Quinta da Meia Eira no Faial: Onde o turismo e a agricultura se cruzam
Susana Sebastião e Francisco Ribeiro são os proprietários da Quinta da Meia Eira, na freguesia de Castelo Branco, na ilha do Faial, nos Açores. Ela dos arredores de Lisboa, ele nascido na ilha, ambos engenheiros agrónomos e um projeto comum: um agroturismo, onde “Turismo e Agricultura se entrecruzam, na busca da identidade, do belo e da natureza, e da nossa vontade de viver nos Açores”.
Integrada numa área agrícola com seis hectares, a Quinta da Meia Eira começou a ser projetada na cabeça dos nossos anfitriões em 1997, ano em que decidiram regressar ao Faial: “Estudávamos e trabalhávamos em Lisboa, mas a dada altura pensámos em vir viver para aqui, e pensámos que no nosso projeto deveria haver uma componente que nos desse algum sustento. Foi então que comprámos as duas casas e uns terrenos agrícolas, que serviam de pastagem ao gado bovino e à produção de milho”, explica ao Turisver Francisco Ribeiro.




A verdade é que o projeto não avançou de imediato, o sismo que se fez sentir no Faial em 1998, danificou várias habitações: “Foi um revés naquela altura”, lamenta Francisco, acrescentando que foram necessários cinco anos “para terminarmos todo o processo”.
Em janeiro de 2003 Susana e Francisco abriam assim a Quinta da Meia Eira e os terrenos agrícolas transformaram-se aos poucos em grandes áreas de horta, pomar e um agrojardim, certificado em modo de produção biológico pelos padrões da União Europeia, onde integram conceitos de agrofloresta e de permacultura.
“Neste processo lento de transformação da nossa agricultura plantámos mais de 3000 árvores e arbustos. Muitas destas estão em forma de cortinas de abrigo contra o vento e o sal que aqui chega por vezes forte”, refere ainda o engenheiro agrónomo, revelando que “estas zonas constituem igualmente importantes locais de alimentação, proteção e nidificação de aves e insetos, que contribuem de forma decisiva para o equilíbrio ecológico e a biodiversidade”.
A ética na produção de alimentos e a ideia da autossuficiência alimentar são valores importantes para Susana e Francisco, daí reforçarem a ideia de que produzam “alimentos sãos, de forma sã. É disto que nos alimentamos e que partilhamos com quem nos visita”.


E são alguns destes produtos que chegam à mesa dos hóspedes aquando do pequeno-almoço, incluído na estadia. Desde compotas caseiras, passando pelo mel também ali produzido, os ovos, fruta, tudo tem o carimbo dos produtos açorianos.
Antes da pandemia, diz-nos Francisco Ribeiro também serviam jantares, mas ainda não foram retomados.
Os hóspedes podem também experienciar as lides da terra, mas o nosso anfitrião assegura que nem sempre isso acontece, até porque, segundo o mesmo a estadia média na ilha do Faial é de três noites: “Ficamos no Grupo Central do arquipélago e somos uma ilha pequena, logo os visitantes acabam por ficar pouco tempo e se vão dar um passeio e fazer whalewhatching, não resta muito para fazerem outras atividades. Isto afeta toda a economia ligada aos serviços, como os guias, por exemplo”.
Os quartos e os apartamentos
Licenciada como Agroturismo, a Quinta da Meia Eira dista a 10 quilómetros da cidade da Horta, e fica muito perto do aeroporto. Afastada da estrada principal e localizada em plena Reserva Agrícola, em frente ao mar, esta unidade de alojamento é um bálsamo para os olhos, “escondendo” pequenos recantos por toda a propriedade, onde o mais provável é que o visitante se “deixe perder” em tamanha quietude e beleza.
Com seis quartos twins e duplos, cada um deles inspirados na atmosfera da casa açoriana, mas reinventada para a vida de hoje, a Quinta da Meia Eira disponibiliza ainda dois apartamentos com tipologia T1, com um quarto e kitchenette, pensados essencialmente para quem pretende ter estadias mais prolongadas. Também aqui o pequeno-almoço está incluído.



