Privatização da TAP só avança se comprador potenciar os aeroportos portugueses, garante o primeiro-ministro
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, que falava esta segunda-feira na celebração dos 80 anos do Aeroporto do Porto, assegurou que a privatização da TAP só avançará se o comprador potenciar os vários aeroportos do país.
“A exigência e a garantia do aproveitamento de toda a nossa capacidade aeroportuária é uma pedra fundamental. Não haverá privatização se nós não garantirmos que os nossos aeroportos, incluindo naturalmente o aeroporto Francisco Sá Carneiro, terão a potencialidade ao nível da atividade da companhia que merecem e que se exigem à luz do interesse estratégico do país”, garantiu Luís Montenegro, em declarações transmitidas pela RTP Notícias.
O primeiro-ministro acrescentou que este requisito “ficou muito claro desde o início, ficou muito claro na nossa decisão, ficou muito claro nos instrumentos jurídicos deste procedimento, a aposta, naturalmente, no hub em Lisboa, mas a aposta no aeroporto Francisco Sá Carneiro, no aeroporto de Faro, nos aeroportos nas regiões autónomas, isso é uma exigência de que o Estado português não vai abdicar”.
Montenegro deixou também um alerta à Vinci, ao afirmar que é possível “fazer mais e mais depressa” nos aeroportos portugueses até porque, defendeu, a empresa tem em Portugal a operação mais rentável do mundo. “Eu tenho que dizer, olhos nos olhos, é possível fazer mais e é possível fazer mais depressa. É possível fazer mais e mais depressa no Porto, é possível fazer mais e mais depressa em Lisboa, é possível fazer mais e mais depressa em Faro e também nas regiões autónomas”, afirmou.
“Com todos os instrumentos contratuais que ligam o Estado português à concessionária, à Vinci, nós temos mesmo prazos e custos a cumprir e não vamos também abdicar disso, não vamos deixar de utilizar todas as disposições do nosso contrato para podermos ter esse planeamento e essa execução feita de acordo com o interesse do Estado português, do povo português e dos agentes económicos”, disse ainda o primeiro-ministro, frisando, no entanto, que a construção do novo aeroporto de Lisboa deve ser acompanhada do investimento em todos os outros aeroportos, nomeadamente no Porto, Faro e Regiões Autónomas.
Recorde-se que as propostas não vinculativas para a privatização da TAP deverão ser submetidas à Parpública até 02 de abril e deverão incluir uma componente financeira, como o preço oferecido pelas ações e mecanismos de valorização futura. O caderno de encargos prevê a alienação de até 44,9% do capital da TAP, com 5% reservado aos trabalhadores, ficando qualquer participação não subscrita sujeita ao direito de preferência do futuro comprador.


