Thibaud Morand diretor-geral da LATAM: “Queremos consolidar a nossa proposta em Lisboa antes de olharmos para outra rota” (Porto)
Em declarações ao Turisver, durante a BTL, Thibaud Morand, diretor-geral da LATAM Airlines para a Europa e Oceânia, descartou a abertura de uma rota para o Porto a curto prazo. O objetivo é, assim, consolidar Lisboa onde, lamenta, no verão terão que ser retiradas frequências devido ao congestionamento do aeroporto.
Qual é o posicionamento estratégico que a LATAM tem para Portugal?
Diria que se trata de um duplo posicionamento. O mais importante é que temos a rede mais importante no Brasil e na América do Sul, portanto, levamos o cliente português não apenas a Fortaleza ou a São Paulo, que são as rotas diretas que temos atualmente a partir de Portugal, mas também lhe oferecemos 56 destinos dentro do Brasil e quase 150 destinos na América do Sul. É preciso saber que um de cada dois passageiros na América do Sul viaja com a LATAM, porque oferecemos uma cobertura que ninguém mais oferece.
Esta é a primeira parte, a rede e os destinos. A segunda parte é o tema de produtos / satisfação cliente. Nos últimos anos temos feito muitos investimentos para melhorar o produto, para melhorar a experiência de viagem dos passageiros, e isso deu bons frutos, tanto que fechámos 2025 com um índice de satisfação do cliente de 54, o que foi um resultado histórico.
Renovámos as cabinas business, fizemos uma alteração no serviço que oferecemos na cabina executiva, abrimos um novo lounge espetacular, em Lima. Este ano colocámos o Wi-Fi a bordo dos aviões de longo curso, que já temos na frota narrow body, e em 2027 introduziremos uma nova cabine Premium Comfort, entre a económica e a business.
Atualmente só voam para Lisboa. Pensam poder vir a voar para o Porto?
A LATAM está sempre a olhar para a possibilidade de abrir novas rotas mas neste momento não temos planos concretos para abrir no Porto. Queremos crescer em Lisboa, porque em Lisboa temos dois voos para São Paulo no inverno, mais três frequências semanais para Fortaleza. Mas no verão, por causa dos slots, temos um pouco menos. Então queremos consolidar a nossa proposta em Lisboa antes de olharmos para outra rota.
Nesses voos, a quota para o mercado português tem aumentado? As agências de viagens queixam-se muito de que a ocupação dos aviões se faz do Brasil para a Europa, neste caso, para Portugal, e que ficam muito poucos lugares para o mercado português…
Em 2025, tivemos crescimentos de mais de dois dígitos, e 2026 começou muito bem, com crescimento altos em Portugal também. Na operação, em 2026, continuamos a crescer em Portugal. Na temporada de inverno, de novembro e março, temos 14 voos para São Paulo e 3 para Fortaleza, ou seja, 17 frequências.
Já no verão, por causa do congestionamento do aeroporto de Lisboa, temos que diminuir o número de voos, especialmente nos meses de pico, que são julho e agosto. No verão, vamos manter as três frequências para Fortaleza, em abril, maio e depois em outubro, e para São Paulo, estamos com 13 voos em abril, depois 12 em maio, e vamos descer para 8 em julho e agosto, voltando a crescer em setembro e outubro, mas claro que o nosso objetivo é poder manter os 14 voos de São Paulo todo o ano, mais os três de Fortaleza.
O desempenho de Portugal nesta temporada de inverno, que começou em outubro, está a ser muito bom tanto para o Brasil como para a América do Sul, estamos muito felizes. Claro que o Brasil, em particular São Paulo, é o destino mais procurado pelo mercado português mas também estamos a registar crescimentos para o Chile e o Peru, por exemplo.
“As nossas vendas estão acima de tudo baseadas nas agências de viagens, que representam bastante mais de metade das nossas vendas em Portugal, e acho que chegámos a um nível de relacionamento muito bom”
Que importância têm as agências de viagens para as vendas da LATAM em Portugal?
As nossas vendas estão acima de tudo baseadas nas agências de viagens, que representam bastante mais de metade das nossas vendas em Portugal, e acho que chegámos a um nível de relacionamento muito bom. Temos uma representante em Portugal e penso que as agências estão muito felizes com o apoio e o serviço que lhes é dado, o que explica também os bons resultados que estamos a ter.
Em Portugal, têm que enfrentar a concorrência da TAP que, em termos de operações para o Brasil pode ser considerado um “gigante”. Como é que concorrem no mercado?
A TAP é o gigante de Portugal, como nós somos o gigante do Brasil ou da América do Sul. Como os outros europeus são gigantes nos seus países. Isto é um pouco a regra de jogo, cada um tem uma posição mais forte no seu país de origem, porque é a partir do país de origem que oferece toda a rede.
A nós, o que nos interessa é construir uma rede cada vez mais potente. Nós chegámos tarde a Portugal, penso que em 2017, com cinco frequências em Boeing 767, um avião pequeno, discreto… Queremos mostrar nosso produto a outros países fora de nossa base, mostrar que temos um serviço diferenciado, bem sul-americano, com uma identidade muito forte. No final, é o cliente que escolhe que produto ou que serviço gosta mais, mas acreditamos que temos uma proposta de valor bem robusta, tanto para as agências de viagem que nos distribuem, como para o passageiro final.
Disse que começaram com um avião pequeno, entretanto, que avião utilizam atualmente para fazer face ao aumento da procura que referiu há pouco?
A aeronave de base que usamos aqui no voo diário é um Boeing 777, que é o maior que temos, uma aeronave de 400 assentos, no verão usamos o 787-9, de 300 lugares. Estamos sempre a analisar onde podemos crescer e colocar os aviões, por isso temos que contar com a disponibilidade da nossa frota, até porque, no caso de Lisboa, não é fácil colocar mais voos devido ao congestionamento do aeroporto. Daí que, como já disse, o nosso objetivo é consolidar os dois voos diários para São Paulo e os três voos semanais para Fortaleza.


