Rumar ao sul da ilha Maurícia percorrendo a costa oeste e leste “abraçados” pela mãe natureza, a cultura e o Índico (2ª parte)
Na segunda parte da reportagem da famtrip que a Travelplan, operador turístico do Grupo Ávoris, promoveu à ilha Maurícia, e para a qual convidou um grupo de agentes de viagens e jornalistas, o foco está na deslocação à Costa Este. A região de Chamarel com o seu parque e cascata, a Terra das Sete Cores, as tartarugas gigantes, o Grand Bassin, a ilha dos Cervos e a beleza do Índico são alguns dos destaques.
Na primeira parte da reportagem sobre a Ilha Maurícia [ler aqui], descrevemos o que os turistas podem visitar na região norte da ilha. No artigo que hoje publicamos, vamos dar conta daquilo que o grupo de agentes de viagens e jornalistas que participaram na famtrip da Travelplan pôde desfrutar na zona sul da ilha, um percurso feito pela costa oeste, onde se visitaram várias unidades hoteleiras, entre as quais o resort La Pirogue Mauritius, empreendimento que cativou todo o grupo nesta aérea da ilha.
O La Pirogue começa por surpreender pela sua arquitetura, pequenas vivendas bungalows, que na sua parte exterior mantêm a traça tradicional dos tempos idos dos nativos. No seu interior os quartos são modernos e muito bem equipados, e segundo as informações que nos foram dadas, a cultura e tradição mauriciana também está sempre presente na gastronomia, na música e nos shows de animação.
Considerado unidade de luxo, o resort oferece aos seus hóspedes tudo aquilo que um hotel de primeira pode ter, a que se acrescenta um amplo jardim frente mar, aeróbica, ginásio e quadras de ténis, e um salão termal.
Na minha opinião, este hotel tem uma das melhores praias que visitámos na ilha, e um pormenor interessante é que recebeu, em 1972, a visita de Isabel II Rainha da Inglaterra. A atestar esta visita, a vivenda-suite em que dormiu a monarca tem uma placa no exterior assinalando o facto e o seu interior pode ser visitado a pedido, desde que não esteja ocupada.
Estava-se bem no La Pirogue mas a viagem ao longo da ilha tinha de continuar, e era grande a curiosidade por visitar a região de Chamarel, no interior da ilha, que é dominada por uma cascata com 100 metros de altura, que se constitui como um dos locais mais instagramáveis da ilha, até porque, a rodear a cascata, abre-se uma paisagem de um verde que cativa.
Numa ilha que tem muito verde, deparámo-nos com uma paisagem em que os solos formados por minerais, quando combinados com a chuva, e por influência do clima quente, formam como que um bolo de camadas coloridas – uma paisagem que por ali é conhecida por Terra das Sete Cores…
A pouca distância está o parque Chamarel, de entrada paga mas mesmo assim um dos mais visitados do país. Trata-se de um lugar que os turistas não devem perder, aliás, mesmo tendo em conta que grande parte da visita que o grupo fez foi feita de baixo de uma boa chuvada tropical, posso afirmar que a faria de novo, nas mesmas condições climáticas.
Numa ilha que tem muito verde, deparámo-nos com uma paisagem em que os solos formados por minerais, quando combinados com a chuva, e por influência do clima quente, formam como que um bolo de camadas coloridas – uma paisagem que por ali é conhecida por Terra das Sete Cores, e um dos destaques desta formação geológica vai precisamente para as suas camadas, que formam um verdadeiro arco íris.


O terreno é ondulado e são os minerais como o ferro, o magnésio e o enxofre que ao oxidarem e misturarem-se, criam tons tão distintos como o violeta e o castanho, entre outros. Esta obra não é de Picasso nem de Dali, é uma obra da natureza no seu estado mais puro, daí toda a beleza que inspira de quem a vê.


