Raquel Trindade: “É impossível fazer umas boas férias na Maurícia por menos de três mil euros por pessoa”
Diretora de contratação de produto, private, turismo religioso e turismo cultural na Wamos Portugal, Raquel Trindade integrou o grupo convidado pela Travelplan, operador turístico do Grupo Ávoris, a visitar a Maurícia. Em conversa com o Turisver, falou das suas impressões sobre o destino que considera fazer sentido vender, principalmente no nosso inverno, e da sua oferta hoteleira.
Onde é que este destino (Maurícia) se enquadra, dentro dos vários conceitos que trabalha na Wamos?
Penso que se enquadra muito no private porque não é um destino de massas, é um destino muito focado em alguns segmentos do mercado, nomeadamente golf, kitesurf, e um turismo premium: tem bons hotéis, bom serviço, boa gastronomia, é um destino caro, mas é um destino que, por ter essa oferta toda faz sentido vender, nomeadamente no nosso inverno, época em que é verão na Maurícia.
Esse é um ponto interessante, porque na altura em que mais portugueses têm férias, é inverno na Maurícia. É um destino que tem que ser muito bem explicado ao cliente, ou seja, tem que se dizer o que ele vai encontrar nesta época do ano?
Sim, penso que é um destino que tem que se saber vender, acho que é o destino ideal para se vender em época de Natal, fim de ano, Páscoa… Fora disso, no nosso verão, tem que se vender com muito cuidado, o cliente tem que ter as expectativas adequadas àquilo que vai encontrar.
É um destino muito ventoso, que tem um clima ideal para o golfe, para o kitesurf também, e para a praia, mas acho que é muito importante, quando se vende a Maurícia, vender-se um hotel com uma boa praia e uma boa oferta gastronómica, que é fundamental neste destino e acho que é aquilo que os portugueses valorizam.
Na famtrip da Travelplan visitámos vários hotéis. Pedia que me salientasse três unidades hoteleiras, ou pelo conceito, ou pela qualidade, ou pela sua gastronomia.
O Trou aux Biches, mais tradicional mas que se enquadra perfeitamente no tipo de hotel que o cliente português gosta, o Sugar Beach que é ligeiramente mais barato e que tem uma praia fantástica, e o Constance Belle Mar, que é uma cadeia muito conhecida e muito procurada pelos portugueses e que dá um bom serviço. Todos estes hotéis são muito bons, são 5 estrelas, apesar de o hotel ‘top’ das Maurícias, que é o Constance Prince Maurice, um 5 estrelas superior, ser considerado um dos melhores hotéis do mundo, tal como o One and Only Saint Geraint – são dois dos melhores hotéis do mundo, e estão aqui na Maurícia, apesar de não os termos visitado. Há muitos clientes que procuram isso, pelo golfe, pelo tipo de serviço, pela praia e pela qualidade do hotel.
Pelos passeios que demos, como é que descreve este destino? Só praia ou também cultural?
É um destino de praia, de descanso e tranquilidade, muito mais do que um destino cultural. Apesar da diversidade de culturas que existe na Maurícia, não tem um peso cultural como aquele que faria sentido se estivéssemos a falar num destino como o Sri Lanka, por exemplo.
O apelo aqui é o mar, por ser oceano Índico?
Estando no inverno, obviamente que para nós, portugueses, o mar não tem uma temperatura ideal, mas tem as cores do Índico, acho que no nosso inverno, ou seja, no verão da Maurícia, faz todo o sentido, porque obviamente a água vai estar mais quente e as cores do Índico são únicas. Agora, como disse, se não houver um bom hotel, com uma boa praia, e no inverno deles, não faz sentido procurar a Maurícia e pagar aquilo que se paga para chegar ao destino.
“Acho que nós não temos mercado para um charter porque percebo a dificuldade de vender este destino, que não é um destino de massas e, portanto, é um destino caro. É um destino que vale a pena no nosso inverno, mas acho que no nosso verão é um destino que acaba por ser muito caro”
A Travelplan fez uma tentativa para fazer um charter de verão de Lisboa para a Maurícia. Pela conversa que temos estado a ter, não me parece que tenha a perspetiva de que isso possa vir a acontecer?
Não, acho que nós não temos mercado para um charter porque percebo a dificuldade de vender este destino, que não é um destino de massas e, portanto, é um destino caro. É um destino que vale a pena no nosso inverno, mas acho que no nosso verão é um destino que acaba por ser muito caro.
É uma alternativa aos destinos que hoje em dia são muito vendidos e que os portugueses já conhecem muito bem, mas depois acaba por ser um bocadinho frustrante chegar aqui e ter um destino mais ventoso ou com temperaturas que andam à roda dos 23, 24, 25 graus, como acontece na época de inverno da Maurícia, que é o nosso verão.
