UNESCO alarga lista do Património Mundial em Perigo e declara três sítios em “emergência”. Saiba quais são
Entre os seis novos sítios listados como Património Mundial em Perigo, a UNESCO considerou três, localizados no Líbano, Sudão e Cisjordânia, em “emergência”, situação que invoca a urgência de proteger estes locais que se encontram perante “grandes ameaças”, devido a situações de guerra.
O Comité do Património Mundial da UNESCO decidiu, na sua reunião de julho, inscrever três sítios na Lista do Património Mundial seguindo um procedimento de emergência: a Paisagem Migratória de Boma-Badingilo (Sudão do Sul), os Castelos do Monte Amel (Líbano) e Sebastia (Cisjordânia).
Segundo o Comité, a aplicação do procedimento de emergência reflete o contexto atual marcado por inúmeras crises de natureza diversa, incluindo conflitos armados e alterações climáticas, que afetam fortemente o património e o expõem a sérias ameaças. Estes três sítios foram também inscritos simultaneamente na Lista do Património Mundial em Perigo.
Na Lista foram também integrados três sítios que já tinham sido reconhecidos anteriormente, sinalizando que enfrentam agora sérias ameaças aos montantes que justificaram a sua inscrição em primeiro lugar. São eles: a Cidade Antiga de Táurica Quersoneso e a sua Chora (Ucrânia), o Centro Histórico de Paramaribo (Suriname) e Tiro (Líbano).
Relativamente à Paisagem Migratória de Boma-Badingilo (Sudão do Sul), inscrita em regime de urgência, o Comité identificou várias ameaças graves, nomeadamente o desenvolvimento de infraestruturas, a caça ilegal comercial e o tráfico e comércio de animais selvagens, que afetam diretamente as grandes populações de mamíferos migratórios.
O complexo Castelos do Monte Amel (Líbano) que inclui 5 castelos, que já tinha recebido proteção reforçada em novembro de 2024 pelo Comité da UNESCO para a Proteção dos Bens Culturais em Caso de Conflito Armado, está agora a sofrer graves danos devido à guerra no Médio Oriente. Segundo o Comité, “o conflito em curso põe em risco direto a conservação do sítio e exige uma intervenção urgente”.
Sebastia (Cisjordânia; vila palestiniana ocupada por Israel): a antiga Samaria, tem como principal ameaça, segundo a UNESCO, a expropriação planeada e a criação do Parque Nacional “Samaria” (Shomron), que poderá dividir a propriedade. Para além do impacto do conflito no Médio Oriente, o sítio sofre também pressões relacionadas com o desenvolvimento, o planeamento do uso da terra, a governação e a erosão dos vestígios.
O Comité da UNESCO integrou também na Lista do Património Mundial em Perigo, três sítios que já estavam inscritos na Lista do Património Mundial:
Cidade Antiga da Quersoneso Táurica e da sua Chora (Ucrânia): a deterioração do sítio deve-se à ocupação da República Autónoma da Crimeia (Ucrânia) pela Federação Russa. O sítio tinha sido inscrito na lista de Património Mundial em 2013, um ano antes da anexação da península pela Rússia. O relatório da UNESCO destaca que observações feitas via satélite revelaram uma “deterioração significativa da autenticidade e integridade do bem, resultante de novas construções e escavações arqueológicas de grande escala, que têm permitido transferir para a Rússia milhares de objetos arqueológicos. Neste contexto, o Comité solicitou “o reforço da cooperação internacional para prevenir o tráfico ilícito de bens culturais originários da República Autónoma da Crimeia (Ucrânia)”.
Cidade Histórica Interna de Paramaribo (Suriname): Apesar dos esforços na gestão e conservação do sítio, o Comité constatou a existência de várias construções que “constituem uma ameaça comprovada ao Valor Universal Excecional do sítio”.
Tiro (Líbano): Segundo o Comité, as hostilidades em curso no Líbano continuam a representar uma ameaça direta à propriedade, não sendo cumpridas as condições necessárias para a sua proteção.


