Pedro Vasco: Conjuntura mundial fez de 2026 “um ano desafiante” para a MSC Cruzeiros em Portugal mas resultados são “positivos”
À margem do roadshow da MSC Cruzeiros e Explora Journeys que passou por Lisboa esta quarta-feira, 30 de setembro, reunindo mais de 250 agentes de viagens e parceiros, Pedro Vasco, diretor comercial da MSC Cruzeiros em Portugal, disse ao Turisver que 2026 foi “um ano desafiante”, embora “positivo” e que as vendas para 2027 estão “acima do ano passado”.
“O ano de 2026 foi um ano desafiante por conta da conjuntura internacional que vivemos, mas podemos dizer que, em termos de volume, estará muito em linha com o que foi o ano anterior”, disse Pedro Vasco ao Turisver, sustentando que, embora não se possa dizer que tenha sido um ano excecional, acabou por ser “um ano bastante positivo tendo em conta os desafios que nós encontrámos em 2026”.
Por outro lado, acrescentou, “o ano ainda não acabou, ainda temos aqui o último quarto do ano com bastante operação”, pelo que os resultados poderão ainda melhorar, até porque, sublinhou, “neste momento já estamos com uma fase forte de vendas para o ano 2027, onde já estamos a notar algum crescimento face ao ano anterior, mas vamos avaliando passo a passo”.
Sem surpresas, no que se refere ao mercado português, “os cruzeiros do Mediterrâneo continuam a ser a área com maior procura seja no Mediterrâneo Ocidental à partida de Barcelona, sejam os cruzeiros à partida de Veneza, para o Mediterrâneo Oriental”.
Segundo o diretor comercial da MSC Cruzeiros em Portugal, “as Caraíbas são uma área em grande expansão, pela própria estratégia da companhia e pelos novos cruzeiristas”. A forte procura por cruzeiros nesta região do mundo, fez com que se tornasse “quase a segunda região com mais procura no mercado português”.
Estratégicos para a companhia em Portugal são os chamados cruzeiros portugueses. Os mais fortes são os itinerários Lisboa-Lisboa que “correram bastante bem, com a ocupação das partidas a andar sempre a bater os 100%. O último é agora dia 5 de Outubro, e consideramos que foi uma operação muito positiva”, sustentou.
Ainda assim, não está prevista nenhuma alteração no número de cruzeiros Lisboa-Lisboa em 2027, disse Pedro Vasco, explicando que “o número de camarotes alocados a Lisboa é dinâmico, e os mercados que estiverem a vender com mais antecipação e a funcionar com uma dinâmica mais forte, poderão ter um reforço dos camarotes alocados a esse Porto durante toda a temporada”. Assim sendo, “se o ritmo de reservas for forte, como esperamos, as vendas nos cruzeiros de Lisboa podem crescer também. Tudo vai depender do mercado”, salientou.
Outro dos produtos muito fortes da programação da MSC Cruzeiros para o mercado português, são os cruzeiros desde o Funchal. “A Madeira, neste momento, é um produto muito forte e com grande oportunidade de crescimento para o mercado português”, afirmou o nosso interlocutor, precisando que “este inverno, vamos ter o MSC Fantasia a fazer 15 partidas da Madeira, e o ritmo de vendas está a correr bastante bem”.
A propósito do reforço da aposta nos cruzeiros com partida do Funchal, Pedro Vasco lembrou que “acabámos de anunciar esta semana que vamos ter o MSC Euribia, um dos navios mais recentes da nossa frota, a fazer os itinerários no inverno de 2027-2028, ampliando até o período das partidas”, o que reflete a importância que a companhia atribui a estes cruzeiros. “O Funchal é, sem dúvida, um ponto extremamente importante e onde o mercado português, não só o mercado regional da Madeira, como também o mercado do continente, pode ter uma grande oportunidade de ter um produto de altíssima qualidade num porto a nível nacional”.
Novos navios e cruzeiros nas Antilhas entre as novidades para 2027-2028
Para 2027, a companhia vai ter “duas grandes novidades”, concretamente a entrada em frota do MSC World Asia que será inaugurado em novembro e iniciará cruzeiros no Mediterrâneo em dezembro, à partida de Barcelona, sendo que “daqui a um ano, o MSC World Atlantic também a ser inaugurado”, e irá fazer itinerários nas Caraíbas à partida de Miami.
Para além da novidade que é o facto de o MSC Euribia ir fazer as Canárias no inverno de 2027-2028, a MSC Cruzeiros vai “continuar também com o produto no Alasca, e arrancamos agora, em novembro deste ano, com um cruzeiro à partida da La Romana, na República Dominicana, onde vai estar todo o ano, e podemos projetá-lo já até ao inverno de 2027-2028, com embarques em La Romana, a fazer itinerários de sete noites, não nas Caraíbas, mas a fazer as Antilhas”, avançou o diretor comercial da MSC Cruzeiros Portugal.
Sendo a República Dominicana “um destino com voos de ligação até diretos de Portugal, em grande parte do ano, acredito que este seja um produto que possa também ter bastante procura e bastante potencial no mercado português”, destacou.
Sobre as perspetivas para 2027, Pedro Vasco começou por referir que a conjuntural mundial e as crises que provocam “têm um impacto muito grande no dia-a-dia da vida dos consumidores, e, portanto, são sempre fatores que vão marcar a diferença no nosso setor”, como aconteceu em fevereiro deste ano. Nesse momento, disse, “as projeções que tínhamos para o ano eram muito acima do que aconteceu até agora, e isso foi transversal a todo o mercado. Para 2027 contamos que haja uma melhoria, estamos a projetar um crescimento maior, também vamos ter mais navios, mais camas, mais itinerários, e o mercado português tem correspondido muito bem”.
“Mesmo num ano desafiante como este, a resposta do mercado português foi extremamente positiva, portanto basta que alguns destes fatores geopolíticos tenham uma ligeira melhoria, para que se faça sentir um impacto positivo naquilo que é a tendência no mercado português, e nós acreditamos nisso”, afirmou.


Eduardo Cabrita: Apesar da conjuntura “as pessoas querem mesmo ir de férias”
A mesma ideia foi passada por Eduardo Cabrita, diretor-geral da MSC Cruzeiros em Portugal, durante a apresentação que fez no evento, ao afirmar que, apesar de a conjuntura geopolítica ser a mesma que se vivia em fevereiro, “acabamos por perceber que realmente estamos um pouco mais à frente do que estávamos no ano anterior”, com os números a poderem ainda melhorar ao longo dos últimos três meses do ano.
“Quando chegámos a junho deste ano, pensámos que o restante do ano iria muito mais complicado, mas, pelos vistos, as pessoas acabaram por querer ir férias na mesma, a querer fazer cruzeiros”, afirmou.
Entre as novidades que referiu, destaque para a expansão da oferta da MSC Cruzeiros em número de itinerários durante a época de inverno: “Temos 1.068 destinos no inverno, em 72 países”, frisou, afirmando tratar-se da” maior oferta de sempre”.
Já ao nível desportivo, avançou que “vamos ser os patrocinadores da Fórmula 1 Portugal. Anunciámos isto há muito pouco tempo, portanto, é uma forma também que ativarmos cada vez mais o público português e a marca”.
Relativamente à Explora Journeys frisou que “continua em caminho de grande crescimento”, estando já anunciado o sexto navio, com entrega até 2028.


