Ricardo Correia diretor operacional quer que seja “cada vez mais fácil” para as agências trabalharem com a TravelGEA (2ª Parte)
Nesta 2ª parte da entrevista a Ricardo Correia, diretor operacional da TravelGEA, estiveram em cima da mesa temas como a utilização que as agências de viagens da GEA fazem das plataformas da TravelGEA e as novidades que as agências de viagens podem esperar até ao final do ano ao nível de novas plataformas, de melhoria de acessibilidade e de novos conteúdos.
Na sua ótica, o que é que pode ser um obstáculo a que mais agentes de viagens utilizem as plataformas da TravelGEA ou o façam mais vezes?
Podem existir vários, estamos num mercado livre e as pessoas escolhem o serviço que querem usar, ou porque estão mais habituadas a uma determinada plataforma ou porque têm algum tipo de dificuldade na utilização. Estamos neste momento, a fazer um investimento para conseguir formar mais as pessoas nas plataformas da TravelGEA.
Nós investimos muito na parte tecnológica, investimos muito nestes envolvimentos de colocar cada vez mais produto, cada vez mais qualidade de serviço e é verdade que temos uma parte comercial que não é que tenha ficado esquecida, mas que pode ser melhorada. O nosso foco inicial foi a operação, melhorar a operação, melhorar rentabilidades, melhorar plataformas e isso permitiu-nos ter um crescimento, praticamente duplicámos a produção aérea desde que entrámos para o Grupo NewTour.
Neste momento estamos focados na eficiência e na melhoria de todos os procedimentos financeiros, isto é algo que estamos a ultimar, e o grande expoente vai ser efetivamente esta acessibilidade à Extranet GEA, àquele portal de clientes de que nós falávamos (1ª parte da entrevista), mas que continuará a melhorar seguramente e introduzir outras novidades relativamente à parte financeira. E agora sim, vamos ter que trabalhar a área comercial, estar mais próximos das agências viagens, tirar-lhes as dúvidas com mais acuidade e isso é algo que vai acontecer até ao final do ano, também teremos novidades sobre essa matéria.
Mas tem vindo em crescendo a utilização da parte das agências?
Tem vindo a crescer o número de agências que trabalham connosco, tem vindo a crescer o nosso volume de negócios e tem vindo a crescer a utilização das nossas plataformas face àquilo que são as emissões. Para dar uma ideia, neste momento mais de metade das emissões que são feitas dentro da TravelGEA são feitas diretamente na plataforma, porque é ali que está a grande parte da rentabilidade, como nós falávamos, que vem dos NDCs, do acesso à low-cost, por exemplo.
Considero que temos um trabalho a fazer de proximidade com as agências viagens que tem que ser melhorado, e isso vai conseguir trazer também uma melhor situação. A nossa qualidade de serviço, que sabíamos que há três anos era um problema, melhorou substancialmente, e neste momento atrevo-me a dizer que o nosso atendimento é de excelência.
“Trabalham uma média mensal de 300 agências, ou seja, clientes que fizeram reservas durante aquele mês, evidentemente que isso espalha-se a 400, porque há agências que por vezes não fazem uma emissão connosco em determinado mês, fazem fora. Mas temos de ter em conta que há muitas agências dentro da GEA que são IATA, diria mais de 100, que no aéreo são muito independentes”
Dos 702 balcões, que penso que existem atualmente, tem ideia de quantos é que já trabalham com a TravelGEA com alguma frequência?
Trabalham uma média mensal de 300 agências, ou seja, clientes que fizeram reservas durante aquele mês, evidentemente que isso espalha-se a 400, porque há agências que por vezes não fazem uma emissão connosco em determinado mês, fazem fora. Mas temos de ter em conta que há muitas agências dentro da GEA que são IATA, diria mais de 100, que no aéreo são muito independentes.
Ainda temos espaço de crescimento dentro da GEA, não atingimos o nosso limite, bem pelo contrário, por isso há este trabalho a fazer. Nós somos exclusivos da GEA, portanto, é dentro deste universo que está o nosso crescimento e trazemos ali vantagens competitivas.
Quem é que faz a contratação do produto para a TravelGEA? É o grupo Newtour ou é mesmo a TravelGEA?
A maioria dos contratos vem de uma dinâmica de grupo, porque a Newtour integra todas as outras áreas de negócio, é maior do que a GEA, e a GEA integra o grupo. Portanto, a maioria dos contratos vem do grupo e são depois redistribuídos para todas as agências. Atualmente os nossos contratos são muito robustos precisamente devido a essa lógica de contratação do grupo que temos dentro de portas.
Existe sempre a lógica de compra massiva, e quanto maior é o volume de compras melhores são as condições que vai trazer, é nessa ótica que nós trabalhamos.
Aqui não se jogam comissões? Ou seja, a agência compra 10 ou 100 quartos por ano, a sua base não é a comissão, é o valor acrescentado que colocam sobre o produto, ou o seu ganho está nas comissões?
Isto é uma decisão de cada agência de viagem. A TravelGEA fornece vários serviços a preço net, ou seja, a agência vai pagar um preço net. Como a agência vende aquele produto – um bilhete aéreo ou um quarto de hotel, seja o que for -, a agência toma a decisão sobre qual é a taxa de serviço que coloca sobre a emissão, ou seja, o serviço que está a adicionar. No quarto de hotel nós temos um PVP recomendado, mas a agência coloca o valor que quiser em cima. Portanto, nós para a agência vendemos net, se a agência estiver a construir um pacote de viagens, é ela que vê qual é a margem com que vai comercializar aquele pacote de viagens. Nós não interferimos nisso, a agência tem completa liberdade.
