Perceção de segurança e forte procura intrarregional levam turismo europeu a crescer 5,6% no início de 2026, avança a ETC
Apesar do conflito no Médio Oriente, o turismo europeu continuou a crescer no início de 2026, com a ETC a prever que a Europa sofra um impacto direto limitado, graças à sua reputação de segurança e à forte base de procura intrarregional. Adianta mesmo que os destinos europeus poderão vir a sair beneficiados este ano.
O turismo europeu registou um forte início de 2026, com as chegadas de turistas internacionais a aumentarem 5,6% e as dormidas 5,5% em comparação com o mesmo período de 2025. De acordo com o último relatório “Turismo Europeu: Tendências e Perspetivas” da European Travel Commission (ETC), a procura de viagens manteve-se robusta durante a época baixa, com um desempenho estável na maioria dos destinos europeus.
A ETC chama, no entanto, a atenção para o facto de esta estimativa se basear nos dados acumulados dos primeiros meses, uma vez que a maioria dos destinos apenas reportou resultados até janeiro e fevereiro de 2026.
A nível global, a situação no Médio Oriente, iniciada com o ataque dos EUA e Israel ao Irão, está a perturbar os fluxos globais de viagens, afetando a os corredores aéreos, aumentando os custos e criando incerteza para as viagens de longa distância. Ainda assim, a ETC prevê que, nesta fase, o impacto na Europa seja limitado, graças à sua reputação de segurança e à forte base de procura intrarregional. No entanto, a incerteza contínua e o risco de escassez de combustível de aviação podem representar riscos adicionais para esta perspetiva.
O desempenho do turismo no início de 2026 foi liderado pelo Norte da Europa, com a Irlanda (+30%) e a Finlândia (+12%) a posicionarem-se entre os que tiveram melhor desempenho. Os destinos de esqui também registaram um crescimento sólido, com destaque para a Itália (+14%) que beneficiou do impulso adicional associado aos Jogos Olímpicos de Inverno.
Ainda assim, são os destinos do sul e do Mediterrâneo que continuaram a atrair a maior parte dos viajantes, embora o crescimento tenha sido mais moderado em termos percentuais em comparação com o norte da Europa. A Grécia registou um forte crescimento nas chegadas (+33%), e destinos como Chipre (+9%), Croácia (+8%) e Espanha (+2%), também viram os fluxos turísticos a aumentar no início deste ano.
Impacto do conflito no Médio Oriente nas viagens europeias
De acordo com o estudo, prevê-se que o conflito no Médio Oriente afete o turismo europeu principalmente através de custos de viagem mais elevados, conectividade reduzida em importantes centros de trânsito e menor procura de voos de longo curso. Ao mesmo tempo, a IATA alertou que a potencial escassez de combustível de aviação poderá levar ao cancelamento de voos na Europa até ao final de maio.
A estimativa mais recente da Tourism Economics sugere que interrupções limitadas a um conflito de dois meses poderão colocar em risco cerca de 4% das dormidas internacionais na Europa em 2026, o equivalente a aproximadamente 103 milhões de noites. Mas se a guerra se prolongar, o impacto poderá ser mais acentuado, embora ainda exista incerteza quanto à sua magnitude geral.
Apesar de uma perspetiva incerta, o sector turístico europeu continua a ser sustentado por uma base sólida de viagens intrarregionais, sendo que cerca de 80% dos turistas que entram nos destinos europeus têm origem na própria região, o que ajuda a limitar a exposição a choques externos.
Acresce que, em períodos de incerteza geopolítica, os viajantes tendem a preferir destinos que são percebidos como mais seguros e mais próximos de casa, pelo que a ETC espera que esta alteração comportamental por parte dos viajantes possa impulsionar a procura na Europa em 2026, dado que alguns viajantes adiam ou redirecionam viagens para as regiões mais afetadas.
“Os períodos anteriores de instabilidade no Médio Oriente resultaram em ganhos para os destinos europeus, particularmente no Mediterrâneo”, lembra a ETC que no entanto alerta que “o crescimento irá provavelmente variar entre destinos, com aqueles mais dependentes dos mercados de longa distância ou do Médio Oriente a apresentarem um desempenho relativamente mais fraco”.


