Solférias apostou em destinos africanos de proximidade. Dário Brilha explica o que as agências podem oferecer aos clientes
Cabo Verde, como já é tradição, e Tunísia (continental e Djerba) são duas grandes apostas da Solférias para este verão ao nível dos destinos africanos de proximidade, área em que o operador continua a ter oferta para o Senegal e Saidia. Dário Brilha, diretor de produto e contratação, fala destes destinos e também da já habitual operação para o Porto Santo.
Um dos destinos em que a Solférias tem uma grande tradição é Cabo Verde. Na sua opinião este vai ser mais um ano de sucesso?
Sem dúvida, estamos com ocupações boas, tanto no Sal como na Boavista, embora ainda existam alguns lugares para vender. Cabo Verde tem uma dinâmica muito própria, uma procura enorme. Mesmo sem o benefício da distância a que está do conflito do Golfo, já tinha uma procura muito grande, o que está a fazer com que o preço médio da hotelaria aumente numa proporção que deixa alguma incerteza sobre como o destino se apresentará nos próximos anos a nível de pricing.
Continua a haver falta de camas para a procura existente, o nível de ocupação dos hotéis em qualquer altura do ano é incrível, e é um destino absolutamente imbatível porque a uma distância de menos de 4 horas de Portugal, é altamente provável que os clientes consigam fazer praia em janeiro. É um destino muito querido dos portugueses, pela proximidade, pela morabeza, pela qualidade da hotelaria e da praia, e porque a amplitude térmica é muito baixa. Por isso, é um destino que vai funcionar muito bem outra vez.
Quando olhamos para a vossa oferta ano após ano, notamos que se não fosse a limitação das camas, a ilha do Sal continuaria a crescer, já a Boavista não tem mesmo andamento. Isto tem mudado?
A Boavista tem uma questão muito particular que é o facto de, apesar de ser um destino já com alguns anos, a hotelaria não se ter desenvolvido à volta da cidade, neste caso, Sal Rei. Um dos grandes highlights que leva tantos clientes para o Sal, é a proximidade à vila de Santa Maria, a vida noturna, o contacto com a população local, na Boavista isso é mais difícil porque as pessoas estão mais distantes da cidade mais desenvolvida da ilha, o que as deixa presas ao interior do resort. Portanto, aquele feeling da morabeza não é tão fomentado como no Sal, e o feedback que temos dos clientes que voltam da Boavista é de dizerem imediatamente que é diferente.
O tipo de hotéis que têm sido construídos também não tem evoluído, ou seja, há menos oferta, se bem que vão nascer hotéis novos, como o Robinson, que irá abrir no primeiro trimestre de 2027, o Barceló vai sofrer uma renovação muito forte no próximo ano, e o próprio Riu Touareg em Lacacão, está encerrado este verão para remodelação total, no próximo inverno abrirá como um 5 estrelas muito robusto.
O que nós sentimos é que estas alterações na oferta hoteleira, e a entrada da easyJet, vão aumentar a procura e as cadeias hoteleiras vão tentar ocupar o espaço em vazio. Acredito que em 5 ou 6 anos, a Boavista apresentará um crescimento muito grande, ao contrário do Sal que não tem tanto espaço para crescer. No Sal há muito espaço de segunda linha, mas na primeira linha de praia já estão muito limitados, a Boavista não.
Outro charter que vocês têm para África é para a Saidia. Qual é a oferta?
Temos um voo à partida de Lisboa e um voo do Porto. Em Saidia não há novidades, mantemos a operação dos últimos anos, sendo que estamos a vender a hotelaria apenas de primeira linha de praia. É um destino que funciona claramente por pricing, por ser um voo curto, o que fomenta a entrada de muitas famílias numerosas com crianças mais pequenas.
Culturalmente, não tem muito para oferecer porque está distante das cidades imperiais mais conhecidas, agora a nível de praia serve o propósito, a água é muito mais quente do que em Portugal e faz-se uma semana em Tudo Incluído tranquilamente.
“Com estas quatro operações conseguimos vender a zona de Hammamet, muito com os voos de Tunes, toda a zona central com os voos de Monastir e de Enfidha, e também uma parte sul da Tunísia com o voo de Monastir. Depois, vendemos a ilha de Djerba, que é um produto altamente consolidado no mercado português. Em termos de divisão de lugares, dos mais de 10 mil lugares, 65% são para Djerba e 35% para a parte continental”
Já na Tunísia, a Solférias faz este ano uma grande aposta, não é assim?
Na Tunísia, a Soférias tem a maior aposta dos últimos anos, em Djerba e na parte continental – estamos a falar de mais de 10 mil lugares de risco. Para Djerba são 4 voos semanais, 3 partilhados e um onde estamos sozinhos, dois de Lisboa, dois voos do Porto. Já o ano passado fomos o operador que mais clientes portugueses colocou na Tunísia e este ano vamos seguramente continuar assim.
Para a parte continental temos voos partilhados de Lisboa e do Porto para Monastir para Monastir, temos também um voo do Porto para Enfidha, e somos o único operador português com lugares garantidos no voo regular da Tunisair, às segundas-feiras.
