Profissionais da hotelaria: 80% têm sintomas de burnout e 30% revelam infelicidade
Estes são alguns dos resultados do estudo Ecossistemas de Ambientes Saudáveis no Trabalho (EATS|Hotelaria) do Laboratório GesTur-Be, coordenado por Mafalda Patuleia e Tânia Gaspar, apresentado no XXII Congresso da ADHP, em Elvas.
O Observatório de Gestão do Turismo e Bem-Estar das Pessoas (GesTur-Be), apresentou no XXII Congresso da ADHP, em Elvas uma leitura integrada dos principais desafios que afetam os profissionais da hotelaria em Portugal, sublinhando a urgência de investir em ambientes de trabalho mais saudáveis, seguros e sustentáveis.
Apesar do peso do turismo na economia nacional, o setor continua a enfrentar dificuldades na atração e retenção de trabalhadores, com “a sazonalidade, a precariedade, os baixos salários, os horários irregulares, a insegurança no emprego, a dificuldade de progressão na carreira e a incompatibilidade entre vida profissional e vida pessoal”, a serem as principais razões apontadas.
Para o estudo inquiridos 711 profissionais, essencialmente da área da hotelaria, de diferentes zonas de Portugal Continental com idades compreendidas entre os 18 e os 71 anos, com as conclusões a apresentarem indicadores “preocupantes”, nomeadamente, sinais de burnout, perceção de solidão, infelicidade e a experiência de assédio laboral. De acordo com os dados divulgados, 79,9% dos profissionais reportam pelo menos um sintoma de burnout, 29% referem solidão, 30,5% indicam infelicidade e 20% reportam situações de assédio laboral.
O estudo permite ainda identificar grupos em maior vulnerabilidade. As mulheres, os profissionais da geração Z, os trabalhadores sem funções de gestão e os profissionais com vínculos laborais menos estáveis apresentam piores indicadores de saúde biopsicossocial e maior exposição a riscos psicossociais, pelo que há necessidade de respostas diferenciadas e ajustadas aos diferentes perfis profissionais do setor.
“Cuidar do bem-estar dos profissionais do turismo não é apenas uma questão social; é uma condição estratégica para a qualidade do serviço, a produtividade e a sustentabilidade do setor. Os dados mostram que a competitividade do turismo níveis de engagement serem elevados, registam-se também valores moderados de presentismo e português depende também da capacidade de criar organizações mais humanas, saudáveis e atractivas”, sublinha o estudo.
Perante o cenário resultante do estudo, o o GesTur-Be recomenda uma intervenção baseada na evidência, com avaliação, diagnóstico e monitorização contínua, que permita encontrar o ponto de equilíbrio entre o desempenho/produtividade e o bem-estar do profissional.
Entre as prioridades destacam-se:
- Implementar programas estruturados de prevenção de riscos psicossociais, com monitorização regular do burnout, assédio laboral e bem-estar psicológico, integrando estas dimensões na gestão estratégica de recursos humanos.
- Reforçar recursos organizacionais para a saúde mental (apoio psicológico, supervisão, formação em gestão de stress e liderança saudável), promovendo ambientes de trabalho seguros, respeitadores e emocionalmente sustentáveis.
- Desenvolver políticas ativas de prevenção do assédio e promoção de culturas organizacionais positivas, baseadas em liderança ética, comunicação aberta e mecanismos confidenciais de reporte.
- Implementar estratégias de gestão do engagement sustentável, reduzindo presentísmo e absentismo através de melhores condições de trabalho, horários previsíveis, reconhecimento profissional e equilíbrio trabalho-vida.
- Criar medidas específicas de proteção para grupos mais vulneráveis (mulheres, geração Z, trabalhadores não gestores e com contratos precários), promovendo estabilidade laboral, inclusão e oportunidades de desenvolvimento profissional.
Créditos da Foto: Vítor Peixoto


