Ricardo Correia diretor operacional da TravelGEA: “Nenhum outro consolidador devolve o dinheiro que nós devolvemos” (1ª Parte)
Nesta primeira parte da entrevista a Ricardo Correia, diretor operacional da TravelGEA, fala das novidades recentemente introduzidas, e a introduzir, nas várias plataformas, que vão passar a ser três, e do lançamento da Extranet da TravelGEA, “um portal financeiro” onde as agências vão poder “consultar tudo”, além de dar a conhecer novos produtos e serviços disponibilizados às agências.
A TravelGEA tem de ser “amiga”, digamos assim, dos utilizadores, neste caso dos agentes de viagens. Neste aspeto, como é que se podem definir as plataformas?
A resposta depende de qual é a plataforma de que estamos a falar, porque vamos passar a ter três. Estamos a trabalhar num daqueles pilares da TravelGEA que é a questão da eficiência.
O que é que nós temos em termos de eficiência dentro da plataforma? Na parte aérea, nós integramos dois GDSs, 20 NDCs diretos e dois agregadores de companhias low-cost. Logo aí, os agentes de viagens têm, num único sítio, uma série de canais de compra diferentes e, nos dias que correm, os preços podem ser substancialmente diferentes dependendo do canal de compras. Ora nós, num único sítio, conseguimos ter tudo com o mesmo processo de compra, com o mesmo processo de reserva, com tudo igual, independentemente do canal que esteja por trás.
Simultaneamente, nos últimos anos também investimos muito e permitimos reemissões automatizadas ou autónomas diretamente na plataforma, reembolsos também numa série de canais. Passámos a permitir a importação de reservas Galileo para dentro da plataforma, ou seja, as pessoas fazem o seu próprio GDS, carregam para dentro da plataforma e conseguem emitir por lá. Além disso, o processo da Amadeus está praticamente finalizado, passando a permitir também que as agências consigam fazer reservas em Amadeus e importar para dentro da plataforma.
Estamos a trabalhar nesta fase numa Extranet da TravelGEA, que basicamente vai permitir que o controle de saldo, o acesso às faturas, o acesso às emissões, o acesso a relatórios sobre todos os bilhetes emitidos, remitidos e os reembolsos, sejam consultados pela agência em qualquer altura. Cada vez mais estamos a transformar-nos numa plataforma muito amiga do agente de viagens, inclusivamente na forma como ele lê as regras tarifárias, na forma como é disponibilizada a informação.
E na plataforma hoteleira?
No caso da plataforma hoteleira, aquilo que nós fizemos foi transformá-la numa plataforma que permite a pesquisa por cidade, por hotel, por ponto geográfico, com ‘X’ distância de qualquer ponto que apareça no Google Maps e que simultaneamente permita ao agente de viagens conseguir, por exemplo, mostrar o ecrã ao cliente sem qualquer receio de estar lá algum tipo de informação que não deva ser passada para o cliente.
O facto de eles poderem fazer ali a reserva, de terem o controle todo na plataforma, faz delas plataformas muito amigas dos agentes de viagens e cada vez mais trabalhamos para transformá-las com o maior número de informação de que o agente de viagens necessita.
“Os nossos pilares em termos de trabalho são a rentabilidade, a eficiência e a qualidade de atendimento. No caso do que falamos aqui, de a plataforma ser amiga do agente de viagens, cai efetivamente neste ponto da eficiência, o agente de viagens conseguir fazer as reservas, quer de hotelaria, quer de aviação, o mais depressa possível e com o menos esforço possível”
Quais são os outros pilares da TravelGEA?
Os nossos pilares em termos de trabalho são a rentabilidade, a eficiência e a qualidade de atendimento. No caso do que falamos aqui, de a plataforma ser amiga do agente de viagens, cai efetivamente neste ponto da eficiência, o agente de viagens conseguir fazer as reservas, quer de hotelaria, quer de aviação, o mais depressa possível e com o menos esforço possível.
Uma coisa que também está feita no aéreo e, curiosamente, também na parte hoteleira, são as integrações com os principais ERPs de agências de viagens, quer o SIGAV, quer a Optitravel, em que basicamente o agente de viagens consegue puxar a reserva, seja aérea, seja de hotelaria, para dentro do seu sistema, e preenche os dados todos automaticamente. Tudo aquilo que nós consigamos fazer dentro da medida do possível que ajude o agente de viagens a ser mais eficiente, as nossas plataformas estão a ser trabalhadas para isso.
