Presidente da INATEL anuncia uma nova unidade hoteleira e investimentos de norte a sul do país
Nesta segunda parte da entrevista com o presidente da INATEL, Francisco Madelino, falámos da vertente hoteleira da Fundação, dos investimentos na requalificação das unidades existentes e de novos projetos. A área das viagens e o relacionamento com o Turismo de Portugal, foram outros dos temas focados.
Na primeira parte desta entrevista falámos muito de turismo social e de sustentabilidade sendo que a sustentabilidade (social, ambiental e económica) é também uma preocupação do Turismo de Portugal. Há algum tipo de colaboração entre o TP e a Fundação INATEL?
A nossa colaboração, para além de ser histórica, é neste momento muito forte. Daí que a minha ideia, enquanto presidente do Conselho de Administração do INATEL seja a seguinte: onde estes objetivos são conseguidos com o mercado a funcionar plenamente, deve ser matéria de mercado normal e o Turismo de Portugal regula-os muito bem e é um instrumento de vanguarda de política pública para modernizar os hotéis, para acrescentar valor, para subir na escala de valor.
Posso dizer que o Turismo de Portugal aderiu recentemente à ISTO, é sócio, vai estar presente no congresso nos Açores e esta complementaridade é muito importante. Sabemos que o turismo social não é a resposta, é uma das respostas, sobretudo dirigidas a públicos em que importa que exista uma maior descriminação positiva.
Exemplo deste relacionamento é o programa de turismo sénior 55+ que tem uma parte financiada pelo Fundo Social Europeu mas há regiões que não são elegíveis, como é o caso de Lisboa e esses programas têm tido uma participação financeira do Ministério da Economia através do Turismo de Portugal
Nós temos uma atividade em que 80% das nossas receitas advêm da hotelaria e viagens, temos uma parte de apoios de Estado e outra que vem das quotas dos nossos associados – temos 200 mil associados, muitos são sócios por razões culturais, outros por razões desportivas. Somos uma entidade de economia social e por isso os lucros que temos são para redistribuir por atividades culturais, desportivas, etc. O Turismo de Portugal tem outra função: gere para que Portugal seja um destino competitivo e seja inclusivo, e deve fazer com que o país tenha um turismo que preserve o planeta, o território e que, sobretudo, vá introduzindo inovações no produto e na organização. Nós somos complementares e devemos ir buscar as experiências que possam ser aplicadas por nós para aumentar a produtividade e inovar o produto.
“O negócio abriu perspetivas novas, nós fizemos investimentos em Manteigas e em São Pedro do Sul e a procura tem corrido muito bem mas está muito associado à dupla vertente de termas e bem-estar, sendo, nesse sentido, mais intergeracional”
Uma das apostas antigas da INATEL, que respeita os princípios do turismo inclusivo, é o termalismo. Como se tem adaptado a vossa oferta às novas realidades da procura?
Muito do turismo termal apareceu associado às termas e este é um negócio difícil porque antigamente ia-se para as termas por razões médicas, hoje há essa ainda existe mas um negócio só de termas, tem que ser muito apoiado. Espanha tem um programa altamente apoiado, nós também mas não com a mesma dimensão. O turismo que só oferece termas não é rentável, tem que abranger termas e bem-estar, as pessoas vão mas querem ter um Spa.
O negócio abriu perspetivas novas, nós fizemos investimentos em Manteigas e em São Pedro do Sul e a procura tem corrido muito bem mas muito associada à dupla vertente de termas e bem-estar, sendo, nesse sentido, mais intergeracional. As coisas vão mudando mas tem que haver políticas de apoio para que o negócio possa andar. Já temos investimentos privados de grande dimensão na Serra da Estrela mas há alguns anos era mais difícil. Hoje, a maior parte das pessoas, mesmo as mais jovens, têm férias de duas ou três semanas e fazem uma semana de praia e outra no interior, o que não acontecia há alguns anos. Aliás, os conceitos de coworking e de coliving têm muito a ver com isso, são pessoas que andam pelo mundo inteiro a trabalhar e querem conviver com as comunidades locais. Nestes nichos, a componente da história do turismo social tem grandes vantagens, permite-nos dizer às pessoas que podem estar ali a trabalhar, que têm tecnologia, mas que temos um programa para elas irem, por exemplo, ficar um dia na aldeia da Pena, numa aldeia de pastores, etc. Mas para que o efeito demonstração funcione é natural que, de início, o Estado tenha que apoiar.
