Turismo rural gera mais de 4 MM€ na Europa e assume papel de “motor económico” conclui estudo
Uma nova sondagem publicada na quinta-feira, 11 de dezembro, pelo Digital Tourism Think Tank (DTTT) revela que os destinos rurais superam as cidades em quase todos os indicadores de turismo, mas continuam invisíveis nas estatísticas oficiais, apesar do seu valor económico crescente.
Realizada em oito países europeus (Bélgica, França, Alemanha, Irlanda, Itália, Países Baixos, Espanha e Reino Unido), a sondagem do Digital Tourism Think Tank (DTTT) revela que o turismo rural é uma das oportunidades económicas mais significativas da Europa, mas sistematicamente negligenciada, e que as zonas rurais estão consistentemente a superar os destinos urbanos, mas continuam a ser amplamente invisíveis na recolha de dados e nas discussões políticas.
O inquérito, realizado em parceria com a Airbnb, combinou os dados de reservas da plataforma de 2018 a 2024 com fontes secundárias, incluindo o Eurostat, o Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia e as autoridades nacionais de turismo. As descobertas desafiam a suposição de que a economia do turismo na Europa é principalmente um fenómeno urbano.
Principais conclusões:
O turismo rural gera um valor económico substancial. Em 2024, os anfitriões de alojamentos rurais na Bélgica, França, Alemanha, Irlanda, Itália, Países Baixos, Espanha e Reino Unido ganharam 4,06 mil milhões de euros coletivamente. O anfitrião rural médio ganhou mais de 5.200€ anualmente, representando um aumento de quase 30% no rendimento familiar e ajudando a reduzir a diferença de rendimento de 2.800€ entre os residentes rurais e urbanos.
As zonas rurais atraem mais visitantes em relação à população. Por cada residente em zonas rurais, há quase quatro vezes mais pernoitas em comparação com as zonas urbanas. Ao contrário do turismo urbano, que concentra a actividade económica em distritos específicos, os gastos dos visitantes rurais distribuem-se por regiões inteiras, apoiando negócios locais, quintas familiares e artesãos.
A procura por destinos rurais continua a crescer. Desde a pandemia, os rendimentos dos anfitriões aumentaram 162%, enquanto as pernoitas reservadas cresceram 88% nas comunidades rurais da Europa, refletindo uma mudança duradoura para destinos autênticos e menos concorridos.
O estudo concluiu também que as estadas em família são um factor importante, com os alojamentos rurais a receberem grupos 49% maiores do que os alojamentos em cidades em 2024.
O turismo rural está a criar empregos onde são mais necessários. Entre 2000 e 2022, as zonas rurais remotas aumentaram a sua proporção de empregos em atividades relacionadas com o turismo em 3,6%, enquanto as áreas urbanas registaram um declínio em 0,7%6.
Comentando os resultados do inquérito, Nick Hall, fundador e CEO do DTTT, afirmou que “a contribuição económica do turismo rural estava escondida à vista de todos. A nossa investigação mostra que as comunidades rurais não estão apenas a beneficiar do turismo, mas a superar as cidades em quase todos os indicadores. O desafio agora é garantir que os decisores políticos e os investidores possam ver o que os dados revelam. O turismo rural não é um segmento de nicho, é uma infra-estrutura essencial para o desenvolvimento regional equilibrado em toda a Europa.”
O relatório completo, “O Renascimento do Turismo Rural”, examina cinco tendências que estão a remodelar o turismo rural, o papel da tecnologia no desenvolvimento dos destinos rurais e as recomendações políticas para aproveitar esta oportunidade económica. Apresenta ainda oito pilares para o renascimento rural, incentivando os destinos a abraçar a sua identidade local única e a construir parcerias regionais colaborativas. Além disso, defende quadros regulamentares favoráveis que permitam o crescimento do alojamento rural e o investimento em infraestruturas digitais para ajudar as áreas rurais a competir eficazmente.
O relatório pode ser consultado aqui .
Na foto: Aldeia da Margarida, Cinfães do Douro


