SPAC acusa SATA Holding de “bloqueio ao diálogo” no processo de privatização da Azores Airlines
“Os pilotos acreditam que a privatização é inevitável e estão disponíveis para contribuir (…) com o processo” desde que haja diálogo aberto e tenham acesso aos dados. Acusando a administração de entravar o diálogo, o SPAC insta a SATA Holding a “decidir de que lado está: do futuro da companhia ou da manutenção de barreiras ao conhecimento?”.
A tensão em torno do processo de privatização da Azores Airlines é longa e continua. Depois de a Newtour/MS Aviation ter emitido na sexta-feira, 24 de outubro,um comunicado em que acusa a SATA Holding de ser uma força de “bloqueio” ao diálogo e ter como objetivo aparente “impedir a privatização” (ler aqui), o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC), em comunicado emitido horas depois, vem fazer as mesmas acusações.
No comunicado emitido, o SPAC “denuncia que a SATA Holding continua a impedir o acesso à informação fundamental para o futuro da Azores Airlines, escudando-se em cláusulas de confidencialidade que, na prática, transformam a privatização num processo opaco e hostil à participação dos trabalhadores”.
“A extensão do prazo para apresentação da proposta vinculativa pelo consórcio Newtour/MS Aviation até 10 de novembro é aceite como “janela de oportunidade para o diálogo e para a transparência” — mas não pode servir de maquilhagem para manter o statu quo”, alerta o Sindicato que acusa a SATA Holding de não aproveitar este período para criar condições para a negociação, e de continuar a impedir o contacto entre o potencial comprador e os trabalhadores.
Citado no comunicado, Frederico Saraiva de Almeida, vice-presidente do SPAC, afirma ser “inaceitável que uma empresa pública refira a “confidencialidade” como justificação para recusar aos representantes dos trabalhadores — igualmente obrigados ao sigilo! — o acesso ao projeto estratégico de quem se propõe garantir o futuro da Companhia”. O dirigente sindical reforça mesmo que “esta atitude não só mina a credibilidade do processo, como alimenta um ambiente de desconfiança que prejudica a companhia, os seus trabalhadores e a Região Autónoma dos Açores”.
Apelando ao Governo Regional que “assuma um papel firme e ativo na supervisão deste processo”, exigindo à administração da SATA que “ponha fim à cultura do bloqueio e que transforme a transparência numa obrigação, não numa ameaça”, os pilotos frisam que “a privatização é inevitável” e que “estão disponíveis para contribuir de forma responsável e construtiva com o processo – desde que exista acesso claro aos dados e informação que permitam um verdadeiro diálogo”, sem o que “nãp há negociação eficiente e séria!”.
“A SATA Holding tem de decidir de que lado está: do futuro da companhia ou da manutenção de barreiras ao conhecimento? Os açorianos, os trabalhadores da Azores Airlines e o País merecem saber qual é o plano real para esta companhia. Esconder informação nunca salvou empresa alguma”, frisa ainda o SPAC.

