Portugueses estão cientes dos benefícios do turismo mas querem maior controlo e menos Alojamento Local
A maioria dos portugueses reconhece a importância económica do setor, mas queixa-se da distribuição assimétrica dos seus benefícios e quer uma gestão mais controlada do número de turistas e apoia a redução do AL, conclui o “Barómetro do Turismo” da Fundação Francisco Manuel dos Santos.
Se acordo com o barómetro, que ouviu a opinião de 1.072 residentes de Portugal continental , com 18 ou mais anos, “o turismo é amplamente visto como positivo para a economia nacional” Ainda assim, é a favor de um crescimento moderado, com “gestão mais controlada e sustentável do setor, de modo a proteger a habitação e a qualidade de vida local”.
A pressão sobre a habitação é o impacto do turismo mais sentido pelos inquiridos, que destacam o aumento do seu custo e a redução da oferta de casas, seguidos pela subida de preço de serviços e bens de primeira necessidade. Segundo a análise divulgada, estes efeitos são particularmente referidos em municípios de alta intensidade turística e sustentam o apoio a medidas específicas em áreas de pressão.
Cerca de 80% dos inquiridos defendem a redução do Alojamento Local
“Os portugueses defendem que se dê prioridade ao bem‑estar dos residentes e se reduza o alojamento local para responder à crise habitacional, especialmente os que estão em situações de maior vulnerabilidade residencial (casa arrendada) e os que valorizam o desenvolvimento sustentável”. Neste sentido, o estudo aponta que 70% dos inquiridos defenderam que o Governo deve dar prioridade ao bem-estar dos residentes, mesmo que isso implique uma redução das receitas turísticas, e “a grande maioria [cerca de 80%] apoia a redução do alojamento local para responder à crise da habitação”, avança o estudo.
O barómetro conclui também que existe, da parte dos portugueses, uma “perceção generalizada de que o turismo é também responsável pela subida generalizada do custo de vida, pela pressão sobre os serviços e pelo congestionamento urbano”. Por isso, para a dos inquiridos, o crescimento do turismo deve ser mais controlado e sustentável. Além disso, o estudo aponta que “existe um forte desejo de maior influência da população nas decisões sobre turismo”.
“(…) há uma perceção moderadamente negativa dos inquiridos relativamente aos efeitos do turismo em termos da habitabilidade dos lugares e da experiência da vida quotidiana”, assinala o Barómetro do Turismo da FFMS
Mais de dois terços dos inquiridos reconhecem que o turismo é benéfico para a economia nacional, nomeadamente no que se refere à criação de emprego, ao à atração de investimento, à abertura de novos mercados para os produtos nacionais, contribuindo também para a diversidade de serviços. No entanto, apenas um terço sente que esses benefícios se traduzem em ganhos concretos nas suas vidas, nomeadamente na melhoria de rendimentos ou de qualidade de vida, e consideram que a distribuição desses ganhos é “assimétrica, favorecendo as grandes empresas e o Estado mais do que a população residente, tanto em termos de rendimentos como de qualidade de vida”.
Segundo o estudo “há uma perceção moderadamente negativa dos inquiridos relativamente aos efeitos do turismo em termos da habitabilidade dos lugares e da experiência da vida quotidiana”, com a maioria dos inquiridos a considerarem que o crescimento do turismo fez aumentar a falta de estacionamento, o lixo, as filas de espera em restaurantes, supermercados e hospitais, o congestionamento nos transportes e nas ruas e o ruído.
Por via deste entendimento, a maioria defende a limitação do número de turistas em zonas já sobrelotadas, além de ser apologista da redução do peso do turismo na economia para que esta passe a estar menos dependente deste setor de atividade.
Segundo os autores do estudo, “os resultados indicam ainda que níveis elevados de satisfação com a vida pessoal e com a situação da economia estão associados a perceções mais favoráveis ao turismo, enquanto os residentes com maior vulnerabilidade habitacional e maior consciência ecológica são os mais críticos face ao crescimento do setor”.
Desenvolvido por Zélia Breda, Eduardo Brito-Henriques e Paulo M. M. Rodrigues, entre abril e julho deste ano, com base em 1.072 entrevistas presenciais, telefónicas e ‘online’, o “Barómetro do Turismo” pode ser consultado no site da Fundação Francisco Manuel dos Santos.

