Sofia Valente “Ter vindo nesta famtrip à Gâmbia faz com que tenha ficado com uma enorme vontade em regressar”
Sofia Valente, sócia gerente na By Travel Barreiro, já conhece vários países de África, tendo já visitado o Quénia, Marrocos, Cabo Verde e São Tomé. Agora, regressou a este continente a convite da Solférias, integrando a famtrip do operador turístico, para juntar mais um país africano à sua lista: a Gâmbia.
Por Fernando Borges
Porque é que a Sofia aceitou o convite da Solférias para participar nesta famtrip à Gâmbia?
Primeiro, porque já há algum tempo que não participava em famtrips e numa conversa com o Paulo Almeida, da Solférias, perguntei-lhe se por acaso não havia nenhuma pensada e com uma duração não muito longa, uma famtrip de poucos dias, e ele falou-me que ia haver esta à Gâmbia, perguntou-me se eu estava interessada e respondi de imediato que sim, pois era uma viagem a um país de África, um continente que adoro, um continente a que sempre que posso regresso. O facto de se tratar de um país que desconhecia e sobre o qual estava muito curiosa, reforçou a minha vontade em participar.
Sei que já esteve em outros países africanos, cada um com as suas características próprias. Como caracteriza cada um deles?
Apesar de todos serem países africanos, todos eles são diferentes. O Quénia, apesar de ser igualmente uma ex-colónia inglesa, como é a Gâmbia, está mais organizado, está mais estruturado, e o que encontrei no Quénia, há já alguns anos, é o que encontro aqui agora, ou seja, está uns passos atrás nesses parâmetros de que falo.
Cabo Verde já está num outro patamar, está mais evoluído socialmente, mais arrumado e mais arranjado, assim como em termos de infraestruturas comparativamente aos países que já mencionei, principalmente nas ilhas que são mais turísticas, como o Sal, a Boavista e São Vicente, uma evolução que passa pela oferta hoteleira, mais ao gosto do mercado português.
Marrocos é o mais diferente de todos estes destinos que visitei em África, pois estamos a falar de um país puramente magrebino, com as inerentes características, com uma cultura mais fechada apesar da grande abertura ao turismo. Mas sem dúvida que é o menos africano dos países africanos tendo em conta a imagem que temos no nosso imaginário do que é África. Mas talvez por isso, por a Gâmbia estar ainda a dar os primeiros passos para se tornar uma referência como destino turístico, existe uma magia especial, mais genuína e autêntica.
Quais são as imagens mais fortes que leva desta viagem a Gâmbia?
Sem dúvida as suas gentes. A sua simpatia, o seu permanente sorriso, a vontade de partilha, a forma como recebe quem chega. Também a segurança que se sente, onde quer que estejamos e para onde possamos ir. Claro que a sua cultura, bem vincada, as praias, e a envolvência natural fazem com que tenha com uma enorme vontade em regressar, principalmente agora para ir ao encontro da outra Gâmbia, aquela mais interior, mais profunda, mais naturalmente intensa e viva, mais selvagem.
E que deficiências ou insuficiências encontrou aqui em termos do turismo?
As insuficiências são principalmente aquelas que podemos ligar ao facto de a Gâmbia estar a dar os primeiros passos no que ao turismo diz respeito e no facto de parecer que estão a querer fazer tudo de uma forma muito rápida e tudo ao mesmo tempo, e assim poder corresponder à crescente chegada de mais turistas e de frequências aéreas.
Mas isso está a ser feito com muitos handicaps, como acontece com os hotéis. É verdade que encontramos já alguns hotéis bons, mas muitos apresentam ainda algumas insuficiências, hotéis que estão a ser recuperados ou remodelados aos poucos.
Também é notória a falta de profissionais qualificados na hotelaria, pessoas com pouca formação, sendo necessário, na minha opinião, haver mais apoio da parte de quem aqui investe, haver mais incentivos, que também deveriam passar pelo próprio governo, para que possa haver um crescimento mais rápido, mas com qualidade. Mas até aqui, nestas insuficiências, facilmente encontramos um certo “romantismo”, o que acaba por “alimentar” os mais profundos sentidos.
“(…) conhecer um destino é sempre uma mais valia profissional que acaba por ser igualmente uma mais valia para o cliente, pois conhecermos pessoalmente um destino altera muito a forma como o vendemos e como falamos dele…”
Já que falou de hotéis, entre os 11 ou 12 que visitámos, quais são aqueles que, na sua opinião, mais se podem identificar com o gosto dos portugueses?
Tudo depende do cliente que tenho à minha frente, do que ele procura. Mas talvez o Kombo Beach Resort, não só pela praia mas também por ter o sistema tudo incluído. Mas para um cliente que queira um hotel que não seja em tudo incluído, um cliente já habituado a viajar e que gosta de descobrir o que está para além do hotel, sem dúvida que o Ngala Lodge será aquele que irei propor, um hotel cheio de charme, muito giro, do género de um boutique hotel, com muitos jardins no topo de um declive sobre uma praia muito bonita, um hotel perfeito para quem quer uma coisa mais “quiet”. E também irei indicar o African Princess, um hotel muito bem conseguido, muito bem desenhado, com muito bons acabamentos.
Para terminar, que importância têm para si, pessoal e profissionalmente, as famtrips como esta da Solférias?
Tem toda a importância, pois gosto muito daquilo que faço, e conhecer um destino é sempre uma mais valia profissional que acaba por ser igualmente uma mais valia para o cliente, pois conhecermos pessoalmente um destino altera muito a forma como o vendemos e como falamos dele, permite-nos transmitir ao cliente as experiências que nós vivemos, sendo muito mais autêntico aquilo que nós aconselhamos e que vai muito mais além daquilo que aprendemos nas formações. E claro que, para quem gosta de viajar, para quem gosta realmente daquilo que faz, é sempre um enriquecimento muito grande, cultural e humanamente. Saí daqui muito mais rica e com muita vontade de fazer mais coisas no destino, pois não fizemos tudo. E pessoalmente, foi uma experiência incrível que fará parte de muitas conversas com os meus amigos.