Quando se fala de plataformas tecnológicas entende-se que “estão sempre em obras”, ou seja, sempre com melhorias. Queria que me enunciasse algumas das novidades mais recentes que têm e aquelas que estão a ser trabalhadas?
No caso da plataforma de aviação, as mais recentes foram permitir fazer reembolsos de uma forma autónoma, que já eram permitidos numa série de canais, nomeadamente em praticamente todos os NDCs e no Amadeus, e nós fizemos o desenvolvimento que permitiu as reemissões em Galileo. Fizemos agora também este desenvolvimento tecnológico da Extranet, em que basicamente a agência de viagens, autonomamente, consegue consultar tudo o que é a questão financeira do seu relacionamento com a TravelGEA – uma novidade que, quando a entrevista for para a rua, já teremos lançado.
Trata-se de um portal de cliente financeiro, mas não só, porque vai dar acesso também a relatórios de produção, e a grande vantagem é que os agentes de viagens clicam, entram e têm acesso à informação sempre que quiserem, e qualquer dúvida que tenham sobre faturas vão lá e conseguem tira-las.
A última novidade foi a importações das reservas. Há agentes de viagens que querem continuar a fazer a reserva no seu próprio GDS, mas depois a emissão, em vez de ser enviada por email, o agente de viagens, autonomamente, pega na sua reserva, coloca-a na plataforma e emite-a através da plataforma, sem necessidade de uma intervenção da equipa de suporte da TravelGEA.
Essas foram as novidades mais recentes. E agora, o que é que pode vir aí?
Em termos de eficiência, estamos sempre a melhorar performances, e na hotelaria essa foi uma área que nós trabalhámos muito, e continuamos a trabalhar, para que os tempos de resposta sejam muito melhores e a estabilidade das conexões. A tecnologia veio trazer muito isso, ou seja, nós neste momento não nos conectamos meramente a um único sítio, no caso da hotelaria, estamos conectados a 11 agregadores diferentes, no caso da aviação, estamos a falar de 24 canais de compra diferentes que estão ali disponíveis, e portanto, a estabilidade de todas estas conexões e dos tempos de resposta é uma coisa que temos vindo a melhorar muito.
No caso da plataforma aérea, uma das áreas que estamos a trabalhar é a integração de novos conectores, vamos ter mais conectores ligados durante este ano de 2026, no caso da hotelaria, nós já conectámos alguns sendo que as grandes novidades foram as conexões com a TBO e a CVC, que é o maior operador brasileiro. Estas conexões já estão a funcionar, estamos a melhorar muito os tempos de resposta e estamos a trabalhar em duas ou três áreas, nomeadamente na orçamentação, onde nós achamos que ainda podemos melhorar. Portanto, estas são as duas grandes melhorias que eventualmente virão durante o ano de 2026.
“O NDC veio trazer muito mais produto e tarifas muito mais vantajosas para o agente de viagens. Aquilo que nós sentimos e que nós quisemos com a plataforma foi tornar irrelevante para o agente de viagens, em termos do procedimento do seu processo, fazer a reserva num GDS, ou em qualquer um dos NDC, ou mesmo nas low-cost, porque o procedimento e o processo é exatamente igual”
No aéreo, há algumas incompatibilidades com o NDC?
Neste momento não. Evidentemente que o NDC traz desafios de manutenção da estabilidade da conexão, porque às vezes há alterações tecnológicas que são feitas e temos que nos adaptar muito rapidamente, mas não temos tido nenhum problema anómalo. Aliás, nos GDSs também pode haver problemas de sincronização e são resolvidos de igual forma, mas no NDC não temos tido nenhum problema que não tenhamos tido em GDS.
O NDC veio trazer mais produto?
O NDC veio trazer muito mais produto e tarifas muito mais vantajosas para o agente de viagens. Aquilo que nós sentimos e que nós quisemos com a plataforma foi tornar irrelevante para o agente de viagens, em termos do procedimento do seu processo, fazer a reserva num GDS, ou em qualquer um dos NDC, ou mesmo nas low-cost, porque o procedimento e o processo é exatamente igual. A informação que vê está toda disponível independentemente do canal, pelo que a grande vantagem em termos de facilidade de utilização da plataforma é que, habituando-se àquela plataforma, é irrelevante o canal onde está a fazer a compra.
Já se falou, penso que numa última conferência da GEA, de uma plataforma para as reservas nos comboios. Vai ser lançada este ano?
Não a lançámos ainda por decisão interna porque a guerra no Médio Oriente teve um impacto muito grande no aéreo, tivemos as equipas a trabalhar até à meia noite a fazer remissões, proteções de clientes, e a introdução de uma nova plataforma no nosso ecossistema iria tirar um pouco o foco.