Não se sente a África na Maurícia, quem vem à espera disso…
De facto não se sente África e a noção que eu tive agora foi exatamente a mesma que tive há 28 anos, que a Maurícia é um destino muito pobre a nível de interior, mas que tem muitos hotéis que são bem construídos e com qualidade. Na altura eu fiz Maurícia e Seychelles e achei as Seychelles um destino muito mais bonito a nível de natureza e que os hotéis, na altura, hoje já não, também eram mais sofisticados.
A Maurícia, ao ter poucas cadeias hoteleiras internacionais, poderá perder impacto junto a alguns clientes em Portugal?
A Maurícia tem muitas cadeias internacionais, tem a Saint Regis, a One and Only, os Constance, a Banyan Tree…, tem muitas cadeias hoteleiras. Tem muitos hotéis muito virados para o golfe, muito virados para um turismo luxuoso. Depois há os outros hotéis, que também têm qualidade, mas acho que é impossível fazer umas boas férias nas Maurícias por menos de 3.000 euros por pessoa, num bom hotel.




Seria uma excelente ideia realizar viagens charters Lisboa/Maurícias durante os períodos de Páscoa, Natal e Ano Novo.
Este ano houve interesse e intenção de 2 casais efectuarem essa viagem durante os meses anunciados por uma agência (Julho, Agosto e Setembro) e com voo directo.
Uns meses após a sinalização, houve indicação que havia alteração dos dias de partida e chegada, além de ter que fazer escala em Madrid. Desilusão!! Desistiu-se…
Através de uma determinada agência, 2 casais inscreveram-se para as Mauricias para uma estadia de tempo entre a partida de Lisboa e a chegada a Port Louis de 16 noites em resort 5 estrelas Adult only all inclusive, com garantia de voo directo ida e volta de Lisboa. Depois de se dar o respectivo sinal, eis a decepção: partida de Lisboa com escala em Madrid… o que implica um aumento consideravel de tempo entre partida de Lisboa e chegada a Port Louis e menor desfrute do destino; pior ainda, o regresso, com escala e pernoita em Madrid, mais uma noite retirada ao pacote de 16 noites! Claro que desistimos, sentimo-nos tratados como seres menores! Autonomia nacional requere-se! É caso para dizer: as empresas do sector que se organizem! O destino é um must e com uma beleza natural pouco divulgada! Até parece que a alternativa seriam apenas as Maldivas!
É possível explorar a Maurícia com espírito de aventura. Ficar num hotel só com pequeno almoço, apanhar um bus dos anos 50 com cobrador 😄 e visitas com guia local. Uma das viagens da minha vida.
Não é verdade que se tenha de pagar 3000 euros por pessoa para fazer férias nas Maurícias. Estivemos uma experiência absolutamente fantástica em Julho do ano passado,tufo incluído num hotel da cadeia Riu, com voo direto de Madrid. Uma semana inteira, ficou no total por 3300 euros. TUDO, não foi 3300 euros por pessoa. Para mim, a zona do hotel é a melhor das Maurícias. Le Morne, com paisagem de cortar a respiração e uma praia que está virada para leste, sul e também Oeste. Sair de carro, focar em Espanha em Ávila, seguir depois até Madrid, voo direto 10 horas e meia . Alugámos carro no hotel por 65 euros um dia, seguros incluídos, passeámos por Flic Flac, Chamarel, Port Louis, demos um passeio até às praias do leste da ilha e até ao aeroporto e toda a costa Sul. Ainda reservámos uma excursão de um dia ao norte para visitar parques naturais e plantações antigas de produção de rum. Água sempre quente, temperaturas de 26, 27 graus, e um hotel renovado recentemente. Que os preços este ano aumentaram, é verdade, mas jamais para 6000 euros ou SÓ por 6000 euros se pode visitar as Maurícias.
O custo de umas férias nas Maurícias depende de muitos factores, entre os quais a maneira da querer viver experiências unicas . Hoje consegue-se um aller/retour à 1000 euros. Aluguer de carro por 7 dias 200 euros alojamento 210 E alimentação 140 E combustível 100 E
Por deux personnes ça revient à 2000 +200 + 210 + 280 +100 = 2790 l’equivalente a 1395 Euros por pessoa para uma semana de férias de sonho. Em contacto com a Natureza e um Povo arco iris merveilleux.. E sei de que falo porque vivo aqui ́há 15 anos
É possível visitar a ilha, alugar o carro e ir a descoberta de praias lindas. Descubrir as diversas cascatas. Nadar com cachalotes e golfinhos… foi a melhor experiencia da minha vida. Ficar allojado em airbnb o boutique hotel na 1 linha de mar. E juro que não precisam de gastar 3000€.
Se tens a mente aberta descobre a cultura, que é uma mistura de Indianos, Africanos e Chineses. Um povo mt amigável e super educados.