Turismo na região do Golfo resiste à tensão geopolítica e espera recuperação até ao final do ano
Uma análise da Data Appeal revela que, embora o início da guerra no Golfo tenha tido um impacto negativo imediato na procura turística dos países da região, os viajantes estão cada vez menos reativos a novas tensões, sendo expectável uma recuperação até ao final do ano.
De acordo com o estudo, a procura de viagens em todo o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), formado pela Arábia Saudita, Bahrein, Qatar, Emirados Árabes Unidos, Koweit e Omã, tem demonstrado uma notável capacidade de adaptação à guerra EUA-Irão. Dados recentes da Data Appeal Mabrian sugerem que os viajantes internacionais estão a tornar-se menos reativos a sucessivos desenvolvimentos geopolíticos e cada vez mais recetivos a melhorias tangíveis na estabilidade, conectividade e perceção de segurança.
A análise revela uma crescente capacidade dos mercados turísticos da região se adaptarem à incerteza geopolítica, na véspera de uma edição crucial da Arabian Travel Market (ATM), que se realiza na próxima semana no Dubai (Emirados Árabes Unidos). Os dados sobre a evolução do Índice de Perceção de Segurança (PSI), a procura internacional de hotéis e a intenção de viagem global indicam que, após o “choque” do início da guerra, os períodos subsequentes de desescalada promoveram recuperações visíveis, e destacam a resiliência dos destinos e a sua capacidade de recuperação.
A evolução do PSI nos destinos do CCG indica que o impacto do conflito esteve intimamente ligado à exposição geopolítica, à perturbação da aviação e à incerteza, e não a danos diretos nas atrações turísticas ou nas infraestruturas.
De acordo com o estudo, o Bahrein e o Kuwait apresentaram algumas das maiores deteriorações na perceção de segurança, refletindo a sua exposição à escalada regional, enquanto o Omã foi afetado pelas preocupações em torno do Estreito de Ormuz e da conectividade regional. O Qatar demonstrou uma maior capacidade de amortecer o choque inicial, enquanto os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita apresentaram trajetórias do Índice de Segurança Percebida (PSI) mais resilientes.
O mesmo aconteceu com a procura hoteleira, que sofreu uma forte contração no início do conflito (finais de fevereiro e março) mas depois começou a recuperar, sendo de registar que o colapso do cessar-fogo em junho não produziu uma segunda contração comparável ao choque inicial. Em diversos mercados da região analisada, os viajantes demonstraram uma menor reação à recente escalada da crise, sugerindo que tanto os consumidores como o ecossistema turístico começaram a adaptar-se a um ambiente geopolítico mais incerto.


