Preço do transporte aéreo entrava crescimento do turismo na América Latina
Um estudo recente da Mabrian revela que as tarifas aéreas representam “um desafio estrutural para o desenvolvimento do turismo na América Latina”, dado que os preços acessíveis do transporte aéreo são cruciais para o desenvolvimento do setor de viagens e turismo.
Divulgado esta quinta-feira, 17 de julho, o estudo da Mabrian revela até que ponto os mercados latino-americanos estão a reajustar os preços dos bilhetes de avião nos próximos meses para se manterem competitivos e melhorarem a mobilidade regional.
Porque “a acessibilidade das passagens aéreas continua a ser um desafio estrutural para o desenvolvimento do turismo na América Latina”, a Mabrian destaca que “para impulsionar a procura de viagens aéreas na América Latina, é crucial expandir as redes de conectividade, acomodando mais participantes e alternativas, e tornando as viagens aéreas mais acessíveis”, como sublinha Carlos Cendra, Partner e Diretor de Marketing e Comunicação da Mabrian
A análise das previsões de passagens aéreas para os próximos seis meses, conduzida pela Mabrian, revela um cenário misto, com aumentos moderados, reajustes estratégicos e até descidas acentuadas, influenciados por fatores geopolíticos e dinâmicas de mercado que podem redefinir a competitividade do turismo regional até ao final de 2025.
De acordo com o estudo, Argentina e México são os países onde existem maiores descidas no preço, com quebras anuais de 10%, seguindo-se a Colômbia, com uma descida de 6,6%. No polo oposto, Chile e o Brasil apresentam as subidas mais destacadas, respetivamente de 11,3% e 12,2%. Já no Peru os voos domésticos apresentam uma certa estabilidade, com um aumento de apenas 1,7%.
O preço médio dos voos domésticos nos países com redes nacionais mais extensas ronda os 100 dólares, com o estudo a apontar os casos do Uruguai (98 dólares), Argentina (105 dólares), México (128 dólares) e Brasil (135 dólares). Na Colômbia os preços mantêm-se mais baixos (83 dólares), tal como acontece no Chile (69 dólares) e no Peru (70 dólares). Segundo a Cendra, a existência de preços mais baixos “beneficia estes destinos, que estão a conseguir captar uma maior fatia da procura regional“.
Reportando-se à conferência Wings of Change Americas, organizada pela IATA em Bogotá, em junho, a Mabrian recorda que o impacto económico das viagens aéreas na região, que representam 8,3 milhões de empregos e 240 mil milhões de dólares em PIB. Isto apesar de, segundo a IATA, os cidadãos latino-americanos realizarem, em média, apenas 0,65 voos por ano, um valor muito abaixo dos 2,5 voos na América do Norte ou dos 4,5 em Espanha.
Tarifas aéreas para os EUA descem, as da Europa sobem
“A nossa inteligência de dados revela uma tendência clara: as tarifas médias nas rotas que ligam a América Latina aos Estados Unidos estão a diminuir consistentemente, em alguns casos até -50% em comparação com o ano anterior“, afirma Cendra.
Segundo o estudo, todas as rotas analisadas apresentam descidas anuais das tarifas médias, algumas bastante acentuadas, como o Chile (-50,3%), o Brasil (-25,3%) e a Argentina (-24,9%). Quedas mais moderadas são também observadas na Colômbia (-14,4%), México (-9,2%) e Peru (-8%).
“Os fatores geopolíticos estão a influenciar este comportamento atípico, o que representa uma oportunidade para estimular as visitas dos EUA à América Latina no final de 2025.” De acordo com o especialista da Mabrian, “isto está também a contribuir para impulsionar o turismo emissor, tanto doméstico como regional”.
Por outro lado, “as tarifas nas rotas que ligam a América Latina à Europa estão a aumentar em quase todos os mercados”, sublinha a Mabrian, precisando que “os aumentos anuais mais moderados são observados no Peru (+2,4%), Chile (+2,5%), Argentina (+4,4%) e Uruguai (+4,5%), enquanto os aumentos mais significativos são observados na Colômbia (+13%) e no México (+16,5%)”.
Já “o Brasil é o único país que contraria esta tendência, com uma descida de -6,5% nas tarifas médias para a Europa”.
Rotas internacionais dentro da América Latina
Em relação às rotas internacionais dentro da América Latina, as tarifas também variam, indo de uma média de 245 dólares na Colômbia, 309 dólares no Peru, 419 dólares no Brasil e 474 dólares no México. Na comparação anual, destacam-se os aumentos médios das tarifas na Colômbia (+8,6%) e no Uruguai (+7,8%), enquanto a Argentina (+1,6%), o Peru (+2,3%) e o Chile (+3,6%) apresentam aumentos mais moderados.
Por outro lado, projeta-se que os preços médios dos voos para outros países da América Latina diminuam no México (-7,1%) e no Brasil (-8,4%), sendo estes os únicos mercados onde as tarifas médias para ligações inter-regionais ultrapassam os 400 dólares.


