Quinta da Magnólia: O charme fala de São Jorge
O silêncio, o verde da paisagem, a ilha do Pico no horizonte e o chilrear dos pássaros como banda sonora são os ingredientes principais neste alojamento turístico na costa sul de São Jorge, a quarta maior ilha do arquipélago dos Açores. Chama-se Quinta da Magnólia, fica na Urzelina e abriu portas a 30 de junho de 2018, mas a aventura começou em 2007, quando Pedro Fernandes e a mãe Lúcia decidiram investir na compra deste terreno.
“Quando adquirimos o terreno e a pequena habitação familiar que nele existia, pertença de uma senhora que estava emigrada nos Estados Unidos da América, não tínhamos ideia nenhuma do que iriamos ali fazer”, conta ao Turisver, o jovem proprietário da Quinta da Magnólia.




Licenciado em Engenharia Mecânica, na Universidade do Algarve, Pedro Fernandes, de 31 anos, acabou por enveredar pelo turismo: “Comecei por me dedicar ao alojamento local, numa pequena habitação com três quartos e a partir daí pensámos que o melhor destino para o terreno que tínhamos comprado, seria investir em algo maior no ramo do turismo”.
Volvidos 8 anos desde a aquisição da Quinta da Magnólia e aproveitando o apoio dado por parte do Governo para o desenvolvimento deste tipo de turismo, Pedro Fernandes e a mãe decidem apostar num projeto diferenciador, “uma espécie de hotel de charme”, com caraterísticas únicas e diferenciadoras na oferta hoteleira da ilha.
E assim aconteceu, com a ajuda de um arquiteto fizeram nascer este alojamento turístico em espaço rural, como é designado e que integra as Casas Açorianas. Da casa principal mantiveram as fachadas com mais de 100 anos, em basalto, tudo o resto foi pensado por mãe e filho.
Com 10 quartos no total, sete na casa principal e os restantes três em bungalows de pedra, a Quinta da Magnólia oferece cinco tipologias diferentes, que vão desde o superior room que pode ser com vista mar ou sem, passando pela deluxe room ocean view, a deluxe jaccuzi ocean view ou a deluxe suite. Todos os quartos têm o nome de uma das fajãs de São Jorge, que nesta ilha ultrapassam as 40.




A piscina infinita no exterior completa a oferta deste alojamento, onde o pequeno-almoço está incluído, fazendo as delícias dos hóspedes que à sua chegada têm à sua espera um welcome drink com um sumo de fruta e uma Espécie, um bolo local em forma de ferradura, cujo interior tem uma série de especiarias.
“Temos cinco variedades de pão, embora não as coloquemos todas no mesmo dia, aliás como as nossas estadias são de três noites, vamos rodando essa variedade para que o cliente tenha sempre uma experiência nova durante a sua estadia. Tentamos sempre apostar nos produtos regionais, por isso temos o iogurte açoriano, o queijo da ilha ou o queijo fresco, a manteiga açoriana, doces e compotas caseiras, cereais, frutos secos, panquecas e croissants”.
Outras refeições não são servidas ali, até porque a uns 400 metros existe um restaurante onde os hóspedes facilmente poderão aceder. A localização da Quinta, que dista a apenas cinco minutos do aeroporto e a 10 minutos da sua principal Vila: Velas, permite um sem número de opções na área da restauração.
O que podem os hóspedes fazer?
Quando fazem o check-in Pedro Fernandes tem o cuidado de perguntar aos hóspedes se já vêm com algum roteiro definido ou se já conhecem a ilha. A partir daqui o proprietário pode sugerir um roteiro à medida de cada visitante com os principais locais de interesse na ilha, mas como sublinha o mesmo “sem nunca nos impormos à vontade do cliente”, acrescentando: “Temos parcerias com empresas marítimo-turísticas, de aventura, de trilhos e tours à volta da ilha”.



Conhecida pelas suas fajãs, pequenas planícies que tiveram origem em desabamentos de terras ou lava, a ilha de São Jorge conta com mais de 40, algumas delas só acessíveis por trilhos. Fajã Caldeira Santo Cristo (27m2), Fajã dos Vimes (22m2), Fajã das Almas (24m2), Fajã dos Bodes (19m2), Fajã dos Cubres (27m2), Fajã do Mero (22m2), Fajã da Fragueira (28m2), Fajã São João (40m2), Fajã Redonda (24m2), Fajã do Sanguinhal (24m2) são algumas das principais e as mesmas que dão o nome a cada quarto da Quinta da Magnólia.
Para além das fajãs, os hóspedes podem ainda fazer uma visita à plantação de café da Fajã dos Vimes, a única existente na Europa. Ou então visitar as fábricas do Atum e do Queijo, tão típicos da ilha. Já para quem gosta de praticar surf, o destaque vai para a Fajã da Caldeira de Santo Cristo, o único lugar no arquipélago açoriano onde existem ameijoas. Mas há muito mais para visitar nesta ilha que partilha o grupo central com as ilhas do Faial e do Pico.
Acessibilidades no inverno, um problema para resolver
À semelhança do que acontece em outras ilhas do arquipélago, também São Jorge sofre com as poucas acessibilidades existentes na época do inverno. Segundo Pedro Fernandes, os meses piores são de novembro a fevereiro, altura em que as intempéries são mais regulares.
“Aqui temos um problema de sazonalidade brutal, imagine que o cliente nos quer visitar no mês de novembro, existem algumas lacunas na parte das ligações, quer aérea quer marítimas, que nesta altura do ano reduzem as suas frequências. Uma pessoa que vem de Lisboa ou do Porto tem de fazer, obrigatoriamente, escala em São Miguel ou na Terceira, se juntarmos a isso a probabilidade de apanhar mau tempo, está dois ou três dias retida nestas ilhas e se vem para ficar quatro dias em São Jorge, acaba por desistir, porque já perdeu todos esses dias”, explica o proprietário da Quinta da Magnólia, para quem a solução poderá passar “pela boa vontade política”.
“É um problema que continua e não conseguimos resolvê-lo”, afirma ainda Pedro Fernandes, adiantando que nos meses de novembro e dezembro, a faturação não dá para pagar as despesas que têm com o alojamento.

Depois de um ano excelente, como foi o de 2019, a Quinta da Magnólia viu-se a braços com a pandemia Covid 19, tal como o resto do país e do mundo, e quando começava a dar os primeiros passos depois desta crise, uma outra veio desacelerar o ritmo: a crise sismo-vulcânica que chegou a assustar os moradores da ilha de São Jorge.
Susto passado, Pedro Fernandes avança que 2022 foi um bom ano de faturação, mas que irá fechar portas no mês de dezembro, pois a baixa procura não justifica ter a porta aberta. Não, enquanto alojamento, mas o proprietário da Quinta da Magnólia acaba por produzir alguns eventos que são abertos à comunidade, como por exemplo brunchs com produtos americanos, sushi, prova de queijo e de vinhos.


