Relatório da AM de Lisboa propõe estratégia para descentralizar o turismo na cidade e mitigar pressão turística nos bairros históricos
Descentralizar o turismo da cidade para zonas menos conhecidas, diminuindo a pressão no centro histórico, criação de um Conselho Municipal do Turismo, reorganização do calendário de eventos e avaliar a evolução do alojamento local, são apenas algumas das propostas da Assembleia Municipal de Lisboa, no documento “Cidade Menos Visitada”.
“Cidade menos visitada – estratégias de desconcentração da pressão turística e mitigação dos seus impactos em Lisboa”, dá tema ao relatório da 2.ª Comissão Permanente de Economia, Inovação e Turismo da Assembleia Municipal de Lisboa, debatido esta terça-feira em reunião de Câmara. Na base do relatório, de que saíram várias conclusões e recomendações dirigidas à Câmara Municipal, estão cerca de duas dezenas de audições realizadas com agentes locais, incluindo entidades associativas do setor e a Associação Turismo de Lisboa.
O relatório, com mais de 100 páginas, começa por defender que não há turismo a mais em Lisboa mas que está mal distribuído pela cidade: “Lisboa não tem excesso de turismo como alguns vão dizendo, tem sim turismo mal distribuído pela cidade, desregulado, centrando-se nas zonas mais conhecidas como Belém, Santa Maria Maior, Bairro Alto, Baixa Chiado, Alfama, Mouraria e Castelo”, lê-se no documento que pode ser consultado no site da AM Lisboa, em https://www.am-lisboa.pt/302500/1/026876,000700/index.htm .
Face a esta ideia, a AM de Lisboa defendeu a descentralização dos fluxos turísticos para zonas menos conhecidas e menos óbvias: “Lisboa tem zonas com grande potencial turístico fora do centro, como Marvila, Beato, Ajuda, Olivais, entre outras”, lê-se no documento, onde se afirma, no entanto que, “se queremos visitar a cidade menos visitada, a sua divulgação terá de preceder a visita, em articulação com atores responsáveis pela hotelaria e pelo alojamento local”.
O documento, que tem como objetivo servir de ponto de partida para que a capital desenvolva “um planeamento de descentralização turística, pensado para integrar novas zonas numa estratégia de turismo sustentável”, conclui que as sinaléticas da cidade são “obsoletas, pouco sequencias e sem eixos estratégicos claros que conduzam o visitante”, além de ser insuficiente quanto a roteiros turísticos na cidade.
Por outro lado, aponta “uma flagrante falta de cooperação” entre os vários atores e intervenientes na área do turismo e a falta de um estudo sobre a carga turística na capital, além de criticar a “deficiente cobertura de transportes públicos” que “condiciona a visitação de alguns equipamentos culturais e monumentos”.
Neste sentido, o relatório recomenda à Câmara a criação de uma aplicação própria para descentralizar o turismo e diminuir a pressão no centro histórico, e propõe a revisão dos procedimentos de aplicação e distribuição da Taxa Municipal Turística de Dormida, para aumentar a transparência dos investimentos feitos.
Entre as propostas apresentadas está, também, a criação de “eixos temáticos” e “eixos estratégicos” que liguem áreas com potencial ainda pouco explorado, caso do “Eixo Ajuda-Belém”.
Descentralizar os eventos em termos da época do ano é outra das ideias deixadas pelo relatório critica a sua concentração no mês de junho, especialmente no centro histórico, durante as festas populares, propondo, por isso, a reorganização do calendário de eventos.
Alojamento Local, Aeroporto e Conselho Municipal do Turismo
O relatório recomenda, igualmente, a avaliação da evolução do alojamento local, integrando-o numa estratégia que promova a desconcentração e descentralização do número de dormidas nas freguesias consideradas críticas. É também recomendado o cancelamento de licenças de alojamento local inativas, para avaliar de forma mais precisa a verdadeira dimensão do seu impacto no mercado habitacional.
Outra das recomendações passa pela definição de uma estratégia de mitigação dos constrangimentos da capacidade do Aeroporto Humberto Delgado, equacionando, no contexto da construção do novo aeroporto, a criação de uma tarifa única de viagem entre a cidade e o futuro aeroporto.
De salientar ainda que o relatório recomenda a criação de um Conselho Municipal do Turismo, para reunir os diversos intervenientes do setor, públicos e privados, bem como forças de segurança, empresas de transporte e juntas de freguesia, no sentido de “coordenar políticas, antecipar problemas e garantir uma abordagem integrada”, acabando com a falta de colaboração que o documento critica.


