Turisver falou com Fernando Braz sobre a Personal Travel onde a qualidade conduz a um caminho de sucesso
Na GEA desde que abriu portas, a Personal Travel, no Porto, é uma agência que aposta na qualidade e no serviço personalizado ao cliente, afirmou ao Turisver o seu diretor comercial, Fernando Braz. Produzindo grande parte do produto que vende, dado que a tipologia do seu cliente prefere as viagens “à medida”, a agência dedica-se tanto ao outgoing como ao incoming, embora neste caso apenas para grupos, e a abertura de um balcão em Lisboa não está fora dos planos.
Como é que surgiu a ideia de avançar com uma agência de viagens, depois de tantos anos a colaborar na área da operação turística?
A ideia partiu de mim e de mais um sócio-agora somos quatro, mas na altura era mais um sócio que era também colega. A nossa agência precisava de um cunho, era mais ou menos essa a ideia e a partir do momento que a criámos vieram dois sócios, também da mesma empresa onde trabalhávamos e hoje somos uma empresa com nove pessoas e temos quatro sócios, um deles está na área financeira e eu estou na área do recetivo, faço o acompanhamento de grupos, área comercial também e temos os outros dois no front office. Posso dizer que temos um mercado bastante diversificado dentro da nossa agência.
Fazem incoming e outgoing?
Fazemos incoming somente para grupos. Neste momento temos clientes do mercado latino-americano e vamos começar agora com o mercado europeu. Dentro da área de outgoing temos viagens de lazer, viagens de grupos de lazer também, temos viagens temáticas de grupos como congressos médicos, e de grupos de congressos de música, teatro – de cinema, inclusivamente. Portanto, temos uma panóplia muito transversal de segmentos de mercado dentro da nossa agência.
Curiosamente muito ligada à cultura…
Muito ligada à cultura. Temos muito lazer, mas também muita cultura, porque um dos nossos sócios, o André, esteve ligado à música e ao cinema e tem esses contactos. E temos por vezes grupos que vêm de fora para fazer festivais de cinema. E também temos de dentro para fora, fazemos o outgoing.
O que é que pesa mais dentro da empresa em termos de vendas?
O outgoing, embora o incoming tenha números bastante interessantes. Também trabalhamos com a parte corporativa, igualmente com um volume considerável.
Na parte do incoming vocês fazem o recetivo para todo o norte ou para qualquer ponto do país?
Nós fazemos Portugal e todo o resto da Europa, porque para o mercado que temos que é o brasileiro, que é o de grupos, ter um guia a falar em português, nos destinos, é muito importante para o cliente. Por exemplo, um grupo que começa em Paris e acaba em Amesterdão, ou um grupo que começa em Barcelona e termine em Lisboa, ter um guia em português é muito importante para eles e normalmente sou eu que os acompanho.
O Fernando faz deslocações?
Desloco-me a buscar os grupos seja em Paris ou Amesterdão ou onde quer que seja e isso é muito importante para o mercado que tem alguma dificuldade com idiomas. Para eles é uma segurança total.
Vamos supor, vocês têm dois grupos na mesma altura, o Fernando acompanha um, mas depois têm guias para acompanhar o outro?
Temos sempre guias portugueses. Isso aconteceu este ano, eu estava a guiar um grupo na Península Ibérica e tinha um outro grupo brasileiro na Côte d’Azur, na Riviera Francesa, por isso temos já contactos com guias que conhecemos bem, que estão dentro da nossa filosofia e que nos acompanham e portanto isso está sempre salvaguardado, o guia português está sempre salvaguardado.
Fazem venda de loja?
A nossa loja está numa zona nobre da cidade, recatado, porque não nos interessa o mercado passante. A nossa carteira de clientes é de tal forma absorvente que não temos tempo para mercado passante.
A Personal Travel cria muito do produto que oferece ao cliente
Vocês vendem aquilo que o cliente quer, de terceiros ou criam produto?
Nós criamos muito produto, posso dizer que muito próximo dos 90% é um tailor made, trabalhamos muito com tailor made, por isso é que somos um grande produtor de reservas para as centrais hoteleiras porque todo o produto é criado. Somos também uma agência interessante em termos de produção Galileo, porque o nosso produto é feito à medida, o nosso cliente é um cliente médio alto que requer um outro trato, um outro tipo de viagem. Ou seja, vendemos pacote, sim, mas não é de longe o nosso core business.
Dizia-me há pouco que também fazem o trabalho corporate. Nessa área, o que é que vos diferencia?
