Pedro Machado quer ERTs com novas competências para “acrescentarem valor” aos seus territórios
Na abertura do 9.º Fórum de Turismo Interno Vê Portugal, que decorre na Covilhã, o presidente da Turismo do Centro, Pedro Machado, reivindicou novas competências para as Entidades Regionais de Turismo. Por seu turno, o secretário de Estado do Turismo, Nuno Fazenda pôs a tónica no desenvolvimento do turismo de interior.
São as Entidades Regionais de Turismo que, melhor que qualquer outra entidade, conhecem o seu território, um conhecimento que lhes tem permitido exercer da melhor forma aquela que é a sua principal função: a estruturação do produto. No entanto, poderiam criar ainda mais valor para os seus territórios se as suas competências fossem alargadas. Esta foi uma das ideias deixadas por Pedro Machado, presidente da Turismo Centro de Portugal, na sessão de abertura do 9º Fórum de Turismo Interno Vê Portugal, que decorre na Covilhã e que esta entidade organiza desde a primeira hora.

Quem tem acompanhado estes Fóruns e a Turismo Centro de Portugal, sabe que esta não é a primeira vez que Pedro Machado fala sobre a necessidade de reforçar as competências das ERTs. Na Covilhã, o responsável voltou a defender “novas competências” para as Entidades Regionais de Turismo (ERT), de forma a “acrescentar valor” e apontou mesmo algumas dessas competências que deveriam ficar sob a alçada das ERTs.
“As Entidades Regionais de Turismo são hoje instituições reconhecidas nos territórios e os resultados falam por si. Mas acrescentariam valor se ganhassem competências”, afirmou. Entre essas competências, Pedro Machado referiu “a possibilidade de as ERTs trabalharem de forma mais próxima com os agentes económicos”, transitando para estas entidades competências ao nível financeiro que são do Turismo de Portugal. “Devemos fazer o caminho de assumir algumas competências do Turismo de Portugal, que podem ser derivadas para as entidades regionais”, declarou, referindo também que as ERTs deveriam ter a capacidade de trabalhar mais ao nível da formação e capacitação dos agentes económicos dos seus territórios.
Antes, Pedro Machado tinha apresentado a “agenda de intervenção estratégica da Turismo Centro de Portugal”, que tem como prioridades a “estruturação do produto turístico”, a “promoção turística integrada”, “a capacitação e qualificação dos agentes” e a “monitorização e produção de conhecimento”.
Nuno Fazenda quer levar o turismo a todo o território
A fechar a sessão de abertura, o secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Nuno Fazenda, pôs a tónica no desenvolvimento do turismo de interior, recordando que ainda recentemente o Governo apresentou a Agenda para o Turismo do Interior.

“Cerca de 90% da nossa procura turística concentra-se no litoral e, quando falamos em procura internacional, 5% está no interior”, afirmou o governante. Face ao peso ainda diminuto da procura turística nos territórios do interior, Nuno Fazenda afirmou que “temos de fazer mais pelo nosso turismo para o levar a todo o território”. Segundo o titular da pasta do Turismo é isso que o Governo está a fazer, ao lançar apoios para o desenvolvimento do setor nos territórios de baixa densidade.
Lembrando que “um terço da procura turística no país é de origem interna”, pelo que “tem um peso fundamental na economia”, Nuno Fazenda sublinhou ainda que a procura no primeiro trimestre do ano bateu todos os recordes, tendo considerado que tal se deve “às empresas, aos trabalhadores, mas também às políticas públicas” pois “só trabalhando juntos conseguimos estes resultados”, afirmou.
Na sessão de abertura participaram ainda Mário Raposo, reitor da Universidade da Beira Interior e Vítor Pereira, presidente da Câmara Municipal da Covilhã.
Na sua intervenção, Vítor Pereira frisou que a Covilhã “tem uma oferta que abrange todos os segmentos do turismo”. “Só não temos as ondas do mar”, disse. “O turismo desempenha um papel central na economia. Fortalece laços e proporciona o intercâmbio de experiências. Este fórum permite-nos conversar e ouvir os especialistas, de forma a inspirar, criar e tecer novos caminhos para o turismo interno”, acrescentou.
Por sua vez, Mário Raposo recordou que o turismo enfrenta também desafios, destacando a “necessidade de criar marcas regionais e de apostar em novos produtos que atraiam visitantes durante todo o ano”.
Fotos_ créditos: Slideshow Lda


