Turismo português deverá viver “ligeira desaceleração” em 2026, estima o BPI Research
Publicadas no dia 17 de março, as conclusões do BPI Research apontam para um aumento de apenas 2,8% no número de hóspedes face a 2025, com os mercados externos a continuarem a “moderar o seu ritmo de crescimento”. Ainda assim “o conflito no Médio Oriente poderá ser positivo para o turismo português”.
De acordo com os dados do BPI Research, o número de hóspedes deverá aumentar apenas 2,8% face a 2025, o que reflete uma quebra relativamente ao crescimento de 3% verificado o ano passado face ao ano anterior. Esta previsão, segundo o estudo, resulta de um “cenário endógeno” de crescimento cifrado em +3,4% mas que foi corrigido por dois efeitos; por um lado, o aumento da capacidade hoteleira estimada em mais 76 unidades a abrir proximamente, às quais correspondem 4.268 quartos e 8.154 camas (+0,2%), e por outro lado, o impacto negativo das tempestades que ocorreram em finais de janeiro e fevereiro em Portugal, com maior impacto em 68 municípios da região Centro (-0,8%).
“Por geografias, o cenário assume um crescimento dos hóspedes residentes na ordem dos 3% (4,7% em 2025) atento à expetativa de moderação do crescimento nos salários reais e ao movimento de busca por value for money, que poderá desviar algum turismo para o estrangeiro ou para soluções de alojamento não abrangidas pelas estatísticas do INE” que o BPI Research tomou como base para as previsões.
Por outro lado, adianta o estudo, “o conflito no Médio Oriente poderá encarecer alguns destinos mais longínquos em benefício do turismo interno, e também por isso a nossa previsão para o crescimento dos hóspedes residentes é mais forte do que a de crescimento dos hóspedes não residentes”.
Em termos dos mercados “o crescimento será desigual”, com a pesquisa a apontar que, no cenário endógeno traçado é estimado “um crescimento global dos hóspedes em Portugal de 3,4% em 2026, na metade inferior do intervalo entre 3% e 4%”, o que é justificado por vários fatores: o facto de o turismo em Portugal estar já numa fase de consolidação, e também a perspetiva de que “o value for money continuará a ser a principal preocupação dos viajantes, e Portugal nesta matéria não compara bem num dos termos da equação, quando olhamos ao fator preço”. A isto se junta “o desempenho com dinâmica e outlook fortes em alguns países da bacia do mediterrâneo que concorrem diretamente com Portugal – Albânia, Malta, Montenegro e Turquia”.
Perspetiva de comportamento dos mercados externos
No que se refere aos mercados externos, “os mercados emissores dos EUA e Canadá deverão continuar a moderar o seu ritmo de crescimento, com incremento de +2% e +3%, respetivamente”. Uma moderação que, avança a pesquisa, “assenta sobretudo na ocorrência de um grande evento desportivo que abrange os dois países (Mundial de Futebol de 2026) e que deverá dinamizar o turismo interno. Além disso, “neste comportamento também está incorporado a perspetiva de abrandamento do turismo de longo curso decorrente do encarecimento do jet fuel (associado ao conflito em curso no Irão)”.
Já para a generalidade dos mercados europeus o estudo assume “um crescimento de 2%” mas “mais fraco” em mercados como Espanha, França e Itália, “onde assumimos estabilização no número de hóspedes face a 2025”.
“Com efeito, França tem vindo a registar quebras nos últimos dois anos e nos mercados de Espanha e Itália também se verificou uma quebra em 2025. No caso de particular da Itália o evento dos Jogos olímpicos de Inverno também deverá dinamizar o turismo interno por contrapartida do turismo para o estrangeiro. Estes pressupostos resultam num incremento do turismo por parte dos principais mercados emissores europeus (excluindo UK) de 1%”, refere o estudo.
Ainda assim, o BPI Research admite que, no caso dos mercados emissores europeus, “o conflito no Médio Oriente poderá ser positivo para o turismo português. O conflito reduz o potencial de viagens destes mercados emissores para destinos mais longínquos, nomeadamente asiáticos, beneficiando as viagens intra continente europeu. Isto ajuda a justificar o estancar de quebras no número de hóspedes oriundo dos importantes mercados que referimos”, refere a análise do BPI.
Relativamente a “outros mercados” (México, Coreia do Sul, Japão, Austrália, entre outros) o BPI Research aponta que “o crescimento esperado das viagens outbound por parte de mercados emergentes também ajudará a reforçar a dinâmica desta fatia, em que assumimos um crescimento anual de 8%”, devido à estratégia de diversificação de mercados do Turismo de Portugal e ao reforço da conectividade aérea através da captação de novas rotas. Ainda assim, segundo esta análise, “o ritmo de crescimento que considerámos é inferior ao registado em 2025, ponderando a já mencionada possibilidade de encarecimento das viagens de longo curso”.
Já a nível económico, o peso do turismo no PIB deverá subir de 17% em 2025 para 17,5% em 2026, com o Valor Acrescentado Bruto do Turismo a atingir 23,1 mil milhões de euros.
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