Tomada de posse: Aumento da estada média e mão de obra entre as principais preocupações da AHP
Na tomada de posse dos novos órgãos sociais da AHP para o triénio 2025-2027, Bernardo Trindade voltou a defender a necessidade de uma campanha que permita aumentar a estada média dos turistas. Focou também a necessidade de mais mão de obra estrangeira e falou das dúvidas da Associação relativamente à ‘Via Verde’ para a imigração.
Numa cerimónia que contou com a presença do secretário de Estado do Turismo em exercício, Pedro Machado, do presidente da Confederação do Turismo de Portugal, Francisco Calheiros, entre outras entidades e empresários do setor, o presidente da Associação da Hotelaria de Portugal, destacou aqueles que considera serem desafios prioritários para a hotelaria, a começar pela mão de obra.
“Nós somos cerca de 450 [mil] a meio milhão de pessoas que trabalham nesta grande família do turismo, nas diversas atividades. Dois terços portugueses, um terço é mão de obra estrangeira. Por isso, para crescer, precisamos de mão de obra estrangeira”, afirmou. Fez, no entanto, notar que “temos de ter a noção que as pessoas que optam por fazer vida e carreira em Portugal têm que se adequar à nossa forma de ser”.
Foi nesse sentido, disse, que a AHP, no âmbito da CTP, assinou a ‘via verde’ para a imigração. No entanto, e tal como tinha já dito em inícios de abril, no congresso da APECATE, voltou a frisar que a AHP tem dúvidas relativamente à obrigatoriedade de garantir habitação ou alojamento a esses imigrantes.
“Se há regiões onde, eventualmente, este tema pode ser suprido, é nas nossas quatro principais regiões turísticas – Lisboa, Porto, Algarve e a Madeira –, que este compromisso, objetivamente, não pode ser assumido (…) porque é nestas regiões que o problema da habitação é mais premente”. Por isso, a única forma de suprir o problema “é aumentar a oferta de habitação”. Se isso não acontecer, alertou, “todos estes jogos são jogos que nos conduzem a um problema, a um fracasso”.
No turismo, o tema da falta de mão de obra acaba sempre relacionada com os salários e, neste ponto, o presidente da AHP reiterou que “o setor está, ano após anos, a repor o poder de compra” dos seus trabalhadores. “Estamos, claramente, a pagar acima da inflação. Estamos a aproximar-nos da média da economia”, afirmou, considerando, no entanto, que há ainda trabalho a fazer, no quadro da legislação, dos benefícios e da simplificação da atividade.
Campanha para aumentar a estada média
Considerando que “a procura está congestionada em Lisboa”, com “impacto em todas as regiões de turismo” e face ao longo período que levará ainda a estar a funcionar o novo aeroporto de Lisboa, Bernardo Trindade sublinhou a necessidade de “avançar rapidamente para uma campanha de aumento da estada média”, uma ideia que tinha referido já em março, aquando da apresentação dos resultados do inquérito “Balanço 2024 & Perspetivas 2025” realizado pela AHP.
Em Portugal, disse, a estada média está nos 2,51 dias, se aumentar 1 dia, para uma média de 3,51 dias, com os mesmos 31 milhões de hóspedes e 2024, passaríamos “de 80 milhões de dormidas para 115 milhões de dormidas” e para “7,14 mil milhões de euros” de receitas de aposento.
“Temos um tema que é a recusa permanente de slots no aeroporto de Lisboa. Temos de encontrar soluções, porque o investimento continuou, as intenções de investimento, continuam”, afirmou, defendendo que “alguma coisa boa o setor do turismo fez em Portugal para merecer quer de investidores nacionais, quer do olhar internacional, um interesse crescente, e não podemos ficar parados”.
Uma “direção com sotaque” para “ganhar a confiança de novos associados”
Antes dos problemas e desafios que se colocam ao turismo em geral e à hotelaria em particular, o presidente da AHP deu boas notícias, referindo o aumento do número de associados – “somos mais de 940”, disse -, assinalando que “crescemos muito nos últimos anos” mas “queremos mais”.
Daí que a moção com que se apresentou a eleições se “AHP em todo o País”, o que se refletiu no facto de esta ser “uma direção com sotaque” porque representativa de Portugal inteiro “do Minho ao Algarve, passando pela Madeira e agora pelos Açores”. Também por isso, realçou, a AHP quer, neste mandato, lançar um projeto-piloto que passa por ter um elemento residente da Associação no Porto e Norte:
“Nós entendemos que temos que ter alguém para cuidar dos nossos associados, para ganharmos a confiança de novos associados”. Daí, também, que os representantes regionais da AHP que eram 7 no mandato anterior passem agora a ser “10 / 11” uma vez que, pela sua extensão, o Alentejo terá 3 representantes,


