“Someday as the everyday”: Como as viagens espontâneas estão a remodelar a procura turística, segundo o HBX Group
O “Travel Trends Report 2026” do HBX Group aponta uma nova tendência na procura turística: as viagens espontâneas, decididas em cima da hora, que resultam em janelas de reservas e períodos de viagens mais curtos e frequentes. Uma tendência que está a obrigar a alterações no negócio hoteleiro.
Durante anos, o setor hoteleiro operou com uma lógica previsível: os viajantes planeavam as suas deslocações com antecedência, reservavam em torno dos principais períodos de férias e de grandes eventos e era nessas alturas que procuravam o o alojamento em hotéis uma lógica que hoje está longe de se aplicar.
Hoje, segundo o relatório do HBX Group, marketplace B2B de tecnologia para viagens, que detém marcas como a Hotelbeds e a Bedsonline, os viajantes “reservam viagens por impulso”, e “viajar tornou-se parte do quotidiano, em vez de uma pausa no mesmo”. Para a hotelaria, esta tendência em crescimento “cria uma poderosa oportunidade para captar uma procura mais frequente, mais flexível e mais impulsionada pela emoção do que nunca”.
A tendência, que a empresa denomina de “Someday as the everyday”, que poderemos traduzir como “algum dia como quotidiano”, reflete uma mudança fundamental nas motivações dos viajantes, que já não esperam por ocasiões especiais para viajar e tomam a decisão de o fazer de forma espontânea, muitas vezes mesmo em cima da hora.
“Na prática, isto significa janelas de planeamento mais curtas, reservas mais frequentes e um apetite crescente por experiências que ofereçam escapismo, recompensa ou ligação – sem a necessidade de um motivo tradicional para viajar”, refere o relatório de tendências de viagem.
Publicado este mês, o relatório indica que 67% dos viajantes afirmam que a espontaneidade por si só já é motivo suficiente para tirar férias, enquanto 75% acreditam que merecem uma recompensa pelo trabalho árduo.
O estudo aponta, também, que a Geração Z e os Millennials lideram a tendência, muito embora a faixa etária acima dos 50 anos esteja a alcançá-los rapidamente, com a intenção de viajar nos 70% e um forte foco no bem-estar e nas experiências familiares partilhadas.
O bem-estar mental tornou-se, aliás, uma motivação central para as viagens: a intenção de viajar entre pessoas com mais de 50 anos atinge os 70%, com 95% a concordar que viajar beneficia a saúde mental.
Viagens mais curtas mas mais frequentes oferecem novas oportunidades aos hotéis
Neste contexto, “os fins de semana prolongados e as viagens de duas a três noites estão a tornar-se o formato de viagem dominante. As viagens são mais curtas, mas mais frequentes, oferecendo aos hotéis mais oportunidades ao longo do ano para atrair o mesmo hóspede – e não apenas uma vez na época alta”, frisa o estudo.
O relatório conclui que as decisões movidas pela emoção estão a “reduzir significativamente o período de reservas”, dado que os viajantes “estão a responder a um sentimento, a uma sexta-feira à tarde ou a um momento nas redes sociais, em vez de meses de planeamento. Isto cria um desafio na previsão da procura e uma oportunidade real na fixação de preços de última hora”.
A mentalidade de “eu mereço isto” está a gerar uma forte procura por estadias orientadas para o bem-estar: escapadinhas para Spas, desintoxicação digital e momentos de relaxamento, um sentimento que está a gerar novas “oportunidades de vendas adicionais premium” para a hotelaria, uma vez que “os viajantes com esta mentalidade estão mais abertos a investir em serviços extra”.
Esta alteração está também a exponenciar as viagens multigeracionais, com quase 48% dos viajantes a viajarem agora com idosos e crianças juntos, resultando em “reservas maiores e estadias mais longas”.
O que também está a crescer de forma acentuada são as viagens de automóvel, com 84% dos viajantes a afirmarem-se abertos a partilhar boleias e 67% dos pais a planear viagens anuais de autocaravana tornando os hotéis bem localizados destinos naturais para paragens.
A adaptação dos hotéis ao cliente “espontâneo”
De acordo com o HBX Group, “compreender a tendência é importante” mas “agir de acordo com ela é ainda mais importante”. Assim, os hotéis devem permitir e adaptar-se às reservas de última hora, feitas através de dispositivos móveis, e oferecer preços atrativos.
Devem, também, oferecer “políticas flexíveis”, facilitando alterações e cancelamentos, criar “pacotes prontos para reserva” com “experiências pré-definidas, e ter uma estratégia de preços dinâmicos.
Devem ainda apostar na fidelização, através de programas e ofertas personalizadas capazes de converter um hóspede que reserva espontaneamente uma vez num cliente recorrente, porque este novo tipo de público viaja com frequência. Por isso, ter o mesmo cliente por períodos curtos mas várias vezes acaba por ser tão importante como ter um cliente por um período mais longo, mas apenas uma vez.


