Turistas europeus e americanos já estão a escolher destinos alternativos ao Médio Oriente
A mais recente análise da Mabrian mostra que a escalada do conflito no Médio Oriente já está a provocar os primeiros sinais de desvio da procura entre os viajantes europeus e americanos para alternativas mais próximas de casa e destinos de longa distância mais afastados daquela região do globo.
A análise comparativa de inteligência de viagens da Mabrian sobre a perceção de segurança em destinos-chave do Médio Oriente e as tendências da procura de viagens internacionais revela que, além dos seis países membros do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), concretamente, a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Omã e Bahrein, que registam quebras acentuadas na procura desde 28 de fevereiro, também, o Egito, a Jordânia e a Turquia estão a ser impactados, embora em menor grau.
A análise deixa alguns exemplos: a procura pelo Bahrein sofreu uma contração de menos 81 pontos (em 100), caindo para um mínimo de 9,6. Omã registou uma queda semelhante, perdendo -56,7 pontos e atingindo 24,8/100 no seu nível mais baixo. O Qatar desceu -54,9 pontos, atingindo os 18,4/100. Os EAU (menos 48,3 pontos, para um mínimo de 51,9/100) e a Arábia Saudita (menos 13,6 pontos, para 85,3/100), embora negativamente afectados, demonstraram uma resiliência comparativamente mais elevada.
O Egipto, a Jordânia e a Turquia — embora não estejam diretamente envolvidos — estão a sofrer um efeito indireto ou “contágio” atribuível à sua proximidade geográfica e à perceção de exposição à esfera de influência do conflito. A Jordânia, que estava em 77,6/100 há um mês, perdeu 30,3 pontos, embora agora apresente sinais graduais de recuperação, enquanto a Turquia caiu 25,8 pontos (de um pico de 83,8/100), mas a trajetória atual não indica uma recuperação. O Egito continua a ser o menos impactado entre os três, com uma contração de 7,6 pontos, ainda sem mostrar sinais de recuperação estável.
Carlos Cendra, diretor de Marketing e Comunicações da Mabrian, refere que “numa perspetiva de gestão de destinos a longo prazo, a restauração da confiança tornar-se-á uma prioridade estratégica imediata assim que o conflito abrandar, especialmente porque a procura por viagens internacionais já está a mostrar sinais iniciais de desvio”.
Os destinos alternativos
Os dados da Mabrian mostram que estão a surgir três potenciais cenários de desvio da procura de viagens em mercados como Reino Unido, Alemanha, França, Itália e Estados Unidos.
O primeiro cenário aponta para uma crescente inclinação para permanecer mais perto de casa. Esta tendência é particularmente evidente entre os viajantes alemães — que dão prioridade a destinos como Marrocos e Grécia — juntamente com os italianos, cujo interesse se está a virar para a Croácia, República Checa, Noruega e Espanha. Os viajantes britânicos apresentam um padrão semelhante, com Malta, Marrocos e Montenegro a ganharem destaque como opções alternativas.
Um segundo cenário destaca a força contínua da procura pela Ásia, apoiada principalmente pela conectividade aérea directa. O interesse continua a ser particularmente robusto para destinos como o Japão, Tailândia, Vietname, Camboja e Filipinas.
Por fim, vários destinos de longa distância estão a surgir como potenciais substitutos. Entre os viajantes britânicos, a África do Sul e as Maldivas estão a ganhar popularidade, enquanto os destinos latino-americanos, em particular o Peru e o Brasil, atraem a atenção de viajantes franceses, italianos, alemães e americanos.
Uma outra tendência notável está também a surgir na procura europeia: o Egipto continua a manter o seu apelo junto dos viajantes alemães, italianos e franceses, mas a evolução é vulnerável aos desenvolvimentos do conflito. Como explica a Cendra: “Os avisos de viagem, as restrições que afetam a conectividade ou as limitações de acesso a áreas turísticas importantes podem influenciar rapidamente a perceção dos viajantes e, consequentemente, a sua disponibilidade para escolher o Egito como destino.”
Um denominador comum em todos os destinos analisados é a reação acentuada dos viajantes norte-americanos, com contrações substanciais na procura pelo Kuwait (caiu 87,3 pontos) Emirados Árabes Unidos (-79,2 pontos) e Arábia Saudita (queda de 17,8 pontos). A tendência do Egito é semelhante, com uma queda de 32,6 pontos no seu nível mais baixo e uma trajetória de recuperação instável.


