Sérgio Teixeira: “Seria muito benéfico para todos se a TAP tivesse um ou dois voos semanais para a Gâmbia durante todo o ano”
Sérgio Teixeira, diretor da agência de viagens Travelflex, com porta aberta em Braga, Joane e Moimenta da Beira, foi um dos oito agentes de viagem que participaram na famtrip organizada pela Solférias à Gâmbia, uma viagem que contou com o apoio da TAP Air Portugal e do Turismo da Gâmbia.
Por Fernando Borges
Que importância tem para uma agência de viagens a participação numa famtrip?
Tem sempre muita importância pois se não fossem as famtrips, como esta à Gâmbia, eu não teria um grande conhecimento sobre o que vou vender aos meus clientes, oferecendo por isso uma abertura de conhecimento que de outra forma não conseguiria obter simplesmente por ler um catálogo ou por ver um vídeo. É muito diferente viver a experiência que nós acabamos de viver, sentir as pessoas, a sua amabilidade, a sua simpatia, e por outro lado também conhecer as unidades hoteleiras que visitámos, pois vendo uma fotografia não se consegue ter uma ideia mais concreta, mais real. Portanto uma famtrip tem essa vantagem de familiarizar o agente de viagens com o destino.
Quais eram as expectativas que tinha sobre a Gâmbia, antes de iniciar esta viagem?
Sinceramente eu não vinha com as expectativas altas, mas saio daqui com o coração cheio. Encontrei-me com um destino muito bonito, muito interessante, com um país feito da simpatia das suas gentes, com boas unidades hoteleiras, embora algumas não se enquadrem naquilo a que os portugueses estão habituados, ou que mais procuram.
Entre os hotéis visitados quais são os mais indicados para o mercado nacional?
Penso que o Ocean Bay e o Sunbeach Hotel&Resort, localizados um ao lado do outro, assim como o Tui Blue Tamala, um adults only All Inclusive, sem esquecer o African Princess, que peca por não ser all-inclusive, um sistema que é muito procurado pelos portugueses, principalmente quando vêm para um destino pouco conhecido, como é a Gâmbia. Mas são estes os hotéis que considero mais apropriados para o nosso mercado.
Agora que já conhece o destino, qual pensa ser o tipo de cliente a quem pode agradar mais?
Apesar de infelizmente não o termos feito, este é um destino que oferece safaris, o que o torna indicado para o turista que, para além de praia, gosta um pouco de aventura, um turista de classe média-alta, pensando que possa “roubar” turistas ao Senegal, nomeadamente aquele turista que vai à procura desta conjugação, até porque aqui temos uma hotelaria mais diversificada e um pouco superior, para além de me parecer um país muito mais seguro, o que é um factor muito importante para os portugueses.
“(…) quando o agente já viveu na pele o destino, torna-se muito mais fácil vender e é aquilo que vivi que irei passar a todos os colaboradores, e assim fazer com que o cliente sinta que conhecemos efetivamente o destino”
Que insuficiências aponta para que a Gâmbia possa subir mais alguns lugares no ranking dos países a ter em conta quando os portugueses pensam em férias?
Ainda lhe faltam algumas infraestruturas turísticas e melhorar outras, como as de acesso aos hotéis, que na maioria não estão acabadas. Existem hotéis com qualidade mas com acessos deficientes, como acontece com o hotel onde estamos, o Bakadaji, um hotel com qualidade mas com um acesso pouco simpático, de terra batida, assim como o acesso à praia, que é feito por um caminho também pouco simpático. Penso que reside aqui o apontamento mais negativo, nas infraestruturas turísticas e públicas. Há que melhorar estes aspetos.
A partir de agora como é que vai vender o destino? Como pensa influenciar o cliente?
Nos meus pontos de venda procuramos sempre que o cliente leve uma imagem real do que é o destino. Proporcionamos sempre ao cliente as imagens que levamos daqui e os vídeos que temos, para com eles mostrarmos o que é na realidade o destino. Mas quando o agente já viveu na pele o destino, torna-se muito mais fácil vender e é aquilo que vivi que irei passar a todos os colaboradores, e assim fazer com que o cliente sinta que conhecemos efetivamente o destino.
Pensa que este é um destino que se vende só por si, ou poderia ser melhor se fosse um combinado entre a Gâmbia e o Senegal?
É um bocado difícil responder a essa pergunta, mas se calhar sim, um mix, por exemplo de quatro noites na Gâmbia e três no Senegal , ou vice-versa, seria muito simpático para aumentar as vendas. Neste momento penso que fazer sete noites apenas na zona de costa da Gâmbia pode ser um pouco exagerado. Mas como também temos três voos semanais entre Lisboa e Banjul, julgo que seria fácil encaixar menos noites nesta zona, estendendo-a ao interior, ou encaixar uma extensão ao Senegal.
Sendo esta uma programação a que podemos chamar de sazonal, porque os voos da TAP se realizam apenas no inverno europeu, isso poderá tirar a possibilidade de mais vendas?
Claro que sim, até porque tradicionalmente o português não tira férias no inverno, fazendo apenas uma escapadinha. Por isso, penso que seria muito benéfico para todos se a TAP tivesse um ou dois voos semanais durante todo o ano para a Gâmbia. Acredito mesmo que seria um sucesso.
Este é um destino a que poderá regressar de férias com a família?
Sem dúvida. E essa ideia de regressar, desta vez de férias, foi uma ideia que comecei a compor logo no segundo ou terceiro dia desta viagem, quando começámos a ver os hotéis e quando comecei a sentir que este é um destino muito seguro para vir com a família.


