Verão impulsiona confiança no turismo português, conclui o Barómetro do Turismo do IPDT
Apesar do índice de confiança ser um dos mais elevados desde 2010, e das expectativas positivas para o verão, o IPDT alerta para riscos estratégicos que se colocam ao setor e para a necessidade de apostar em mercados de futuro, nomeadamente o asiático.
Num verão de grande intensidade turística e visibilidade internacional para o destino Portugal, o mais recente Barómetro do Turismo do IPDT confirma o elevado nível de confiança dos profissionais do setor, com o índice a atingir 83,3 pontos – um dos mais altos desde o início da série em 2010.
Este resultado, sublinha o IPDT, “confirma a atratividade contínua do setor, sustentada na boa performance dos principais indicadores operacionais e na perceção de Portugal como destino seguro, apelativo e versátil”.
Ainda assim, os comentários dos profissionais que responderam ao inquérito que está na base do estudo, revelam alertas que devem ser acompanhados com atenção, como as manifestações anti turismo que estão a acontecer na Europa, a não resolução de infraestruturas como o Aeroporto de Lisboa e as alterações climáticas.
No que se refere ao 2º semestre do ano, as expectativas apresentadas são positivas para a maioria dos indicadores turísticos, com especial destaque para a procura externa (48,3 pontos), a atividade do turismo (46,6 pontos) e o investimento privado e o emprego (ambos com 43,1 pontos), resultados que refletem o “otimismo do setor quanto à continuidade da dinâmica internacional e ao bom desempenho da atividade económica ligada ao turismo”.
Sobre o comportamento previsível do mercado interno, o estudo aponta um sinal de estabilidade face ao verão do ano passado, com a maioria dos respondentes a antecipar níveis semelhantes aos registados em 2024, especialmente nos indicadores de número de turistas (48%) e número de dormidas (51%). Já as receitas devem aumentar, mas numa progressão não muito superior aos valores de 2024.
Expectativas muito positivas para o mercado externo
Relativamente ao mercado externo, as expectativas são “bastante positivas”, com a grande maioria dos profissionais a antecipar níveis superiores aos de 2024, tanto em número de turistas (70%) como em dormidas (67%). Já no que se refere aos indicadores de receitas (77%) e preço/noite (78%), a expectativa de crescimento é mais evidente.
As previsões apontam, no entanto, para uma forte concentração da procura internacional em cinco mercados principais: Reino Unido, Espanha, França, EUA e Alemanha.
A propósito, o IPDT comenta que “estes resultados reforçam o peso dos mercados europeus de proximidade, mas também consolidam o posicionamento dos EUA como um dos mercados estratégicos de maior valor para Portugal, com potencial crescente em segmentos de elevado gasto”.
Aproveitar o potencial do mercado asiático
Ainda ao nível dos mercados internacionais, o mercado asiático é identificado como um eixo estratégico ainda subaproveitado, com os profissionais do turismo a destacarem a necessidade de uma atuação mais coordenada, centrada em aspetos como a conectividade aérea direta com os principais hubs asiáticos; parcerias com operadores turísticos e OTAs especializadas; campanhas digitais culturalmente ajustadas; e facilitação de vistos e entrada.
Destaque-se que 50% dos respondentes reconhecem progressos ao nível do mercado asiático, mas sublinham que há uma margem significativa para melhorar; 29,3% alertam para a ausência de uma estratégia concertada, referindo que existem apenas ações pontuais; e 13,8% consideram que Portugal não está, de todo, a explorar o potencial asiático.
Apesar das expectativas favoráveis, mantêm-se desafios a ter em conta, como alerta António Jorge Costa, presidente do IPDT. “A confiança do setor é sustentada, mas não pode ignorar os desafios. A instabilidade climática, as limitações de infraestruturas críticas como o aeroporto de Lisboa e a crescente retórica anti turismo exigem respostas firmes e estruturadas”.
Esta edição do Barómetro do Turismo assinala também os 40 anos da integração de Portugal na CEE, sublinhando os impactos positivos da mobilidade Schengen, da adoção do euro e do acesso a fundos comunitários na modernização turística do país.
Foto: ©Visit Algarve


