Portal do Agente de Viagens da Ryanair é um “artifício enganoso” para as agências, considera a ANAV
A nova plataforma de reservas para as agências de viagens recentemente lançada pela Ryanair, “pode rapidamente transformar-se num artifício enganoso para as agências de viagens”, afirma a ANAV, que considera tratar-se de “mais uma tentativa clara de desintermediação camuflada de parceria”.
A Ryanair anunciou, na passada segunda-feira, o lançamento da plataforma Travel Agent Direct, para permitir às agências de viagens offline reservarem voos da low cost irlandesa, de uma forma que esta afirmava ser “direta” e “transparente”, mas que a ANAV considera ser um “modelo híbrido, sem garantias de proteção dos interesses dos agentes”.
Em comunicado emitido esta quarta-feira, a ANAV – Associação Nacional das Agências de Viagens, esclarece a sua posição sobre a nova plataforma, começando por considerar que “após meses de conversação” com a companhia, foram “alcançados alguns avanços pontuais” mas “o resultado global do diálogo ficou aquém das expectativas legítimas do setor”.
A Associação acusa a low cost de se manter “inflexível na estratégia de acesso direto ao cliente final, contornando o papel fundamental das agências de viagens no ecossistema turístico nacional”, uma abordagem que a ANAV rejeita por a considerar “lesiva para os interesses das agências e dos clientes”
“O chamado ‘Portal do Agente’ da Ryanair pode rapidamente transformar-se num artificio enganoso para as agências de viagens”, afirma Miguel Quintas, presidente da ANAV, acusando a companhia aérea de continuar a “utilizar um discurso de aproximação”, apesar de “retirar as agências da equação, apropriando-se do cliente final de forma sub-reptícia”. Ou seja, segundo Miguel Quintas, “estamos perante uma tentativa clara de desintermediação camuflada de parceria”.
A ANAV sublinha ainda que o portal apresentado não responde a várias das exigências que foram colocadas pela associação em nome do setor, como a transparência total na relação contratual com as agências; a garantia de não contacto direto com o cliente final; e ainda o suporte pós-venda acessível e eficaz via agências.
Para a ANAV, “este modelo híbrido, sem garantias de proteção dos interesses dos agentes, não é aceitável”, considerando a Associação que “a Ryanair está a usar o pretexto de um “canal oficial” para seduzir as agências com promessas incompletas, ao mesmo tempo que prossegue com a sua lógica de desintermediação”, lê-se no comunicado.


