Turismo urbano vai continuar a recuperar e Lisboa está na linha da frente
Apesar de todo o clima de incerteza, a recuperação do turismo deverá manter-se no quarto trimestre do ano na Europa, avança um estudo da ForwardKeys que aponta, também, para o regresso em força dos destinos urbanos e, neste caso, Lisboa está na linha da frente da recuperação.
“A recuperação de viagens na Europa deve continuar no quarto trimestre” apesar das incertezas causadas pela conjuntura económica, por via da inflação, da recessão, dos preços do petróleo e da guerra na Ucrânia, aponta o estudo da ForwardKeys, uma das principais empresas de dados e análises de viagens a nível mundial.
Os dados de passagens aéreas da ForwardKeys mostram uma melhoria acentuada no segundo semestre do ano. No terceiro trimestre, as chegadas internacionais à Europa ficaram 29% abaixo dos níveis de 2019, mas as perspetivas para o quarto trimestre do ano apontam para uma recuperação face aos indicadores do mesmo período de 2019.
Lisboa, a segunda cidade europeia que mais cresce
O relatório aponta também para o regresso dos viajantes internacionais aos destinos urbanos, que mostram uma “recuperação progressiva em relação aos níveis de 2019 à medida que nos aproximamos do final do ano”. Neste caso, Lisboa, está no top 3 dos destinos urbanos em termos da recuperação dos turistas internacionais, fixando-se já em números muito próximos da pré-pandemia.
“Istambul, Lisboa e Madrid devem continuar a registar chegadas internacionais próximas aos níveis pré-pandemia”, sublinha o relatório. Factor importante nesta recuperação é o regresso do mercado americano.

“A partir de 11 de outubro, vemos que a recuperação das viagens dos EUA para a Europa no terceiro trimestre foi de -6% em relação a 2019, com destinos como Lisboa (+47%), Atenas (+27%) e Milão (+12%) a apresentarem crescimento em relação aos níveis da pré-pandemia, diz Olivier Ponti, vice-presidente de Insights da ForwardKeys.
O responsável sublinha, também, que “para o quarto trimestre, vemos uma melhoria adicional para Lisboa como destino para passageiros dos EUA, atualmente em +50% em relação aos níveis de 2019, o que está a ser impulsionado pelas chegadas de São Francisco em +119%, e Washington e Miami ambos em +84%”.
O estudo cita Vítor Costa, diretor-geral do Turismo de Lisboa, que afirma que “o mercado norte-americano está a regressar com força, fruto de uma estratégia de desenvolvimento de várias novas rotas das cidades norte-americanas para Lisboa. O período de pandemia interrompeu-o durante dois anos, mas agora o esforço continua e parece já estar a dar frutos”.

Com o conflito em curso na Ucrânia, o aumento das tarifas aéreas e do custo de vida, podem esperar-se “mais alguns solavancos no caminho da recuperação”, diz o estudo que, no entanto, aponta para a continuidade das viagens pela Europa no quarto trimestre. “A situação das reservas mostra que haverá uma forte procura, mas isso pode colocar os aeroportos e as companhias aéreas sob pressão novamente, como vimos neste verão”, diz Ponti.
Além da força das viagens transatlânticas e da resiliência das viagens intra-europeias, a reabertura dos principais mercados asiáticos também é motivo de otimismo cauteloso em relação à recuperação das viagens internacionais para a Europa.
“O recente levantamento das restrições de viagem em Hong Kong e no Japão facilitou o regresso dos nacionais destes países de uma viagem internacional e, consequentemente, a Europa deverá beneficiar disso”, acrescenta o responsável.


