Rui Ventura: “O Centro de Portugal não é um território de calamidades: é um território de oportunidades”
A afirmação foi feita pelo presidente da Turismo Centro de Portugal esta terça-feira, na sessão de abertura da 12ª edição do Fórum de Turismo Interno Vê Portugal, que decorre em Viseu. Na sua intervenção, Rui Ventura falou de coesão territorial, de oportunidades e da importância do mercado interno para a sustentabilidade das regiões.
Rui Ventura centrou a sua intervenção na crescente relevância estratégica do turismo interno, tendo recordado que o o Fórum Vê Portugal teve início no Centro, região que desde sempre esteve na sua organização, mas acabou por crescer e por se tornar naquilo que é hoje: um dos mais importantes espaços nacionais de reflexão sobre o setor.
A propósito, o presidente da Turismo Centro de Portugal, sustentou que este é o momento certo para discutir o modelo de desenvolvimento que o país pretende seguir. “Há momentos em que percebemos que não estamos apenas a discutir o turismo. Estamos a discutir o modelo de país que queremos construir. Estamos a discutir coesão territorial, qualidade de vida, mobilidade e oportunidades”, afirmou.
O responsável, que destacou os resultados da atividade turística na região durante o ano 2025, defendeu, no entanto, que “o futuro do turismo não deve ser apenas uma questão de números”, mas antes “uma questão de valor”. Por isso, disse, o futuro deve passar por “menos volume, mais valor, mais autenticidade, mais qualidade de vida”, um posicionamento que abre uma “oportunidade extraordinária” para o Centro de Portugal.
Defendendo que o Centro de Portugal reúne alguns dos atributos mais procurados pelos visitantes atuais, Rui Ventura fez questão de deixar bem claro que ” Centro de Portugal não é um território de calamidades: é um território de oportunidades”, defendendo mesmo que o Centro de Portugal “talvez seja hoje um dos maiores territórios de oportunidade da Europa”.
Isto porque, explicou, “enquanto muitos destinos vivem problemas de saturação, excesso de pressão urbana e perda de identidade, nós oferecemos aquilo que o mundo mais procura: autenticidade, natureza, património, espaço, tranquilidade, qualidade de vida e relações humanas verdadeiras”.
Aliás, para Rui Ventura, Portugal como um todo, é dos destinos turísticos mais competitivos do mundo, um destino que tem a “humanidade” como característica diferenciadora. “Se Itália é design, se a França é luxo, se a Alemanha é engenharia, Portugal pode ser humanidade, porque aquilo que verdadeiramente nos distingue não é apenas o clima, nem a gastronomia, nem apenas a paisagem, é a forma como nós recebemos os nossos turistas”, afirmou.
O presidente da Turismo Centro de Portugal referiu-se ainda à importância do mercado interno para a sustentabilidade do setor. “Durante demasiado tempo, o turismo interno foi encarado como um complemento. Mas hoje percebemos que é muito mais do que isso: distribui riqueza, combate a sazonalidade, fixa pessoas e cria atividade económica em territórios de baixa densidade”, sustentou.