Temos o corporate dito normal e o corporate que muitas vezes vai associado a outro tipo de serviços como team buildings. Nós fazemos muito team buildings para empresas de cá e empresas de fora, por exemplo vamos receber agora 100 austríacos que vêm a Portugal e não é só o hotel e o avião, é toda uma panóplia de serviços que criámos. Temos depois empresas que trabalham connosco no desenvolvimento de atividades do dia a dia.
Como é que vocês se divulgam?
O nosso cliente é muito tradicional, não é um cliente de internet, isto no lazer. Nas empresas, vamos criando laços e muitas vezes são empresas que conhecem outras e vêm por arrasto, portanto, nós somos muito offline. Pode parecer um contra senso mas esse é o nosso mercado, um mercado que não é de exposição, que quer um certo recato e por isso também nós temos que nos recatar.
É interessante essa posição em contraciclo…
Hoje há todo um foco que se coloca nas redes sociais, na exposição, e acho muito bem mas nós trabalhamos exactamente ao contrário e temos tido um feedback muito bom, porque o nosso cliente não vai procurar na internet porque confia muito em nós, faz-nos perguntas, pede-nos conselhos e nós sugerimos muito isto e aquilo, então trabalhamos muito essa gama de clientela em offline.
Têm parceiros noutros países que vos mandam clientes?
Sim, por acaso estamos a trabalhar agora com uma empresa muito grande. Começámos a trabalhar com ela quando ainda era uma start-up e hoje em dia é uma empresa muito grande, com uma filial em Espanha e esse escritório já está a trabalhar connosco, porque dizem que o serviço que nós prestamos aqui vai ao encontro daquilo que a empresa procura.
Desculpa fazer este paralelo. Isto é uma escola, tu estiveste a trabalhar em empresas que tinham também um padrão de qualidade…
É uma extensão desse aprendizado e talvez tenha sido isso que nos fez dar o pontapé para nós darmos um bocadinho da extensão daquilo que tínhamos começado.
Hoje o mundo está mais pequeno, vocês pensam expandir com uma loja em Lisboa ou não é esse o vosso foco?
Poderá vir a ser, é uma coisa que já se pensou, mas como fazemos as coisas de uma forma muito sólida, nos nossos horizontes não está muito esse tipo de expansão. Ainda assim quando acontecer, e se acontecer, tem de ser com as pessoas certas para que este cunho e filosofia de trabalho seja o mesmo, seja cá ou seja lá. O cunho para nós é extremamente importante.
Na vossa agência, que tem um cliente acima da média, qual foi a tendência de destinos para este ano?
A tendência deste ano foi a Ásia. Para a Ásia trabalhou-se muito bem e a África no segmento de luxo também. Trabalhámos muito essa região, e mesmo durante a pandemia, o nosso cliente gastou muito dinheiro, ou seja, milhares de euros. Houve famílias de quatro pessoas que em seis dias gastaram 60 mil euros.
No período da pandemia na Personal Travel enxugou-se os custos fixos
Como é que vocês, que tinham uns três ou quatro anos de existência, viveram o período da pandemia?
No período da pandemia nós tentámos enxugar ao máximo os custos fixos de uma agência de viagens, não fomos a apoios nem a créditos, não temos crédito nenhum, e este ano será o ano com maior índice de produção desde que abrimos. O índice de produção este ano, em relação a 2019 é um percentual baste considerável de produção. Muito bom.
O número de voos crescente à partida do aeroporto do Porto, quer de companhias regulares quer charters, tem-vos facilitado a vida?
Tem sim, o nosso cliente não é só do Porto, temos clientes de Lisboa e inclusive das ilhas, um leque interessante de clientes na Madeira, portanto tanto o aeroporto de Lisboa como o do Porto servem o nosso cliente, mas claramente que ter mais companhias a partir do Porto dá-nos um suporte bastante interessante para a demanda que temos de viagens que temos dos clientes.
Temos um trabalho muito próximo com a Turkish Airways e com a Emirates que nos dão um apoio muito grande, mesmo em grupos, temos grupos que são transversais ao país, que têm saídas de Lisboa e no Porto dentro do mesmo grupo e por vezes temos a Turkish que nos ajuda a confluir até Istambul e depois sai para o destino final.
São GEA desde a primeira hora?
Sim, desde que abrimos, foi uma opção.
Porque é que escolheram estar no agrupamento?
Porque quando nós iniciámos com uma empresa muito pequena e achámos que a GEA nos podia ajudar, pelo menos o suporte informático podia ajudar-nos, embora hoje a nossa estrutura já seja diferente, mas para já estamos bem e contentes com o grupo.
Esta alteração da sociedade aparentemente não afeta em nada?
A nós não nos afeta em nada. Quem comprou era aquilo que eu faria se estivesse no lugar deles. A nós não nos causa qualquer problema, em absoluto.