No aéreo, se houver uma comissão da companhia aérea, nós repassamos na íntegra. Se houver segmentos, porque nem todos os canais de compra pagam segmentos, nós devolvemos à agência também, e se houver na produção da agência, dependendo da companhia aérea, nós também devolvemos uma parte do incentivo para a agência de viagens.
No caso da hotelaria, nós temos incentivos à produção, inclusivamente incentivos por ponto de venda, e se atingir um determinado valor de venda, tem um incentivo no superior no final do ano, como é lógico.
“Não está fora do nosso espectro que aumentemos o nível de formação que estamos a fornecer. Temos neste momento uma formação de utilização de plataformas, mas também temos muitas formações dadas pelas próprias companhias aéreas, que estamos a fomentar com várias companhias. Fazemos um plano anual de webinars de esclarecimento, que trabalhamos junto com as companhias aéreas para que tragam a informação mais relevante para o agente de viagens”
Hoje em dia, a reclamação é uma das práticas instituídas nos portugueses que viajam. Como é que na TravelGEA se resolve esse tipo de problema?
Nós somos fornecedores de serviço avulso, legalmente a nossa responsabilidade é mediante aquilo que o fornecedor também se dispuser a fazer de acordo com a lei. Evidentemente que acompanhamos cada uma das situações, mas as reclamações que podem advir hoje em dia são das companhias aéreas porque fazem muitos cancelamentos, muita realocação.
Aquilo que fazemos é tentar pressionar junto das companhias aéreas para que haja uma resposta atempada à nossa agência, por consequência ao cliente da agência de viagens, mas tudo aquilo que for de nossa responsabilidade nós estamos aqui para assumir.
Sabemos que muitas vezes, em alturas de crise, as companhias também estão cheias de trabalho e estão com muitas situações para responder, mas faz parte do nosso processo ajudar o nosso cliente que é a agência de viagens.
Vocês têm de desenvolver formação, online ou pessoal, para as agências de viagens. Como é que é feito esse acompanhamento?
Há uma coisa que nós temos estado a fazer e que foi uma mudança praticamente radical daquilo que acontecia até há três anos: tudo que é informação relevante de companhias aéreas que nos chega, por disrupção de voos, por um novo procedimento de emissão, etc., nós partilhamos de imediato nas intranets.
Portanto, o acesso à informação por parte dos nossos clientes, está a ser, diria ao minuto. O mercado de aviação é altamente volátil e estão a nascer sempre procedimentos novos, ou voos cancelados, ou uma operação nova que surge e, portanto, isso está a ser comunicado.
E, apesar de não ser exatamente a área deles, a equipa da comercial GEA também tenta ajudar às vezes em algumas situações, às vezes questões de configuração ou alguma situação de plataforma, e tentam resolver de imediato. Tentamos que a resposta seja o mais rápida possível nestas questões de formação.
Não está fora do nosso espectro que aumentemos o nível de formação que estamos a fornecer. Temos neste momento uma formação de utilização de plataformas, mas também temos muitas formações dadas pelas próprias companhias aéreas, que estamos a fomentar com várias companhias. Fazemos um plano anual de webinars de esclarecimento, que trabalhamos junto com as companhias aéreas para que tragam a informação mais relevante para o agente de viagens.
Em 2025 tivemos mais de uma centena de webinars só de aviação, em que trabalhámos isso, temos também algumas formações presenciais com as companhias aéreas, mas tentamos sempre fomentar isso junto da rede, durante todo o ano.
Quais são os objetivos que têm até ao final do ano?
Vou dividir os objetivos em três áreas. Há um objetivo claro de melhoria do que temos. Nós temos estas plataformas e vamos continuar nesta melhoria contínua porque, no caso da aviação, que é aquela que é mais volátil, há novidades todos os dias, e estamos a trabalhar para termos mais conectores, mais integração, mais conteúdo, melhor acessibilidade.
Estamos a trabalhar também na questão das novas plataformas – a dos comboios, em princípio, quando sair a entrevista, vai estar já disponível já. As outras três são plataformas de que nós já temos os protótipos, estamos a trabalhar em testes, estamos a fazer tudo para quando elas entrarem, entrarem em full.
Depois, estamos a trabalhar em acrescentar mais produtos. Tudo aquilo que seja produtos em que faça sentido haver produção própria, em que haja um benefício, nós temos uma contratação comum, uma contratação global, olharemos para eles com carinho.
Nós trabalhamos nestes três pilares. A qualidade, que com a finalização deste processo de estabilização dos procedimentos financeiros, vamos atingir – no caso do suporte operacional, já está, no caso do financeiro, vai ficar e o acompanhamento mais comercial também ficará. E depois estas duas questões de rentabilidade, naquilo que nós conseguimos devolver aos agentes de viagens, por conta de preço direto ou de rapéis ou de incentivos, e a questão de eficiência. Trabalhar com a TravelGEA tem de ser cada vez mais fácil, tem de ser uma coisa que faça o agente de viagens poupar tempo. Hoje em dia, o tempo é cada vez mais limitado, os recursos humanos são limitados e, portanto, é aí que nós nos focamos nestes três pilares.
Leia a 1ª parte da entrevista ao diretor operacional da TravelGEA, Ricardo Correia, aqui.