Segundo Susana e Francisco, para mobiliário e decoração dos quartos e das casas, “optámos pela recuperação de peças e madeiras antigas, valorizando o nosso património tradicional e evitando a construção de novo mobiliário e o seu transporte. Criámos com isso uma linguagem única de design e decoração. O nosso mobiliário de exterior é igualmente de madeira, de modo a podermos conservá-lo todos os anos e evitar o uso de plástico. Privilegiámos soluções arquitetónicas com iluminação natural dos quartos e espaços comuns, bem como soluções de arejamento, aquecimento e bem-estar”. Tudo pensado para dar resposta à sustentabilidade, palavra tão acarinhada naquele arquipélago.



A Quinta dispõe ainda de uma piscina coberta com manga deslizante e cobertura exterior e “a água totalmente aquecida através do sol, com recurso a um projeto experimental baseado no princípio do efeito de estufa”, conforme se pode ler nas suas características.
Já no que diz respeito à proveniência dos hóspedes desta Quinta, que é também representada pelas Casas Açorianas, são a Alemanha e a Suíça os principais emissores. Já os turistas nacionais apenas representam “dois por cento dos nossos hóspedes”, avança Francisco.
Experiências na quinta e fora dela
Aqui as experiências são variadas e se pretender fazer uma “Visita à Quinta e Degustação de Produtos Biológicos” é possível. Com duração de 1h30 a 2h00, este passeio pode ser feito por um mínimo de duas pessoas e no máximo oito pessoas. Depois de um briefing acerca da agricultura nos Açores e do que se tem feito na Quinta da Meia Eira ao longo dos anos, são explicadas as plantas ali existentes, havendo depois uma prova de produtos, como mel, compotas, curtumes e infusões. Tem o preço de 25€ por pessoa e as crianças até 12 anos não pagam.

“Venha ver como vivem as abelhas” é a outra experiência disponível. Aqui o visitante é convidado a vestir o fato de apicultor e abrir uma colmeia. Durante o processo é explicado como vivem as abelhas, terminando com uma degustação de mel. O tempo de duração é o mesmo que a experiência anterior, assim como o preço.
Fora de portas, há muito para visitar no Faial e os trilhos podem ser uma das opções. Se for esse o caso, a Quinta da Meia Eira pode preparar o lanche para o visitante levar, mediante encomenda.
Visitar a Caldeira do Faial, na freguesia dos Cedros, é uma das possibilidades que não se pode mesmo perder. Com cerca de dois quilómetros em diâmetro, a Caldeira formou-se através de várias erupções, intercaladas com períodos de acalmia, ao longo dos últimos 400 mil anos. Pode iniciar a visita no miradouro da Caldeira, atravessando o pequeno túnel existente de acesso à cratera. Pode também optar por fazer um trilho à volta da mesma.



Não menos impressionante é o Vulcão dos Capelinhos, que teve origem no mar e que esteve em atividade entre 1957 e 58, dando origem a violentas explosões. A lava expelida acabou por se acumular formando uma pequena península que se juntou à ilha do Faial. É possível ficar a conhecer mais sobre a sua história numa visita ao Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos.
A Marina da Horta, local onde chegam veleiros provenientes de todos os cantos do mundo é ponto de atração turística, muito por causa das pinturas deixadas pelos marinheiros que por ali passam. E já que por ali está, aproveite para beber o famoso gin tónico no bar do Peter. Mas há muito mais para descobrir…
Contacto:
Quinta da Meia Eira
Rua dos Inocentes, 1
Castelo Branco, 9900-323 Horta
Ilha do Faial, Açores
info@meiaeira.com
Telem.: +351 965 435 925
Preços: Quarto – 72€ por noite
Apartamento – 90€ por noite