Neste momento foi lançada a formação já nas nossas intranets, ou seja, as equipas já têm acesso à formação a essa plataforma de comboios, estamos só a fechar com o fornecedor porque queríamos que estivesse presente na formação inicial do primeiro webinar a ser dado às nossas agências, e a plataforma será lançada logo a seguir a esse webinar. Neste momento prevejo que no máximo até ao início de julho os agentes de viagens terão essa plataforma nas mãos para poderem utilizar.
É uma plataforma que nesta primeira fase incidirá na compra de comboios na Europa e assim que tivermos mais novidades, informaremos.
“(…) temos custos de emissão muito competitivos com aquilo que é de mercado, mas somos o consolidador que devolve 100% das comissões, que devolve os segmentos e que também paga um percentual daquilo que recebe de incentivos das companhias aéreas. Nenhum outro consolidador devolve o dinheiro que nós devolvemos e temos um modelo de custo de emissão extremamente competitivo”
As plataformas da TravelGEA possibilitam que o agente de viagens ganhe tempo e ganhe mais autonomia. E como é que pode ganhar mais dinheiro?
Aí já estamos a falar em duas vertentes. Uma que vem do próprio canal de compra, porque como é sabido, hoje em dia há muitas companhias aéreas que estão a aplicar aquilo que eles chamam de distribution recovery cost, que são basicamente os custos que eles aplicam ao seu inventário que é disponibilizado em GDS e, portanto, como o NDC vai ter acesso a tarifas muito mais competitivas do que tem em termos de GDS, esse é o caminho que inúmeras companhias aéreas já adotaram e cada vez mais nós sentimos isso a acontecer.
Por outro lado, o próprio modelo de emissão da TravelGEA, que é exclusivo das agências GEA, tem a melhor competitividade do mercado neste momento, temos custos de emissão muito competitivos com aquilo que é de mercado, mas somos o consolidador que devolve 100% das comissões, que devolve os segmentos e que também paga um percentual daquilo que recebe de incentivos das companhias aéreas. Nenhum outro consolidador devolve o dinheiro que nós devolvemos e temos um modelo de custo de emissão extremamente competitivo.
As agências procuram cada vez mais a rentabilidade e aí tendem a construir pacotes à medida dos desejos do seu cliente. Este é um instrumento base que podem usar para a construção desses pacotes?
Sim, esta combinação de vários serviços avulso é aquilo que vai permitir às agências criarem o seu próprio pacote. A TravelGEA tem estado muito focada nisso, em trazermos mais serviços turísticos para que as agências tenham um sítio que está dedicado a elas e que por ser parte daquilo a que antigamente chamaríamos de um consolidador aéreo – hoje em dia nós consideramo-nos muito mais como um fornecedor de produto exclusivo da GEA -, estamos a fornecer muitos serviços exclusivos à GEA com rentabilidades maiores do que aquilo que será o mercado. Evidentemente que a agência de viagens, tendo acesso a esta panóplia de serviços avulso, pode construir o seu pacote de viagens.
Evidentemente que pode fazer tiketing puro, pode fazer venda de hotel puro, pode fazer venda do bilhete de comboio puro e outros serviços que estamos a adicionar até ao final do ano, mas eu acho que a grande competitividade estará nessa construção.
E quais serão os outros serviços?
O que nós já transmitimos até à data, foi que iríamos lançar transferes, rent-a-car e atividades, tudo integrado no nosso portfólio de produtos, e que as agências, a partir daí, poderão construir o seu pacote com mais adicionais.
Como eu também já tive a oportunidade de referir várias vezes, é neste ancillary que nós conseguimos acrescentar a um pacote, que vamos estar a fazer uma diferenciação do produto que é oferecido ao cliente. É uma diferenciação que existe também em termos da qualidade de serviço que é prestado ao cliente e, simultaneamente, é mais uma fonte de rentabilidade para a agência de viagens.
Na segunda parte da entrevista com Ricardo Correia, a publicar amanhã pode ler:
- A utilização que as agências de viagens da GEA fazem das plataformas da TravelGEA
- As reclamações dos clientes e o papel da TravelGEA
- As novidades que as agências de viagens podem esperar até ao final do ano



Não consigo explicar o que sinto ao ler esta entrevista.
Parabéns é pouco, não tenho palavras de agradecimento e de orgulho para Ricardo Correia, a não ser que o meu orgulho é demasiado.