Presidente da SATA apresentou uma companhia com rumo, visão de futuro e à beira de ter resultados positivos
Em conferência de imprensa, em Ponta Delgada, o presidente da SATA, Luís Rodrigues, falou sobre o plano de reestruturação entregue em Bruxelas e daquilo que conduziu à necessidade de apoio do Estado, deixando claro que o sucesso da empresa tem que estar ancorado numa maior promoção do destino Açores.
Sobre as circunstâncias do passado, Luís Rodrigues explicou que, embora nos anos anteriores de 2019 o grupo tivesse apresentado “um crescimento de receitas interessantes, com uma média de 5%”, ainda assim abaixo do crescimento do turismo, “quanto mais crescia mais dinheiro perdia”, já que “os 5% de crescimento traduziam-se em 6%de aumento de prejuízo, o que conduziu a uma situação insustentável” que se ficava sobretudo a dever à Azores Airlines”, uma vez que a SATA Air Açores, que assegura a operação inter-ilhas, e a SATA Gestão de Aeródromos não apresentavam prejuízos.
Nos finais de 2019, os capitais próprios do Grupo SATA estavam “negativos em 230 milhões de euros” – na realidade eram negativos em mais 100 milhões, disse Luís Rodrigues– resultado que foi “o ponto de partida para lidar com a União Europeia” onde a SATA teria que ir mesmo que a pandemia não viesse a piorar tudo.
Entre os fatores que motivaram a situação estiveram a subutilização dos aviões que “voavam metade do tempo que deviam” causando disrupções operacionais que levavam à contratação de aeronaves extra e à compensação dos passageiros afetados; custos de manutenção significativos, reestruturação da frota e as obrigações de serviço público (as ligações do Pico, Horta, Santa Maria a Lisboa, e a ligação entre Ponta Delgada e Funchal) que “custam em média 13 a 14 milhões de euros por ano”. Acresceu o aumento da concorrência, a partir e 2015, ao qual “a companhia não estava preparada para responder” tendo tentado resolver o problema através da descida do preço das tarifas.
Os cinco pilares do Plano de Reestruturação
A única saída era ir a Bruxelas apresentar um plano de reestruturação e convencer a Comissão Europeia de que a SATA não podia acabar porque “assegura 100% do transporte aéreo de passageiros e de carga entre as ilhas, transporta 65% da carga aérea para fora de ilhas e praticamente metade do turismo para a região”.
O plano de reestruturação que teve “luz verde” no passado dia 7 de junho, assenta em cinco pontos fundamentais. Na conferência de imprensa do passado dia 4 de julho, referindo-se ao facto de muitos dizerem que estão a ser escondidas coisas, o presidente da SATA quis deixar claro que “o plano é isto que estou aqui a apresentar, uma apresentação de powerpoint, não é um documento word com duzentas páginas e uma dose de gráficos”.
É nesse powerpoint que constam os cinco pilares da reestruturação: “otimização da rede”, “reestruturação da frota”, “eficiência operacional”, “negociação com fornecedores” e “agilização do trabalho”, que farão o Grupo SATA poupar 70 milhões de euros até 2025.
Sobre a rede, Luís Rodrigues defendeu que será otimizada tendo em vista operações essenciais que sejam sustentáveis, o que não acontecia antes de 2019 “em que se voava para alguns destinos numa forma não sustentada e se abandonava na mesma forma”, criticou.
No que toca à parte laboral, salientou que desde que foi lançado o primeiro programa de rescisões, em 2020 e até à data “cerca de 100 trabalhadores já saíram da companhia (…) todos por mútuo acordo, pré-reformas e reformas antecipadas”, sendo que “mais 50 funcionários deverão sair até final de 2023”. Por outro lado “conseguimos com aceitação dos nossos colegas a redução de 10% direto nos salários para quem ganha acima de dois salários” mínimos.
A negociação com os fornecedores dos contratos de handling, dos custos com estadias das tripulações e da manutenção das aeronaves, aumentando a utilização de recursos internos e do serviço de leasing fazem também parte das medidas implementadas, a que acresce a reestruturação das subsidiárias no Canadá e Estados Unidos”.
“Em resultado das medidas já implementadas, 2021 trouxe ao grupo “receitas históricas” acima dos 109 milhões de euros, ultrapassando em cerca de 30% os 79 milhões previstos“
Em resultado das medidas já implementadas, 2021 trouxe ao grupo “receitas históricas” acima dos 109 milhões de euros, ultrapassando em cerca de 30% os 79 milhões previstos. Já no primeiro semestre deste ano “vendemos tanto como em 2019” e “a nossa melhor previsão, a meio do ano, é fazer 185 milhões de euros de receitas, o que se compara com os 158 milhões previstos”, disse o presidente da SATA, antecipando que o primeiro semestre de 2022 “será o melhor primeiro semestre de sempre da empresa”. Contas feitas, Luís Rodrigues apontou que “estimamos ter resultados operacionais positivos em 2022”, apesar de considerar que os objetivos do ano poderão estar “comprometidos com o aumento brutal do combustível”.
Ciente de que todo o trabalho comercial feito desde 2020 não produziria efeitos se não tivessem acabado as restrições às viagens e se os Açores não fossem considerados um destino seguro, Luís Rodrigues avançou que a SATA está já a pensar na oferta para o verão de 2023.
Operação de verão de 2023 já está planeada
Assim, para agosto de 2023,à partida de Ponta Delgada, a oferta vai incluir um a dois voos por semana para Montreal, seis voos por semana para Toronto, sete para Boston, seis para Nova Iorque, um para as Bermudas, 12 para o Funchal, quatro para a Praia, 26 para Lisboa, 16 para o Porto, três para Barcelona, três para Paris e dois a três para Frankfurt”.
Já à partida da ilha Terceira, a programação inclui um voo por semana para Montreal, dois para Toronto, um para Oakland (em avião fretado), dois para Boston, um para Nova Iorque, quatro para o Porto e oito para Lisboa.
De acordo com o responsável “mantem-se a incógnita sobre os voos diretos de Santa Maria, Faial e do Pico para Lisboa, mas aí esperamos que já exista o novo concurso do serviço público e se a SATA o vencer irá fazer essas rotas”.
Com o objetivo de ter os aviões a voar na época baixa, a companhia vai apostar nas operações charter para os Açores “se houver mercado” e também vai aproveitar para pôr os aviões em manutenção.
Sobre o facto de se falar muito sobre a introdução de mais rotas para os Açores, o presidente da SATA reforça que isso só interessa se houver mercado porque “se for para os aviões andarem vazios, isso não interessa a ninguém”. Por isso defende que tem que haver mais promoção do destino Açores. “Uma forte promoção do destino Açores é fundamental e penso que isso está a começar a ser entendido”, realçou, lembrando a propósito que a SATA já voltou a fazer parte da Associação de Turismo dos Açores (ATA).


