Rui Ventura acredita que as pessoas vão ajudar a região Centro e a forma de o fazerem “é virem para o território passar uns dias de férias”
Em conversa com o Turisver à margem do Workshop Internacional de Turismo Religioso, em Fátima, Rui Ventura, presidente da Turismo Centro de Portugal mostrou-se preocupado pelo facto de, através das notícias, parecer que toda a região foi afetada, o que não sendo verdade está a causar também graves prejuízos económicos às zonas que não foram atingidas.
Os números do turismo no Centro de Portugal foram muito positivos em 2025, não é assim?
Sim, a região esteve acima da média daquilo que foi 2024. Obviamente que o nosso primeiro mercado continua a ser o mercado interno e o primeiro mercado externo é o espanhol, mas começamos também a subir noutros mercados, como os Estados Unidos.
Os resultados, em 2025, foram realmente positivos, agora vamos ver aquilo que vai acontecer em 2026. Obviamente que temos a noção clara daquilo que está a acontecer no país, nomeadamente neste território, e nomeadamente numa altura de sazonalidade baixa, vamos ver como vai ser a Páscoa, até porque já tivemos impactos negativos no Carnaval.
Quando fala de reflexos negativos refere-se a cancelamentos por parte do mercado português? Tem havido muitos para este período?
Essa é a grande preocupação, os cancelamentos, em particular na hotelaria e outros alojamentos, mesmo em áreas que não foram afetadas. Existe, de facto, um problema em parte do território e nós não podemos esconder e meter a cabeça na areia, mas é só numa parte do território. Felizmente nós temos a capacidade de sermos resilientes através dos nossos empresários, mas também através das autarquias e já estamos a recuperar. O grande exemplo é estarmos aqui em Fátima com o Workshop Internacional de Turismo Religioso, quando Fátima também foi afetada.
Estamos a sentir que a forma como está a ser feita a comunicação está a afetar toda a região Centro, incluindo muitos dos territórios que não foram afetados por esta tempestade e isso é algo que nos preocupa porque tem grandes repercussões a nível económico. Temos de estar atentos a esta situação e apelar a que aquilo que é a notícia não seja a notícia só sensacionalista, mas também seja uma notícia séria, no sentido de dizer que há território que não foi afetado. A região Centro tem 100 municípios, tem 8 Comunidades Intermunicipais, algumas foram afetadas, outras não foram, e temos que fazer um caminho de entreajuda.
As praias foram muito afetadas. Acha que grande parte delas vão estar total, ou pelo menos parcialmente recuperadas até ao verão?
Eu não diria totalmente, mas acredito que estarão com a capacidade de voltar a receber as pessoas, estamos a trabalhar todos para isso. Esta é a capacidade de resiliência de que nós falamos muitas vezes, da resiliência do território. Aconteceu isso com os incêndios de 2025, já aconteceu com outros fenómenos, está a acontecer este ano e eu espero e desejo que as praias estejam já em condições de receber os turistas.
Alguma coisa se alterou na vossa presença na BTL?
Não, nós temos que mostrar o território, a sua potencialidade que é muito grande. A única diferença que o stand do Turismo Centro de Portugal é que nele vai estar toda a diversidade que existe no território, e com isto nós damos slots para todas as Comunidades Intermunicipais mostrarem aquilo que entendam, os nossos PROVERES (da fileira dos vinhos, da náutica, do património raiano…) e as redes colaborativas também têm um espaço próprio, e depois vamos dar muito enfoque à tecnologia, nomeadamente à inteligência artificial, nunca esquecendo as pessoas.
Apesar dos impactos da tempestade em parte do território, está convencido de que os números deste ano podem entrepassar os do ano passado?
Isso é o que eu desejo, e é o que desejamos todos naturalmente, aliás acredito que as pessoas vão vir para o território, vão ajudar o território, mas, obviamente, não podemos esconder que esta situação veio prejudicar aquilo que tem sido a nossa capacidade de superar os números ano após ano.
Há uma forma de ajudar o território, de ajudar as empresas, e essa forma é virem para o território passar uns dias de férias, esta é uma forma também de ajudar Portugal, portanto, é isto que eu espero, e se assim for, seguramente que os nossos números voltarão a ser bons, mas mais do que números é o território que importa, mais do que números são as pessoas que importam. E portanto, valorizando as pessoas, eu acredito que nós conseguiremos atrair pessoas para o território.


