Porto Maritime Week: Via Navegável do Douro vai ter investimento de 15 milhões de euros para aumentar capacidade
O Douro registou 1,139 milhões de passageiros em 2025 e, face ao crescimento anual que tem vindo a ser verificado, os operadores têm vindo a defender uma maior execução dos investimentos e uma estratégia nacional capaz de sustentar o crescimento – um apelo que foi renovado durante a Porto Maritime Week 2026, que decorre em Leixões.
Raquel Maia, administradora da APDL – Administração dos Portos de Douro e Leixões, foi esta quinta-feira à Porto Maritime Week 2026, anunciar que o Porto de Leixões tem identificadas intervenções de cerca de 15 milhões de euros para aumentar a capacidade e melhorar as condições de segurança da Via Navegável do Douro, incluindo o alargamento de dois troços do canal onde a largura é atualmente de 25 metros e deverá passar para, pelo menos, 40 metros.
As intervenções abrangem dois troços, com cerca de 14 e 10 quilómetros, onde o canal apresenta atualmente 25 metros de largura, bem abaixo dos 40 metros apontados como necessários por razões de segurança.
No entanto, segundo revelou também a administradora da APDL, a concretização destes investimentos está ainda dependente da obtenção de financiamento, ou seja, os estudos estão realizados, os constrangimentos estão identificados, mas falta assegurar os recursos necessários para avançar com as obras, o que pode vir a acontecer através de financiamento europeus, segundo espera a responsável.
O anúncio dos novos investimentos, surge num momento em que a navegação no Douro atravessa um período de forte crescimento. Em 2025, a Via Navegável do Douro registou 1,139 milhões de passageiros e 16.974 eclusagens, completando oito anos consecutivos de crescimento.
Operadores marítimo-turísticos querem maior “execução” e um plano estratégico nacional
Para os operadores marítimo-turísticos, o crescimento da atividade deve ser acompanhado pela concretização das intervenções há muito identificadas, nomeadamente ao nível das infraestruturas. Neste sentido, Vasco da Silva, vice-presidente da Associação das Atividades Marítimo-Turísticas do Douro (AAMTD), defendeu que o setor necessita de maior rapidez na execução dos projetos.
“Os estudos estão feitos, são conhecidos. O que precisamos é de execução”, afirmou, apontando intervenções há vários anos identificadas em zonas como Barca d’Alva, Pocinho, Pinhão/Sabrosa e Régua. “A nossa única questão é quantos anos vamos esperar para que a obra aconteça”, acrescentou.
A associação defende igualmente a criação de um Plano Estratégico Nacional de Desenvolvimento do Douro, com horizonte 2030, capaz de articular as diferentes entidades com competências sobre o rio e integrar numa estratégia comum a navegação, as infraestruturas, o turismo e o desenvolvimento do território.
O impacto económico da navegação no território foi outro dos temas centrais da sessão, com João Rodrigues, da CIM Douro, a defender que o crescimento do turismo fluvial representa uma oportunidade para a região, embora tenha lamentado que os benefícios não estejam a chegar ao território na dimensão desejada.
De acordo com o responsável, a CIM Douro está preparar a ‘Estratégia Douro 2040’, que deverá ser levada a aprovação no próximo dia 30 de setembro e que pretende antecipar o próximo quadro comunitário e definir a visão para a próxima década de desenvolvimento da região. Segundo disse, o documento resulta da auscultação de agentes económicos, autarcas e entidades com intervenção no território.


