Saiba quais foram as respostas de Marco Sequeira na sua primeira conferência de imprensa como candidato à presidência da APAVT
Após a apresentação das linhas gerais da candidatura de Marco Sequeira, COO Europe do OnTourism Group que entre várias outras marcas integra a Alive Travel, à presidência da APAVT, seguiu-se um período de perguntas e respostas. Saiba abaixo quais foram as principais questões colocadas pelos jornalistas e as respetivas respostas do candidato.
A lista candidata aos novos corpos sociais da APAVT já está completa?
Não, não temos ainda lista completa, aliás, esse é um dos motivos pelos quais hoje falo somente eu. Esta candidatura não é uma candidatura somente de uma pessoa nem de um rosto, é a candidatura na qual eu estou a dar o rosto, mas é uma candidatura de um pensamento coletivo, daquilo que são as linhas gerais que pretendemos para o setor e para a APAVT.
O que se pretende é que tenhamos uma lista o mais diversa possível, uma lista que integre todas as sensibilidades, e desde que venha para acrescentar todos são bem-vindos. Por esse motivo não temos a lista fechada ainda neste momento, estamos a trabalhar nesse assunto e seguramente depois deste anúncio iremos continuar a trabalhar ativamente no mesmo, e esperamos que, talvez no prazo de duas, três semanas, tenhamos uma lista definitiva para apresentar.
Já trabalha há algum tempo nesta candidatura. Que apoios do setor é que já tem neste momento?
Neste momento não irei falar de apoios, até para não estar a fragilizar as posições de ninguém. Nós, o que pretendemos é, basicamente, ter o apoio de todos. Todos aqueles que comunguem daquilo que é o nosso projeto para o futuro da APAVT e para o futuro do setor, são bem-vindos, esta não é uma lista fechada, não é uma lista de amiguismo, não é uma lista de projetos menos claros.É uma lista que pretende trabalhar com sentido de ver para o futuro do setor e para o futuro das agências de viagens, e não fechamos a porta a absolutamente ninguém.
“Tenho trabalhado nos últimos anos em parceria estreita com a APAVT, nomeadamente no capítulo aéreo e em vários grupos de trabalho, o Grupo de Trabalho do Estado, o Grupo de Trabalho de negociação com a TAP, o Grupo de Trabalho da Contratação Pública. Portanto, julgo que posso aportar um conhecimento vivo de mercado…“
O que é que o Marco Sequeira, um profissional muito ligado ao corporate, traz de novo para a APAVT ?
Às vezes, quando nós falamos em trazer algo de novo parece que estamos a fazer um corte com algo, e não é essa a ideia que vos queremos transmitir. Vou apenas sublinhar a minha opinião sobre o que tem sido o trabalho feito pela APAVT ao longo dos últimos anos, que tem sido muito mais do que meritório. Principalmente nos mandatos do Pedro Costa Ferreira, eu acho que a APAVT ganhou muito em termos de credibilidade, em termos de presença e em termos de representatividade do setor, não obstante, as coisas não são perpétuas, não duram para sempre.
Como é sabido, o Pedro vai abandonar a presidência no final deste mandato, e se há algo que eu e as pessoas que estão comigo neste projeto não queremos deixar cair em saco roto é, de facto, todo o capital de credibilidade que foi ganho pela Associação nos últimos anos. Queremos manter e, se possível, aumentar ainda mais esse capital de credibilidade, embora seja difícil.
Temos um modelo de governance para a APAVT que é totalmente diferente, por isso esta não é uma candidatura unipessoal, não vamos ter aqui nenhum Messias que sabe tudo e que consegue tratar de todos os temas.
Nós vamos ter uma equipa que vai ter as suas áreas de especialização, que vai ter os seus pelouros e que vai trazer toda a formação e todo o conhecimento que tem nas suas áreas para um setor que bem precisa dessa informação. Aquele tempo do líder que decidia tudo e que poderia saber tudo – e não é isso que eu estou a dizer relativamente ao atual presidente, mas estou a falar de um modelo mais presidencialista que nós tivemos na APAVT nos últimos, se calhar 50 anos, para não dizer praticamente desde sempre – julgamos que na fase atual, com a velocidade a que o mercado evolui, com a velocidade que existem transformações tecnológicas e de setor, não se coaduna mais.
Tenho trabalhado nos últimos anos em parceria estreita com a APAVT, nomeadamente no capítulo aéreo e em vários grupos de trabalho, o Grupo de Trabalho do Estado, o Grupo de Trabalho de negociação com a TAP, o Grupo de Trabalho da Contratação Pública. Portanto, julgo que posso aportar um conhecimento vivo de mercado de alguém que trabalha numa empresa em que basicamente começou do zero, não foi uma estrutura criada, conheço a criação e o funcionamento de uma empresa, desde ela ser quase uma unipessoal até ser uma micro, até ser uma PME, até ter a dimensão que hoje temos no mercado. Portanto, acho que isso também nos ajuda e que pode dar uma visão nova e fresca daquilo que é o setor.
Falou num novo ciclo, e esse novo ciclo tem vários desafios, e nesses desafios ouvimos várias vezes a palavra região, ir mais para fora da centralidade de Lisboa. Quais são efetivamente os principais desafios que esta candidatura terá que abraçar?
Temos uma ideia geral para aquilo que pretendemos em termos territoriais com a APAVT, não irei comentar agora ao detalhe qual é essa ideia neste momento, até porque como vocês devem imaginar, uma coisa é nós termos um plano, outra coisa depois é implementá-lo no dia a dia. Mas uma das coisas que nós pretendemos é, no que diz respeito a esta primeira fase de arranque, dizer aos nossos delegados regionais que tenham uma maior proatividade, que tenham também latitude para fazer mais e melhor em termos da relação com as agências da sua área de influência, e pretendemos também que passe a haver um maior reporte dessa atividade à direção.