INATEL tem 18 unidades de alojamento
A INATEL tem hoje 17 unidades hoteleiras…
Agora temos mais uma, com a Graciosa temos 18 unidades. As duas unidades dos Açores, a das Flores e a da Graciosa, foram entregues ao INATEL para explorar, através de uma parceria com o Governo Regional, em duas zonas em que na altura era preciso haver apoio do Estado. Antes da minha administração, a INATEL entregou a exploração a um privado, por subcontratação, entretanto a experiência privada terminou e a política desta administração foi a de fazer a gestão do equipamento, dentro de uma lógica a que não é indiferente a procura crescente que existe nos Açores. Esperamos continuar a desenvolver a gestão, até porque estamos neste momento com uma ocupação e reservas cerca de 20% acima de 2019, com as receitas a terem um acréscimo ao mesmo nível.
A maior procura ainda é do mercado interno, o internacional está ainda abaixo de 2019, o que é normal porque a pandemia levou a um grande aumento do mercado nacional e a nível internacional ainda há alguns receios. Desde sempre, o nosso principal mercado é o nacional mas este crescimento nos últimos anos teve a ver com o redireccionamento dos fluxos já que muitas pessoas que iriam para o estrangeiro preferiram ficar no país por questões de segurança.
“Recuperámos a nossa estratégia de investimentos, durante este mês vai sair o concurso internacional para a construção da unidade de Porto Covo – que também deslizou um bocado porque os processos de licenciamento são complicados até porque se trata de uma zona protegida – e em Entre-os-Rios os investimentos estão a decorrer”
Antes da pandemia, o INATEL vinha a fazer uma série de investimentos nas suas unidades. Esses investimentos pararam?
Durante a pandemia continuámos a fazer alguns investimentos mas a verdade é que deslizámos um bocadinho no tempo porque ninguém sabia o que ia acontecer e a prioridade foi manter os empregos e os rendimentos. Nós não tínhamos direito aos apoios que foram colocados no terreno porque somos uma organização pública e como não sabíamos se a crise pandémica iria durar um ano ou quatro, não sabíamos se ia haver uma retração total.
Agora recuperámos a nossa estratégia de investimentos, durante este mês vai sair o concurso internacional para a construção da unidade de Porto Covo – que também deslizou um bocado porque os processos de licenciamento são complicados até porque se trata de uma zona protegida – e em Entre-os-Rios os investimentos estão a decorrer, é uma unidade antiga mas muito bonita e com uma grande procura porque está na entrada do Douro Vinhateiro. Ainda no que toca a grandes investimentos, estão a decorrer obras na unidade de Oeiras, que eram instalações concessionadas pelo Porto de Lisboa em que foi prolongado o prazo sob pena de nós não investirmos, que é uma unidade histórica, com grandes potencialidades e que pode crescer muito mas que estava envelhecida. Na Feira, onde era importante esclarecer a questão da propriedade e o próprio Orçamento do Estado consignou o património à Fundação INATEL, pelo que estamos a ver o que fazemos, em conjunto com a CCDR Norte.
Além destes investimentos de grande dimensão, estamos a renovar os parques de campismo, que são muito procurados em termos europeus e também lucrativos, mas têm que ser modernizado. Nós tínhamos problemas de infraestruturas e problemas sociais na Caparica, que já resolvemos mas o seu licenciamento tem sido um processo complicado, mas foi limpo, a CCDR deu o seu parecer e estamos a adaptá-lo. São Pedro de Moel e Cabedelo, em Viana do Castelo, também vão ser alvo de renovação. Estamos a fazer isto de forma progressiva porque não podemos parar os parques todos ao mesmo tempo.
Diria que, para além do que vamos fazer em Porto Covo, porque entre a Caparica e Albufeira não temos nenhuma unidade hoteleira, precisávamos de alguma coisa até porque há uma grande procura pela Costa Vicentina que é uma zona com grande potencial dentro da nossa ideia de turismo sustentável. Se conseguíssemos gerar mais meios financeiros, podíamos avançar para mais uma unidade hoteleira no sul do país, para além da que estamos a fazer em Porto Covo.
A Fundação INATEL tem as suas unidades no mercado. Tem alguma ideia do peso dos não sócios nessas unidades?
Há dois mitos urbanos sobre a Fundação INATEL. O primeiro é que é apenas para pensionistas, quando as nossas atividades são muito intergeracionais. As pessoas utilizam as nossas unidades porque gostam da sua localização – por exemplo, quem vai ao Piódão encanta-se e neste caso se quiser ficar, tem que ser na unidade da INATEL, que é a única que existe e não é fácil ter uma unidade no Piódão devido à sazonalidade e à falta de funcionários, como também ao é fácil ter em Linhares da Beira.
