Turismo cria emprego, mas progressão de carreira é mais rápida nas grandes empresas
A conclusão é do estudo ‘Carreiras Profissionais: Dinâmicas de Planeamento’, apresentado esta segunda-feira pelo KIPT CoLab. Incluindo dados de 14 anos, o estudo revela que a competitividade do setor depende cada vez mais da qualidade do emprego.
O turismo continua a reforçar o seu peso na economia portuguesa, representando 6,5% do emprego nacional em 2025, mas a progressão de carreira no setor está condicionada pela dimensão e robustez financeira das empresas, revela o estudo apresentado esta segunda-feira, 19 de Janeiro, em Lisboa, pelo KIPT CoLab.
Os dados revelados pelo documento, mostram também que, a manter-se a atual carga fiscal, só as estruturas organizacionais mais sólidas, podem suportar carreiras sustentáveis.
Segundo o estudo, os trabalhadores integrados em empresas de maior escala nos sectores do alojamento e restauração apresentam probabilidades de progressão significativamente superiores, ultrapassando os 60% ao fim de 15 anos. Já nas estruturas mais pequenas as trajetórias profissionais tendem a ser mais limitadas.
Tra-se, segundo o documento divulgado, de uma diferença que tem impacto direto na capacidade do setor para reter talento, desenvolver competências e assegurar a qualidade da oferta turística.
A análise evidencia ainda que a progressão é mais rápida nas fases iniciais da carreira, sobretudo entre os 25 e os 34 anos, mas desacelera de forma acentuada a partir dos 55 anos, colocando desafios adicionais à sustentabilidade do emprego no longo prazo.
No entanto, e contrastando com o que se passa nos outros setores da economia, o turismo mantém níveis de equidade de género estrutural, sem diferenças estatisticamente relevantes entre homens e mulheres na progressão profissional.
Os dados revelam também assimetrias associadas à nacionalidade, com trabalhadores portugueses a apresentarem probabilidades médias de progressão inferiores às de outras nacionalidades, num setor cada vez mais dependente da integração de mão de obra estrangeira. Estas dinâmicas reforçam a necessidade de políticas e práticas de gestão de pessoas mais estruturadas e baseadas em evidência.
Para o KIPT CoLab, estes resultados reforçam a ideia de que não há turismo de qualidade sem emprego de qualidade, sendo a valorização das carreiras um fator central para a competitividade do setor.
Foi neste contexto que foi apresentado o Simulador de Carreiras, uma ferramenta baseada nos dados do estudo que permite antecipar trajetórias profissionais e apoiar decisões de trabalhadores, empresas e entidades do setor.


