Agências de viagens: Risco de incumprimento ‘elevado ou máximo’ das empresas mantém-se em apenas 3%, segundo a Iberinform
Sustentado principalmente por microempresas, o setor das agências de viagens apresenta um perfil de risco maioritariamente médio, com a atividade a revelar uma elevada exposição à procura internacional, e a ser marcada pela fragmentação, especialização e dependência de cadeias de valor globais.
Numa radiografia ao setor das agências de viagens, o estudo da Iberinform indica que as microempresas representam 84% do universo das agências nacionais, com as pequenas empresas a corresponderem a 15% e as médias a terem uma expressão residual, representando apenas 1% do total. Esta configuração evidencia um sector altamente fragmentado, marcado pela especialização e pela adaptação a novos modelos de negócio num mercado cada vez mais competitivo.
Setor consolidado mas em renovação, as empresas entre 6 e 10 anos representam 28% do total de agências e as que têm entre 2 e 5 anos correspondem a 23%, enquanto 20% tem mais de 16 anos de atividade. Em paralelo, 16% das empresas têm até 1 ano, com o estudo a concluir que esta situação mostra uma “dinâmica relevante de entrada de novos operadores, associada à evolução da procura turística e à emergência de novos formatos de serviço”.
Setor de risco médio e fortemente concentrado nas grandes cidades
Em termos do perfil de risco, a maioria das empresas, concretamente 58%, apresenta um risco médio, enquanto as empresas com risco baixo representam 39%. Já as que apresentam risco elevado ou máximo são apenas 3%. Esta situação reflete um “equilíbrio entre a estabilidade operacional e a exposição a fatores externos, nomeadamente a sensibilidade à procura internacional e às flutuações económicas”.
O setor está principalmente concentrado em Lisboa, que reúne 35% das empresas, seguindo-se o Porto (14%) e Faro (12%). Setúbal e Braga representam, respetivamente, 6% e 5%, enquanto os restantes 28% estão distribuídos pelo resto do território nacional. De acordo com a radiografia que a Iberinform faz do setor, “este padrão reforça a proximidade aos principais mercados emissores e pontos de entrada no país, mas também sugere maior intensidade competitiva nas regiões de maior concentração”.
Exportações representam mais de 46% da atividade
A recuperação da atividade turística tem contribuído para reforçar o desempenho das empresas, que mantêm uma forte orientação para os mercados internacionais. Com as exportações a representarem mais de 46% da atividade, a procura externa ganha relevo na sustentabilidade dos negócios.


Ao nível financeiro, o estudo sublinha a evolução favorável na gestão dos fluxos de caixa, colocando em destaque a diminuição do prazo médio de recebimento, uma melhoria que contribui para um maior equilíbrio da tesouraria num setor onde a gestão de fluxos é particularmente crítica.
“O setor das agências de viagens posiciona-se, assim, como um cluster com elevada exposição internacional e um perfil de risco controlado, sustentado por uma base empresarial diversificada e em transformação. A predominância de microempresas e a dependência de mercados externos reforçam a importância de uma análise de risco contínua e diferenciadora, determinante para apoiar decisões comerciais e mitigar a exposição a um contexto económico volátil”, conclui o estudo.
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