Índia (11 milhões) e a União Europeia (6,4 milhões), sendo de destacar que só na Grécia e na Alemanha, os níveis de procura ficarão 27% e 26% abaixo das necessidades.
Gloria Guevara, CEO interina do WTTC, afirmou que “as Viagens e o Turismo devem continuar a ser um dos maiores criadores de emprego do mundo, oferecendo oportunidades a milhões de pessoas em todo o mundo. Mas também devemos reconhecer que as mudanças demográficas e estruturais mais amplas estão a remodelar os mercados de trabalho em todo o lado. Este relatório é um apelo à acção”.
O relatório aponta várias medidas para o futuro, que passam por “inspirar mais jovens, destacando a diversidade e o entusiasmo pelas oportunidades de carreira em Viagens e Turismo; reforçar a colaboração e o alinhamento entre os educadores e a indústria para que a formação vá ao encontro das necessidades dos empregadores e proporcione aos alunos experiências reais; aumentar a retenção com programas de desenvolvimento de liderança, trajetórias de promoção interna claras e culturas de trabalho inclusivas; investir na literacia digital, na adoção de IA e em práticas sustentáveis para preparar os trabalhadores para o futuro e impulsionar a produtividade; e incorporar políticas flexíveis para gerir a procura flutuante da força de trabalho, incluindo a redução das barreiras ao recrutamento do estrangeiro e a combinação de funções a tempo parcial com empregos a tempo inteiro”.