A terra colorida não é a única atração do Parque Chamarel. As tartarugas gigantes, que segundo apurámos vieram das Seychelles, são outro dos pontos altos da visita: passeiam-se em áreas reservadas mas muito próximas dos visitantes, fazendo as delícias destes que demoradamente as observam nas suas lentas caminhadas, até porque se tornam alvos fáceis das câmaras dos telemóveis e das máquinas fotográficas que ainda vão sendo utilizadas.
O Grand Bassin é um extenso lago que se formou na cratera de um vulcão, onde se situa o maior templo hindu da ilha, e é considerado como um lugar de peregrinação
A chuva e o que ainda havia para ver abreviou a visita ao Parque Chamarel, assim rumámos a Grand Bassin o lugar sagrado mais importante da ilha para os hindus. As ilhas Maurícias são um Estado laico onde coabitam várias religiões, no entanto o hinduísmo é a religião predominante, representando mais de 56% da população, sendo a segunda religião o cristianismo que representa 25,3%.
O Grand Bassin é um extenso lago que se formou na cratera de um vulcão, onde se situa o maior templo hindu da ilha, e é considerado como um lugar de peregrinação desde que, em 1897, um sacerdote indiano reconheceu uma ligação espiritual entre o lago e as águas do Ganges, rio “sagrado” na Índia.
A partir de então, o lago, em homenagem ao deus Shiva e outros deuses, transformou-se num local de peregrinação e visita para os hindus, mas também atrai milhares de turistas que admiram as cores vibrantes do templo e das estátuas que ladeiam o lago e contrastam com as águas calmas do lago e com os tons verdes da floresta que rodeia toda a aérea, transmitindo calma e serenidade aos visitantes. Impressionantes são também as estátuas de 33 metros de altura (as maiores da ilha), de Shiva e de Durga Maa Bhavani a deusa considerada mãe do hinduísmo, que se encontram ainda fora do templo, como quem dá as boas vindas a todos os que ali chegam.
A paragem seguinte foi na primeira plantação de chá da ilha, Bois Chéri criada em 1892. Quando demos por nós, já estávamos a percorrer alguns dos 250 hectares de plantação, que é de grande beleza, mas eis que chegámos a um pequeno complexo que mais parecia um grande chalé, de frente para um lago, num local onde a tranquilidade se sente, e onde estão instalados um pequeno museu e um restaurante, e onde se faz a venda de variados chás, sendo que a propriedade também tem uma fábrica.

A visita à plantação Bois Chéri convidou a uma degustação de chás, e claro, à compra de várias embalagens, para que em Portugal se pudessem recordar os bons momentos ali passados. Duas particularidades a acrescentar: os visitantes podem comprar uma entrada que inclui um passeio guiado (se acontecer durante um dia de trabalho, permite apreciar o trabalho que o chá requer na fábrica e, se for no tempo das colheitas pode também assistir-se a estas), além de uma visita ao museu e uma degustação de chás.
Na Costa Este os extensos areais, o mar e o vento formam um cocktail quase perfeito para os praticantes do kitesurf, windsurf e surf, no entanto nesta região uma das principais atrações é a visita á Ilha AuxCerfs (Ilha dos Cervos), uma experiência autêntica num paraíso com grandes praias de águas cristalinas que convidam ao mergulho e snorkleling
Os dias iam passando com parte do país já visitada. De recordar que esta nossa viagem começou pelo Norte da Maurícia onde se situa a capital, Port Louis, peolongou.se pela costa Oeste até ao sul e nos dias que restavam deu-nos a conhecer a costa Leste da ilha.
A costa Leste é a mais agreste da ilha e a mais ventosa, no entanto é uma surpresa para os visitantes, mesmo para os mais exigentes, porque tem uma natureza luxuriante, paisagens deslumbrantes e praias extensas e sensacionais para caminhadas que permitem apreciar o mar único destas paragens – um mar cristalino que ganha tons únicos com o cintilar do sol.
Por ali, na costa Este, os extensos areais, o mar e o vento, formam um cocktail quase perfeito para os praticantes do kitesurf, windsurf e surf, mas a grande atração desta região é a visita à Ilha Aux Cerfs (Ilha dos Cervos), uma experiência autêntica num paraíso com grandes praias de águas cristalinas que convidam ao mergulho e snorkleling.
A Ilha dos Cervos foi o último local de registo visitado pelo grupo, um final de viagem coroado com um passeio de catamarã com almoço a bordo. Foi, também, para todo o grupo, o primeiro e grande contacto com as águas do Índico. Navegar nestas águas em mar aberto e profundo, não é a mesma coisa que estar na praia e dar uns mergulhos, e neste passeio marítimo pudemos avistar golfinhos – o que por ali é muito frequente – e nadar e mergulhar nas águas cristalinas que eram um convite permanente desde que começámos a navegar.
A expectativa era alta para conhecer um dos ícones do Leste da Maurícia, a ideia era encontrar uma ilha com uma atmosfera única, muito por ser uma ilha praticamente intocada. Chegados à Ilha, onde quase não há edificações, o grupo pôde constatar que a ideia que nos tinham passado era correta já qua por ali tudo é praticamente natureza pura.
A ilha tem estruturas básicas de apoio aos turistas, como casas de banho, alguns vendedores ambulantes de água e gelados, um pequeno mercado de artesanato e ‘souvenirs’, um pequeno estabelecimento que vende bebidas, uma praia com um extenso areal com espreguiçadeiras para alugar, e sempre aquele mar onde quase ninguém resiste a dar um bom mergulho.
Leia abaixo as opiniões de alguns agentes de viagem que viajaram até à Maurícia a convite da Travelplan: Ilídio Ricarte; Susana Fonseca; Raquel Trindade e Paulo Lages.

















