WTTC pede gestão mais inteligente dos destinos que enfrentam maior pressão turística
No documento publicado esta segunda-feira, o Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC) reafirma os benefícios do setor turístico mas alerta que sem um planeamento e uma gestão inteligente, esses benefícios podem estar em risco.
Com o setor das Viagens e Turismo a entrar no pico da época de verão, o WTTC lançou esta segunda-feira, 7 de julho, um novo relatório que apela a uma abordagem mais equilibrada à gestão do turismo em destinos populares.
“Embora a sobrelotação seja frequentemente vista como um problema turístico, muitas das pressões reais provêm de questões mais profundas, como a falta de investimento em infra-estruturas, o planeamento inadequado e a fragmentação da tomada de decisões. Estes desafios afetam tanto os residentes como os visitantes e necessitam de soluções integradas”, lê-se no relatório.
O mesmo estudo recorda que o setor é responsável pela criação de 1 em cada 10 empregos e quase 10% do PIB global, prevendo-se que sustente um em cada três novos empregos na próxima década.
Além disso, bem gerido, o setor das viagens e turismo promove o intercâmbio cultural, a compreensão global e a proteção ambiental, mas, sem um planeamento inteligente, os benefícios que este traz podem estar em risco, alerta o WTTC que, por isso, insta os governos a reinvestirem as receitas geradas pelo setor em infraestruturas vitais e soluções para aliviar a pressão sobre destinos já muito populares.
O relatório analisa algumas das causas da sobrelotação turística num pequeno número de destinos cada vez mais populares em toda a Europa e oferece soluções práticas que podem ser adaptadas às necessidades locais, que vão desde a utilização de melhores dados e ferramentas de planeamento até ao envolvimento dos residentes nas decisões. Neste último ponto, o estudo insta os responsáveis a garantirem que os que os residentes têm voz e compreendem os benefícios do setor turístico nas suas comunidades
O mesmo estudo conclui que, se 11 grandes cidades europeias limitassem o número de visitantes, isso poderia custar 245 mil milhões de dólares em PIB perdido e quase 3 milhões de empregos ao longo de três anos.
Julia Simpson, presidente e CEO do WTTC, afirmou: “As Viagens e o Turismo trazem enormes benefícios, incluindo empregos, investimentos e um conhecimento cultural mais profundo. Mas o crescimento precisa de ser gerido com cuidado”.
“Estamos a encorajar todos os decisores a pensar no futuro, a trabalhar em conjunto e a concentrarem-se nos benefícios a longo prazo para os residentes e visitantes. Não se trata de impedir o turismo, mas sim de o fazer funcionar para todos”, conclui.
O relatório deixa claro que não existe uma solução única para todos. Cada destino é diferente e as ações devem ser baseadas nas realidades locais. Mas, com cooperação e planeamento, o sector pode continuar a prosperar de forma a proteger o que torna cada lugar especial. Por isso, o documento incentiva os líderes a pensarem para além das soluções de curto prazo e a concentrarem-se em reinvestir as receitas do turismo em melhorias críticas de infraestruturas, serviços locais e bem-estar dos residentes.


