Setor das viagens deve crescer acima da economia global na próxima década, diz o relatório do World Travel Market
Divulgado esta terça-feira, 4 de novembro, no World Travel Market, que decorre em Londres, o Relatório Global de Viagens do WTM indica que “o setor das viagens pode esperar um crescimento sem precedentes” na próxima década, impulsionado pelas viagens de lazer, a procura de experiências autênticas e a IA.
As viagens de lazer, a procura de experiências autênticas e a inteligência artificial são apenas algumas das tendências que impulsionam o crescimento explosivo do setor das viagens, refere o Relatório Global de Viagens da World Travel Market, divulgado esta terça-feira, 4 de Novembro.
Apresentado na abertura do WTM, o relatório revela que o setor das viagens está prestes a crescer a um ritmo mais acelerado do que a economia global nos próximos 10 anos, esperando-se que registe um crescimento anual de 3,5%, enquanto a economia global deve crescer 2,5% ao ano no mesmo período. “Até 2035, prevê-se que o setor das viagens gere mais de 16 biliões de dólares a nível global, representando quase 12% do PIB mundial”, refere o estudo.
Tendências que impulsionam o crescimento
Este crescimento será impulsionado por uma mudança no comportamento do consumidor, com os consumidores, em todo o mundo, a priorizarem os gastos com viagens.
Em 2025, a previsão aponta que as chegadas internacionais aumentem para mais de 1,5 mil milhões, “superando o recorde anterior alcançado em 2019”, ao mesmo tempo que os períodos de estada nos destinos se alongam “invertendo a tendência anterior de fazer viagens mais frequentes, mas mais curtas”. Esta mudança, segundo o relatório, “é particularmente notável no Médio Oriente, onde a duração das viagens aumentou cerca de dois terços em comparação com 2019”.
Outra mudança de comportamento tem a ver com as alterações climáticas, considerações climáticas, que impulsionou a tendência das “férias refrescantes”, com as viagens para alguns países nórdicos — Suécia, Noruega e Finlândia — a preverem um crescimento de 9% em 2025, superando os destinos de verão mais tradicionais.
Embora os “destinos imperdíveis” continuem a ser basicamente os mesmos, o relatório aponta que, à medida que os viajantes procuram novas experiências e uma boa relação qualidade-preço, os destinos alternativos estão a tornar-se cada vez mais populares.
Papel importante no aumento das viagens são também os “eventos ao vivo, incluindo eventos desportivos e musicais”. De acordo com a Allied Market Research, o setor dos eventos ao vivo deverá crescer quase 6% ao ano nos próximos cinco anos, superando o crescimento esperado para todo o setor.”
Outra tendência é a procura de experiências culturalmente ricas, incluindo o contacto com os residentes locais e a degustação de comidas e bebidas regionais, está a levar o setor a reformular as suas operações, com um maior foco em experiências personalizadas e narrativas.
O relatório conclui também que a tecnologia está a ajudar cada vez mais na criação de experiências de viagem personalizadas e significativas, com o WhatsApp, apps variadas, e plataformas digitais a desempenharem um papel crucial na jornada do viajante, desde o planeamento e conceção da viagem até à reserva. As ferramentas de IA, por sua vez, tornaram-se vitais para proporcionar experiências personalizadas, com cada vez mais profissionais de viagens a afirmar que as ferramentas de IA ajudarão a aumentar, em vez de diminuir, os gastos totais em viagens.
O aumento da capacidade nas viagens aéreas, cruzeiros e alojamento está também a contribuir para impulsionar o crescimento.
América do Norte em contraciclo
O relatório alerta, no entanto, que nem tudo são boas notícias. Embora existam perspetivas de crescimento na maioria das regiões, a perspetiva imediata na América do Norte é “menos otimista”, com a previsão de uma queda de 6% nas chegadas aos Estados Unidos em 2025 – o que significa que os níveis máximos de 2019 provavelmente não serão recuperados até 2029. “Embora a perspetiva para o setor das viagens seja forte, os desafios económicos e geopolíticos representam uma preocupação imediata. As novas tarifas comerciais anunciadas pela administração Trump estão a aumentar os custos para as empresas e refletem-se agora na inflação ao consumidor, o que prejudica o rendimento e o poder de compra. A contínua incerteza sobre o nível das tarifas impostas representa um problema para o sector no curto prazo”, refere o relatório.