Com estas quatro operações conseguimos vender a zona de Hammamet, muito com os voos de Tunes, toda a zona central com os voos de Monastir e de Enfidha, e também uma parte sul da Tunísia com o voo de Monastir. Depois, vendemos a ilha de Djerba, que é um produto altamente consolidado no mercado português. Em termos de divisão de lugares, dos mais de 10 mil lugares, 65% são para Djerba e 35% para a parte continental.
A aposta na Tunísia continental, este ano é bem mais forte do que no ano passado?
Mais forte e mais diversificada, mas temos um trabalho muito grande para fazer em relação à Tunísia continental, que é explicar às pessoas que a praia é muito similar à de Djerba, mas com cidades e uma parte cultural muito mais rica, só que Djerba vende-se per si, como se fosse uma marca.
Como dizia, temos esse trabalho para fazer, porque o nível de hotelaria na parte continental é superior à de Djerba. Pelo valor que o cliente gasta num hotel em Djerba, chega a Monastir e vai encontrar um hotel de qualidade superior, estando perto de Tunes, a capital do país, que é uma cidade absolutamente incrível para se visitar, está perto de Cartago e de Sidi Bou Said, estando ao mesmo tempo numa zona do deserto. Ou seja, as valências de quem vai para a parte continental são tão superiores, se compararmos com Djerba, que a nossa intenção – e aqui acho que posso falar de todos os operadores -, é tentar desmistificar esta questão de que a Tunísia é apenas Djerba.
Para terminarmos a programação charter falta-nos falar do Senegal. Há novidades, este ano?
Não, porque o hotel que continua a ser 99% vendido é o Riu Baobab. Mantemos a aposta com um voo do Porto e um de Lisboa, o destino continua a funcionar muito bem, e há um universo muito grande de portugueses que não foi ao Senegal.
Estamos a falar de um destino que vai para o 5º ano de operação Solférias, onde colocamos em média, cerca de 10 mil portugueses por ano. É um destino que não pode ser vendido apenas como praia, mas como um combinado de praia com cultura, porque é culturalmente muito rico. E vale a pena sair do hotel para visitar, quer seja património edificado, quer seja apenas para o contacto com a comunidade local.
Por fim falemos da única operação charter que fazem para território nacional, ou seja do Porto Santo. Continua a ter muita procura?
Mantemos a aposta com um voo do Porto e um voo de Lisboa. O Porto Santo é um destino de proximidade que este ano beneficia também da situação do conflito. Existem algumas novidades de hotelaria no Porto Santo, um destino que funciona bem para aquele cliente que não pretende ficar muitas horas dentro do avião, quer um transfere curto, alguém que fale a mesma língua, e que quer sentir que se tiver um problema, ele é fácil e rapidamente resolvido.
“Hoje, o cliente entra na agência com um nível de informação muito superior ao que tinha há 10 anos, facilmente faz comparações e sente que o valor que está a pagar para ir para o Porto Santo pode ser aplicado noutro destino que ofereça algo mais em termos de cultura, de praia, de experiencias. Mas se me perguntar se os hotéis valem aquilo que se paga por eles, a verdade é que valem”
Como Cabo Verde, também o Porto Santo é um destino que tem aumentado muito de preço nos últimos anos. Isso tem-se refletido na procura?
Tem aumentado, e é claramente um entrave ao desenvolvimento da operação turística, até porque se gera um problema de perceção entre o que o cliente paga e aquilo que lhe é entregue. Hoje, o cliente entra na agência com um nível de informação muito superior ao que tinha há 10 anos, facilmente faz comparações e sente que o valor que está a pagar para ir para o Porto Santo pode ser aplicado noutro destino que ofereça algo mais em termos de cultura, de praia, de experiencias. Mas se me perguntar se os hotéis valem aquilo que se paga por eles, a verdade é que valem.
Pensando nos números de que se falou ao longo da conversa, é no Egito, Cabo Verde ou Tunísia, que a oferta tem maior peso?
Se juntarmos a capacidade que temos em termos de bloqueios com a TAP para Cabo Verde, para além dos charters, e a possibilidade que a TAP nos dá de voar diariamente, por exemplo, para a Ilha do Sal, naturalmente que essa capacidade tem reflexo na faturação e Cabo Verde continuará a ser o destino número um, e com mais oferta. No entanto, o destino com mais risco associado é o Egito, não só pelo número de lugares como por ser um destino 100% Solférias, e também por serem voos de 5h30m ou 4h45m, onde o peso do aéreo é efetivamente grande e é o dobro, muitas vezes, do peso da Tunísia. Agora, em termos de oferta, claramente Cabo Verde continua a ser o que tem mais.
A nível de facturação, Cabo Verde continua a ser o número 1, depois temos ali no meio a Disney, que não é um destino charter mas é um destino onde nós somos distribuidores oficiais e que agora, com a abertura do parque Frozen, teve um incremento muito grande de vendas. Depois, obviamente, o Egito, pelo volume, pelas vendas e pelo que eu já expliquei do risco.
Depois continua a estar o Brasil, não só pela entrada do charter mas porque estamos a vender muito em linha regular, estamos a bater todos os recordes de faturação no regular. E depois, vem o Senegal e o Porto Santo.
Leia mais sobre os destinos charter da Solférias pra este verão nas duas primeiras partes da conversa com Dário Brilha, aqui (Brasil) e aqui (Egito).


