Sandro Lopes, diretor de Vendas: “Na Soltrópico temos vindo a prosseguir uma política de estabilidade no preço”
O balanço do período de vendas antecipadas e das operações da Páscoa foi o ponto de partida para a conversa do Turisver com Sandro Lopes, diretor de Vendas da Soltrópico. Entre outros temas, falou-se também do reforço das operações charter de verão e da programação do operador em voos regulares.
No período de vendas antecipadas em que destinos é que a Soltrópico colocou maior foco?
Na Soltrópico o nosso objetivo é que todos os destinos que programamos cresçam e impactem no nosso volume de vendas, isso é sinal de que os nossos clientes, os agentes de viagens, confiam no nosso trabalho e por isso queremos que a programação cresça como um todo. E assim aconteceu neste período, de uma forma generalizada todos os destinos que nós colocámos no mercado tiveram um aumento de vendas face ao mesmo período do ano passado, mas naturalmente os destinos onde temos um posicionamento charter, como é o caso de Cabo Verde, Saidia e Porto Santo, tiveram um aumento mais expressivo.
Este período de venda antecipada veio também responder a algumas incertezas, que no nosso caso se prendiam com algumas limitações dos slots no aeroporto de Lisboa, e até já alguma dificuldade no aeroporto do Porto, e passámos a ter a certeza de que os nossos produtos têm cada vez mais procura, o que se traduziu em respostas positivas para estas nossas operações, independentemente do local de partida dos voos.
As conclusões que tirámos deste período levaram-nos, também, a avançar com o reforço de lugares de avião das operações para a Ilha do Sal e para o Porto Santo.
As incertezas passaram então a ser certezas e o objetivo é o de garantir ocupações nos lugares de avião contratados. Que metas tinham?
O objetivo principal é que nós consigamos ter uma base de ocupação que seja expressiva e que naturalmente viabilize todo o investimento que é feito, porque ao contrário de outros players do mercado, o operador turístico quando entra num novo ano tem a seu cargo muito investimento e portanto há que, de certa forma, ter a responsabilidade de o viabilizar para não ser um problema mais à frente.
Quando queremos ter um ano positivo temos de nos preocupar com essas coisas, queremos que os clientes que compram produtos Soltrópico fiquem satisfeitos e também que os lugares não vendidos nas nossas operações sejam reduzidos ao mínimo, para que todos os envolvidos no processo tenham um ano de trabalho com sucesso.
Reforço de lugares de avião para a época de verão
Como é que foram as vendas para o período da Páscoa, para a Soltrópico?
A Páscoa foi o nosso “pontapé de saída” da operação charter para Cabo Verde, nomeadamente para a ilha do Sal, que só termina no final de outubro e já temos esse histórico, são operações de grande sucesso. Na Páscoa voámos com os aviões cheios e nestas semanas após a Páscoa temos boas ocupações. Para além deste charter tivemos vendas significativas para alguns destinos em voos regulares, como foi o caso do Brasil e de São Tomé que cresceram na procura em relação a 2023. Em conclusão, o período da Páscoa foi uma época feliz para nós.
Em relação ao reforço das vossas operações charter, o que é que já está concretizado?
Tendo em conta algumas limitações do aeroporto de Lisboa, infelizmente tivemos que nos reorganizar, não pudemos fazer mais um voo à partida da capital para o Porto Santo como pretendíamos, e tivemos que adquirir lugares em firme nos voos regulares da TAP. Ainda assim, com apenas uma rotação charter semanal, temos mais capacidade de oferta do que aquela que tínhamos.
Neste momento temos propostas no mercado para voos de Lisboa para o Porto Santo às sextas-feiras e sábados em voo regular, e em charter aos domingos, e acreditamos que deste modo possa haver um maior motivo para as vendas dado a diversidade de opções de voos.
Vamos ter também um reforço para a ilha do Sal à partida de Lisboa, aos sábados, com slot já confirmado, o que dada a procura não nos deixou dúvidas em avançar. A companhia com que vamos operar, em parceria com a Solférias e a Abreu, é a Smartwings.
Passamos assim a ter voos de Lisboa para a Ilha do Sal às sextas-feiras com a SATA, aos sábados com a SATA e outro com Smartwings e temos também às segundas-feiras com a SATA, o que nos dá uma panóplia de datas que permite às famílias poderem optar pelo dia de saída da sua conveniência.
“O Brasil já foi um dos destino “estrela” da Soltrópico e este ano, face aos investimentos que fizemos ao nível do reforço de contratação aérea, tentámos diversificar a oferta hoteleira, e o resultado é que este é um país onde vários destinos têm crescido bastante em vendas”
A Soltrópico tem na sua programação vários destinos de longo curso. Quais são os que neste início de ano estão a ter mais procura?
No passado, o Brasil já foi um dos destino “estrela” da Soltrópico e este ano, face aos investimentos que fizemos ao nível do reforço de contratação aérea, tentámos diversificar a oferta hoteleira, e o resultado é que este é um país onde vários destinos têm crescido bastante em vendas.