Eu acho que isso é algo também devido a todas as questões que tivemos nestes últimos anos, nomeadamente com a grave crise que tivemos durante a pandemia, em que basicamente nos focámos na sobrevivência e pouco noutros setores, se calhar ficou um pouco para trás, e entretanto entraram outros dossiers, como a Diretiva, como as privatizações, etc., que acabam por ter maior relevância do que essa situação.
Mas sim, é algo que nós queremos olhar com muita atenção, comunicar com essas agências locais, ouvir os problemas que eles têm, porque de facto são totalmente diferentes daqueles que nós temos nos grandes centros urbanos, e daqueles problemas que uma agência de maior dimensão tem. São situações totalmente distintas e nós só podemos olhar para eles e torná-los efetivos e tentar resolvê-los se os entendermos. Se os não entendermos vão continuar a existir e vai continuar a existir um sentimento de quase de exclusão relativamente a essas áreas e isso é algo que nós não queremos de todo.
“(…) a premissa base desta candidatura que haja um pensamento coletivo por trás daquilo que apresentamos, não faria sentido criar um programa e depois apresentar equipa – cheques em branco não existem. Portanto, a ideia é fechar a equipa, posteriormente acabar de burilar o programa de candidatura e apresentá-lo pouco tempo depois”
Hoje tivemos a apresentação da candidatura, e agora em termos de timings, quais são os próximos passos?Outra questão tem a ver com a visibilidade pública da APAVT, para fora do contexto interno, uma posição da Associação em alturas de situações de crise, dirigida ao consumidor final para o esclarecer e em muitos casos incentivar a viajar. Qual é que vai ser a postura futura de uma direcção liderada si nesta matéria?
Relativamente à sua primeira pergunta, a nossa intenção é que durante este mês, e digo este mês para nos dar aqui alguma folga, mas provavelmente será nas próximas duas semanas, faremos a apresentação da lista e, posteriormente, a apresentação também do programa de campanha.
E nesta sequência, porquê? Porque sendo a premissa base desta candidatura que haja um pensamento coletivo por trás daquilo que apresentamos, não faria sentido criar um programa e depois apresentar equipa – cheques em branco não existem. Portanto, a ideia é fechar a equipa, posteriormente acabar de burilar o programa de candidatura e apresentá-lo pouco tempo depois.
No que diz respeito à sua segunda pergunta, concordo, penso que devíamos aparecer mais, nomeadamente nestas alturas. Acho que no modelo atual é mais difícil porque basicamente o modelo atual, a APAVT sendo mais presidencialista, cai o peso e o ónus dessas intervenções muito na pessoa do presidente.
O nosso modelo é mais setorial, é mais como uma comissão executiva do que propriamente como um modelo presidencialista, e portanto, sim, supondo esse exercício que me está a propor, que é estando nós em atividade e aparecerem situações de crise, seguramente que a APAVT vai intervir no espaço público.
A sua candidatura vai ser de continuidade ou mudança?
Diria que nem uma coisa nem outra. Em termos daquilo que é a credibilidade junto do setor e do tentar desenvolver o melhor trabalho possível, eu diria que será de continuidade, por outro lado, nós temos uma proposta de valor que em muitos aspetos é assimétrica daquilo que é o modelo atual, e nesse sentido, pode dizer-se que é de rotura.
Penso que todas as direções da APAVT, ao longo dos anos, tentaram sempre a mesma coisa, que foi dignificar o setor, trazer o maior benefício possível para os seus associados, porque ao fim e ao cabo somos uma associação patronal, e tentar dignificar a carreira e a figura do agente de viagens.
Se essa é a linha principal e o fio condutor da APAVT, nós queremos dar continuidade, agora a forma como o vamos fazer, aí será diametralmente oposta daquela que tem vindo a ocorrer nos últimos anos.
O Marco conhece bem o setor, conhece bem a vida da APAVT e sabe do esforço que é preciso para ser presidente da APAVT, especialmente em termos da disponibilidade de tempo. Como é que geriu isso dentro da empresa onde está?
Geri de uma forma relativamente simples, porque como o nosso próprio modelo de governance é totalmente diferente do modelo anterior, essa gestão de tempo será sempre essencial em qualquer dos casos, mas não terei uma vida garantidamente igual à do Pedro Costa Ferreira. Isso aí está fora de questão.
Por isso é que nós optámos por ter uma direção que tem várias cabeças pensantes, com especialidade em várias áreas, precisamente para que o presidente não tenha que ter a vida que tem o Pedro [Costa Ferreira], que se for preciso num só dia tem que estar presente em três eventos públicos. Isso não vai acontecer. O presidente poderá estar num, o vice-presidente estará noutro, o presidente do Conselho Fiscal estará noutro e os próprios órgãos diretivos, nomeadamente a sua Direção-Geral, também terá toda a liberdade para poder estar presente e representar a Associação em algumas dessas cerimónias.
Espera que surjam outras listas?
Sinceramente, não sei dizer. Tenho ouvido muitas coisas, muitas vezes através dos vossos meios de comunicação, mas entre aquilo que se ouve e aquilo que depois se concretiza ainda vai uma distância muito grande, portanto, vamos ver. Se houver, cá estaremos para debater com eles e para defender o nosso projeto e as nossas ideias. Se não houver, ou estiverem a pensar nisso, mas depois de lerem as nossas ideias acharem que se identificam com elas, estamos aqui disponíveis para falar com quem quer que seja.


