Travel BI: Setor da animação turística em Portugal é formado por pequenas empresas e só 41% fatura mais de 50.000€ por ano
A conclusão é do inquérito sobre o ano de 2024, efetuado pelo Turismo de Portugal aos agentes de animação turística entre março e maio de 2025. “Atualizar o retrato da atividade e monitorizar as principais dinâmicas da oferta e da procura” foi o objetivo do inquérito que concluiu, também, que a Grande Lisboa lidera em número de empresas.
Segundo os resultados do inquérito, publicado no Travel BI do Turismo de Portugal em agosto, até ao final do ano passado, o RNAAT (Registo Nacional dos Agentes de Animação Turística), contabilizava 11.690 agentes de animação turística ativos, +38,4% face a 2021 (8 445), um aumento que o Turismo de Portugal diz dever-se a fatores como a “consolidação da atividade, emergência de novos perfis de operadores e crescente valorização das experiências turísticas diferenciadoras em todo o território nacional”.
As empresas de animação turística representam 82% dos registos no setor, com os restantes 18% a corresponderem a operadores marítimo-turísticos. Por regiões, a Grande Lisboa lidera com 4.699 empresas registadas (40,2% do total nacional), seguindo-se o Norte (2.162 empresas; 18,5%), e o Algarve (1.393 empresas, representando 11,9% do total).
Volumes de negócio continuam a ser reduzidos mas “base mais pequena” está em recuo
Com o setor da animação turística a ser composto, essencialmente, por empresas de “pequena dimensão” continuou a existir, em 2024, uma forte “concentração de empresas com volumes de negócios reduzidos”. Segundo o estudo, “41,2% das entidades declararam faturar até 50 mil euros/ano e 18,4% situaram-se entre os 50 mil e os 100 mil euros”.
Mesmo assim, os dados refletem, sublinha o Turismo de Portugal, “um ligeiro recuo da base mais pequena do setor face a 2021 (46,1% até 50 mil €), acompanhado de um reforço nos intervalos superiores”, sendo que as empresas deste setor que reportaram um volume de negócios “acima de 250 mil euros passaram a representar 24,7% do total (face a 19,4% em 2021)”. Ao mesmo tempo, o estudo indica que “o grupo com faturação superior a 500 mil euros cresceu de 11,2% para 15,3%”, entre 2021 e 2024.
Ainda assim, o estudo avança que “apenas 53,5% [dos inquiridos] indicaram ter aumentado o volume de negócios face ao ano anterior”, com 22% das empresas a “reportarem uma quebra”.
Atividade marcada pela sazonalidade e pela procura individual
A grande maioria dos operadores inquiridos (76,1%) declarou desenvolver atividade ao longo de todo o ano, com destaque para as empresas de animação turística nos Açores (90,9%), Madeira (87,8%) e Alentejo (87,0%), que apresentam os valores mais elevados, todos com uma subida face a 2018.
Apesar disso, a sazonalidade continua a marcar o setor, com uma forte concentração da procura nos meses de verão, nomeadamente, em julho (51,2%), agosto (47,1%) e setembro (45,1%) todos com crescimentos face a 2018, sendo de referir que o mês de outubro de 2024 (21,5%) registou um crescimento expressivo. Já os meses de inverno “continuam com expressão residual, embora novembro e janeiro apresentem ligeiras subidas face a anos anteriores”, de acordo com os resultados do inquérito.
Segundo o Turismo de Portugal, as atividades mais referidas foram as rotas temáticas e de descoberta do património (25,0%), as visitas guiadas (23,3%), os passeios marítimo-turísticos (14,7%) e as atividades de património etnográfico (12,5%), com os programas com mais de um dia de duração a terem representado 49,1%.
O inquérito permitiu, também, concluir que a atividade das empresas de animação turística continuou, em 2024, a centrar-se cliente individual (89,7%), com diminuição da intermediação por agências, alojamento ou grupos organizados. As faixas etárias que mais procuraram os serviços destas empresas foram as dos 25 a 34 e dos 45 a 54 anos, embora a presença do grupo dos 55 aos 64 anos tenha aumentado de 12,1% em 2021 para 20,0% em 2024.
Predominância do cliente estrangeiro, exceto na região Centro
Os turistas estrangeiros continuaram, o ano passado, a ser os principais clientes das empresas de animação turística, com um peso de 65,8%, superando o mercado nacional em todas as regiões, exceto na região Centro, onde o mercado nacional ainda representa 56,1% do total. Entre os mercados internacionais mais referidos pelos inquiridos, estão o Reino Unido, os EUA, a Alemanha, Espanha e França.
O Turismo de Portugal sublinha, no entanto, que “pesar de manterem a sua predominância face a 2018, os dados revelam mudanças na ordem e intensidade com que foram referidos pelos operadores. Assim, o Reino Unido, embora continue a liderar, viu o seu peso reduzir-se de 58,2 em 2018 para 55,5% em 2024, enquanto “os Estados Unidos protagonizaram a mudança mais expressiva, crescendo de 43,8% para 54,9% (+11,1 p.p.)”.
A Alemanha cresceu de 34,4% para 47,2% (+12,8 p.p.), situando-se o ano passado em 3º lugar “superando pela primeira vez” os mercados da França e de Espanha, embora o mercado espanhol tenha, também, registado uma subida de 10,1pp (de 36,6& para 46,7%.
De referir que 41,2% dos agentes de animação turística indicaram dispor de sistema de reserva online, e que 40,9% afirmou dispor de sistemas de pagamento online.
O inquérito conclui ainda que a adesão destas empresas a práticas de sustentabilidade continua limitada: “apenas 10,1% das empresas reportaram alguma certificação e menos de um quarto desenvolveu ações ligadas à biodiversidade ou apoio às comunidades locais”.
O estudo foi realizado com base em 1.120 respostas válidas, provenientes de agentes registados no RNAAT (Registo Nacional dos Agentes de Animação Turística) e os resultados pelo Turismo de Portugal “apresentam uma margem de erro máxima de ±2,9 pontos percentuais, com um intervalo de confiança de 95%”.
O Instituto ressalva que “embora o número total de operadores ativos tenha atingido os 11.690, o universo efetivamente considerado foi de 7.408 agentes em atividade regular e sem incumprimentos, aos quais o inquérito foi dirigido”.


