Preço dos combustíveis esmaga resultados da TAP: prejuízos sobem para quase 100 milhões no 1º semestre do ano
Apesar das receitas e do número de passageiros terem atingido valores recorde no 1º semestre deste ano, o resultado líquido da TAP acabou por ser fortemente penalizado pela subida de preço do jet fuel, com o prejuízo a ascender a 99,2 milhões de euros.
O valor de 99,2 milhões de euros negativos representa um agravamento em cerca de 40% dos resultados líquidos da empresa que, no primeiro semestre do ano passado tinha registado um prejuízo em torno dos 70,7 milhões de euros. De acordo com os dados publicados pela empresa, os resultados do primeiro semestre deste ano foram agravados pelo aumento do preço do jet fuel que fizeram fez subir os custos com a sua aquisição em quase 19% em termos homólogos.
Os dados, divulgados esta segunda-feira pela TAP, indicam que a empresa registou receitas operacionais de 2.039,8 milhões de euros no primeiro semestre de 2026, + 4,3% face ao mesmo período do ano anterior, “sustentado pelo aumento da capacidade, pela melhoria das receitas unitárias e pela forte procura observada na sua rede”, explica o comunicado. As receitas de bilhetes cresceram 4,4%, para 1.829,2 milhões de euros, enquanto as receitas operacionais totais ascenderam a 2.039,8 milhões de euros.
No período em análise, a companhia transportou 8,2 milhões de passageiros, mais 4,2% do que no primeiro semestre de 2025, tendo operado 57,5 mil voos, com um aumento de 3,4 pp no load factor que atingiu 85,4%.
Em nota à imprensa, a TAP informa, no entanto, que a evolução dos resultados foi condicionada pelo “forte aumento dos custos com combustível, que cresceram 18,7% no semestre”. Neste contexto, avança a empresa, o EBITDA recorrente atingiu 181,9 milhões de euros e o EBIT recorrente situou-se em -83,7 milhões de euros, com a TAP a registar um resultado líquido de -99,2 milhões de euros, no primeiro semestre do ano em que deverá ver parte do seu capital ser privatizado.
A empresa sublinha ainda que, o semestre ficou marcado pela conclusão do Plano de Reestruturação e pelo lançamento do novo Plano Estratégico 2026-2035.
Citado em comunicado, Luís Rodrigues, CEO da TAP, salientou que “como expectável, o forte aumento dos preços de combustível, nomeadamente do jet fuel, pressionou de forma relevante o desempenho da TAP no segundo trimestre”.
“De facto, este impacto fez-se sentir de imediato nos custos, enquanto as medidas de mitigação ao nível da receita tendem a materializar-se de forma mais gradual, uma vez que grande parte da receita do segundo trimestre já estava vendida aquando do aumento dos preços”, explicou.
Ainda assim, Luís Rodrigues destaca o “desempenho resiliente” da companhia, com as receitas a crescerem no primeiro semestre, suportadas pelo aumento da capacidade e pela melhoria das receitas unitárias”.
Relativamente aos próximos meses, a empresa referiu que a dinâmica das reservas mantém-se resiliente, suportando a evolução positiva das receitas unitárias. Ainda assim alertou que a volatilidade dos preços do combustível continua a ser acompanhada de perto, bem como a evolução geopolítica e as condições macroeconómicas”.
“O impacto do aumento do preço do combustível deverá continuar a ser mitigado através de uma gestão ativa da receita e de uma execução disciplinada da política de hedging e dos custos, mantendo uma sólida posição de liquidez”, explica a empresa.