O segundo mito urbano é que é só para sócios. Os nossos sócios pagam 20€ por ano e têm um desconto de 20% nas nossas unidades mas elas estão abertas a todos. Em termos genéricos o peso será semelhante, 50% de ocupação pelos sócios e os restantes por não sócios.
A gestão das vossas hoteleiras é feita por uma equipa específica, profissional, que funciona com autonomia?
A Fundação INATEL tem uma inserção que lhe dá uma especificidade própria enquanto gestora de negócio hoteleiro, que é o facto de ter de verificar a contratação pública, o que cria uma dificuldade enorme na gestão da atividade em termos concorrenciais. Muitas vezes o cliente não entende porque é que está no Algarve a comer laranja da Argentina… Esta é uma matéria que temos tentado resolver da melhor forma, também do ponto de vista institucional, porque há partes em que não há autonomia, em que temos que fazer concursos centralizados porque a lei não permite a segmentação de despesa. Nos hotéis, gerimos a colocação de pessoas porque também somos agência de viagens com 26 unidades orgânicas distribuídas pelo país e há uma grande autonomia do diretor de cada unidade na gestão do dia-dia – mas não tem, por exemplo, na proatividade de captar públicos. Introduzir uma componente administrativa e de despesa pública dentro de uma atividade mercantil, não favorece.
Para completarmos a pirâmide, existe uma direção centralizada que dá orientações?
Há uma direção de serviços de hotelaria que coordena os hotéis e serve de apoio à logística de todos os hotéis e há uma direção de serviços de turismo. Ambas estão englobadas num departamento de hoteleira e turismo que dependem de um administrador e o Conselho de Administração e o seu presidente são responsáveis pela estratégia.
Quem é o administrador para esta área?
A administradora é a Dra. Rita Duarte que foi quadro da Associação da Hotelaria de Portugal e chefe de Gabinete da Dra. Ana Mendes Godinho, enquanto secretária de Estado do Turismo e já como ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social. O diretor de serviços é o Dr. João Serrano. Trata-se, portanto, de uma equipa profissionalizada.
INATEL trabalha com operadores turísticos e com agências de viagens
Outra maneira de a INATEL para alargar a sua oferta aos associados e que também a ajudou a entrar mais no mercado do turismo, foi fazer acordos com operadores turísticos para programar destinos em Portugal e no estrangeiro?
Sim, nós trabalhamos com operadores turísticos e com agências de viagens. Pode perguntar-se como é que a Fundação INATEL tem programas para a Austrália ou outros destinos, que podem custar milhares de euros, mas isso são atividades que nos geram riqueza, que nos ligam a trabalhadores reformados que têm capacidade e gosto para fazerem essas viagens acompanhadas e ao mesmo tempo gera-nos receitas para podermos continuar a fomentar as outras atividades que não são lucrativas.
Com a pandemia, nós sofremos um impacto negativo nestas atividades e tivemos até que compensar as pessoas. Já tivemos uma grande recuperação mas estamos ainda a 50%. Depois houve destinos que foram afetados pela guerra, como o Báltico, a Polónia… Temos uma penetração forte nessas viagens, sempre feitas com operadores turísticos ou agências, tivemos um crescimento impressionante no último ano mas está mais atrasado que a atividade hoteleira.
Para além deste ano, qual é o caminho que têm perspetivado?
Basicamente, o caminho passa por qualificar os nossos hotéis e modernizá-los, aumentar a oferta com mais uma ou duas unidades, e sobretudo, desenvolver a área do turismo de experiências e de emoções, onde a Fundação INATEL tem um papel extremamente importante na relação entre as atividades de natureza, o turismo e a hotelaria. Queremos modernizar as nossas atividades para que sejam cada vez mais intergeracionais porque sabemos que, cada vez mais, há jovens que gostam de se alojar nas unidades da INATEL e percorrer o país. Numa sociedade que envelhece e em que há déficits de intergeracionalidade, este é um mercado que temos enormes potencialidade para desenvolver.



Boa tarde. Somente a criticar o facto da parceria que a Unidade de Albufeira efetuou com o clube 3000, tipo clubmed francês, originando taxas de ocupação elevadas, impedindo os sócios do Inatel poderem ir nos meses mais apetecíveis para esta Unidade. Creio ser uma situação inadmissível e que porventura merecerá nota de reparo por todos. De resto, nada a dizer das diversas Unidades em que estive. Cumprimentos
Belarmino Malheiro socio …168750
Boa tarde
Como esta «PORTO COVO» quero visitar antes de morrer…….
Em relação as 17 unidades so não conheço «OEIRAS e ENTRE RIOS»
Relativamente aos « PARQUES» estive 10 anos na «CAPARICA»…..ai que saudades………