No Brasil a nossa programação vai ser muito abrangente, estamos a preparar programação para o sul do país fazendo alguns combinados como, por exemplo, com as cataratas da Foz do Iguaçu e um programa para Curitiba Queremos aproveitar todas as ligações aéreas que existem à partida de Portugal para desenvolver oferta.
São Tomé é também um destino que tem vindo a aumentar a sua procura, por isso temos tentado melhorar a nossa programação para o país, e temos dado uma atenção muito especial à Ilha do Príncipe, e em conjunto com a HBD temos vindo a colocar novas propostas no mercado. O reforço de voos que passou a existir entre as ilhas de São Tomé e do Príncipe veio ajudar, atualmente temos a voar entre as duas ilhas a STP Airways e a Afrijet e fala-se que a Fly Angola poderá também passar a fazer esta pequena rota, o que seria muito positivo para a acessibilidade entre as duas ilhas, que era um dos pontos negativos do destino.
Para além destes dois destinos, introduzimos Moçambique na programação, estamos neste momento a desenvolver a programação que vamos colocar no mercado antes do verão. Queremos diversificar e apresentar vários combinados que permitam aos clientes usufruir da cidade de Maputo e dos seus pontos de interesse cultural, e poder ir a destinos de praia.
Temos tido também excelente evolução na programação e nas vendas de viagens de longa distância para a região do Indico, para as Maldivas que retornaram ao nosso portfólio, para as Maurícias e para o Dubai, que tem constituído uma surpresa nas vendas neste inverno, e já temos bastantes vendas para o verão.
De que forma é que a Soltrópico tem estado presente junto dos agentes de viagens?
Temos estado presentes em todos os grandes eventos que envolvem os agentes de viagens, como a BTL, participamos nas convenções dos agrupamentos de gestão de agências viagens – por exemplo, estamos a participar nas reuniões regionais da Airmet – porque são períodos em que se valoriza muito os contactos.
Desta forma nós queremos mostrar o nosso apoio aos agrupamentos e colaborar com eles neste tipo de eventos que permitem um contacto próximo entre os profissionais das viagens, onde trocamos ideias e ouvimos todo o feedback que as agências nos possam dar sobre os nossos produtos.
Vamos fazer algumas famtrips e estamos a contactar os nossos parceiros nos destinos para que colaborem connosco a fim de criarmos algumas viagens de interline, para que o agente de viagens possa conhecer o destino ao mesmo tempo que faz um período de férias.
Pensamos também voltar a ter em várias cidades do país alguns eventos, que eram característicos da Soltrópico e que permitem um contacto de grande proximidade com os agentes de viagens, em pequenos grupos para ser mais frutífera a troca de ideias entre todos.
“Já nos questionaram se vamos passar a ter uma só marca para a tour operação, isso não é suposto porque são marcas com peso no mercado, a Soltrópico com mais anos, a Egotravel enquanto especialista em destinos como a Tunísia, e a Turangra que é o grande especialista nos Açores e com um posicionamento internacional”
Como é que planeiam a promoção, dado que o Grupo Newtour tem três operadores?
Desde que criámos o marketplace que colocou no site da Soltrópico os produtos da Egotravel e vice versa, nós passámos a procurar todo o tipo de sinergias que pudéssemos criar. Essa situação tem feito com que nós estejamos a conseguir chegar de uma forma diferente e com mais consistência ao mercado, e temos recebido um feedback muito positivo da parte dos agentes de viagens.
Depois, temos várias coisas que são feitas em separado, como é o caso das newsletters ou dos comunicados, até porque é importante o constante aparecimento das marcas.
Já nos questionaram se vamos passar a ter uma só marca para a tour operação, isso não é suposto porque são marcas com peso no mercado, a Soltrópico com mais anos, a Egotravel enquanto especialista em destinos como a Tunísia, e a Turangra que é o grande especialista nos Açores e com um posicionamento internacional.
Portanto essa questão não se coloca, cada marca tem a sua própria identidade e por trás tem uma equipa comercial que, com as sinergias que são feitas, ainda ganha mais capacidade para estar junto dos agentes de viagens e trazer novidades para o mercado, seja de produtos e serviços seja de trazer novas ideias e abordagens.
Qual é a vossa política comercial em termos de estabilidade de preço?
Na Soltrópico temos vindo a prosseguir uma política de estabilidade no preço, não prevemos iniciar os anos de vendas com os preços a serem muito mais elevados do que aqueles com que vamos terminar. Isso quer dizer que nós entramos no mercado com um preço que seja justo e que será o nosso melhor preço e conforme vamos flutuando ao nível das ofertas o preço tenderá sempre a subir, não perspetivando uma última hora em que exista um abaixamento de preço.
Naturalmente poderá haver um ou outro ajuste mas serão sempre situações muito pontuais porque buscamos essa estabilidade no preço para que o agente de viagens não tenha que ter de explicar ao seu cliente que a viagem para julho que comprou em novembro ou dezembro está mais barata em maio ou junho. Temos esta postura para que esta estabilidade consolide o que está a ser conseguido no mercado: as vendas antecipadas continuarem a ser um bom indicador de como irão correr as operações de verão.


