Reconfiguração dos fluxos turísticos devido à guerra no Médio Oriente pode ser positiva para o turismo nacional em 2026
Esta é uma das conclusões da última edição do Barómetro do Turismo do IPDT que, entre outras questões, avalia o impacto de um eventual agravamento das tensões geopolíticas no Médio Oriente. Apesar do clima de incerteza, o índice de confiança do setor mantém-se elevado.
À pergunta “O agravamento das tensões geopolíticas no Médio Oriente irá afetar os fluxos turísticos internacionais?” a quase totalidade do painel de especialistas que respondeu ao inquérito do IPDT apontou para um cenário de reconfiguração da procura à escala global, com 94% dos respondentes a anteciparem impacto.
Segundo o IPDT, as opiniões expressas apontam para um “redireccionamento dos fluxos turísticos para destinos considerados mais seguros, nomeadamente na Europa Ocidental”. Neste contexto, Portugal poderá ser um dos beneficiários por ser considerado um “destino estável”, estar fora das zonas de tensão, e ter capacidade para captar e acomodar parte da procura desviada.
Tendo em conta esta possibilidade de redireccionamento para Portugal de parte dos fluxos turísticos que iriam para outros destinos mais próximos do conflito ou considerados menos seguros, 64% dos respondentes antecipa “um melhor desempenho”, enquanto os restantes 36% têm opinião contrária, refletindo preocupações associadas à incerteza económica global, ao poder de compra dos turistas e à evolução do contexto geopolítico ao longo do ano.
De acordo com o IPDT, os efeitos positivos poderão estender-se a “segmentos específicos” como o turismo de maior poder de compra e os eventos internacionais, tradicionalmente associados a geografias atualmente mais instáveis”
“Os resultados apontam para um efeito predominantemente positivo, mas dependente da evolução do contexto internacional, em que o desempenho do turismo nacional poderá beneficiar de fatores externos, mais do que de dinâmicas internas estruturais”, conclui o IPDT.
Os resultados evidenciam um setor que mantém níveis elevados de confiança e estabilidade na procura, mas que enfrenta um contexto mais exigente, marcado por maior incerteza internacional e por uma crescente necessidade de adaptação estratégica.
Confiança mantém-se elevada, com sinais de maior prudência
Os resultados desta edição do Barómetro do IPDT confirmam que o setor do turismo em Portugal mantém “uma base sólida de confiança”, ainda que com sinais de maior prudência face à evolução do contexto internacional.
Assim, analisando as respostas do painel, o IPDT conclui que o nível de confiança continua elevado, tendo-se fixado nos 80,6 pontos, o que no entanto configura um recuo face aos 83,2%.
Na análise pode ler-se que os fatores externos estão agora a assumir maior relevo na avaliação do setor, com destaque para a instabilidade geopolítica, o aumento dos custos energéticos e a pressão inflacionista, o que agrava a incerteza.
O IPDT realça ainda que as “alterações climáticas emergem como preocupação estrutural, com fenómenos extremos (como a tempestade Kristin) a evidenciar a necessidade de integrar a gestão de risco climático na operação turística”, e assinala que apesar do crescimento sustentado do turismo em Portugal, o atual contexto exige maior capacidade de adaptação e antecipação de risco”.


