Pedro Ferreira: A Gâmbia é um destino “para todo o tipo de pessoas e gostos” em especial “para quem goste do “diferente””
A Solférias realizou recentemente uma famtrip à Gâmbia, o mais pequeno país de África, uma “língua” de terra “cercada” pelo Senegal com vista para o Atlântico. Foi sobre este destino que a famtrip deu a conhecer que falámos com Pedro Ferreira do departamento comercial do operador turístico.
Por: Fernando Borges
Pedro, qual foi a razão que levou a Solférias a realizar esta famtrip à Gâmbia?
A Gâmbia é um destino que nós já programamos há algum tempo, embora timidamente, mas em que agora, alavancados com o início dos voos da TAP para Banjul, queremos apostar mais forte. O facto de termos uma grande base no Senegal, aqui ao lado, levou-nos a questionar o porquê de não expandirmos um pouco para um destino novo, ainda pouco explorado em Portugal, e arrancar mais em força com a operação. Neste caso, é uma operação baseada especialmente nos voos de inverno da TAP, a altura em que voa para aqui, sendo bom que acontecessem igualmente ao longo do verão, porque é a altura em que há mais procura por parte dos portugueses. E vamos ver como funciona.
E como foi feita essa programação? Que estudos foram feitos para apostar na Gâmbia?
Nós tivemos aqui vários colegas nossos no ano passado, incluindo o Nuno Mateus, o diretor-geral da Solférias, e o Dário Brilha, que é o diretor de Produto África, que vieram fazer uma viagem de inspeção, e viram que é um destino com potencial, o que fez com que o Turismo da Gâmbia tenha participado no ano passado no nosso roadshow de apresentação da nossa programação de verão, ainda como convidado, mas que provavelmente estará no nosso próximo roadshow que vai ser em fevereiro, onde estará já também como expositor.
“Para termos uma operação charter para aqui seria preciso uma cadeia hoteleira internacional de renome e conhecida pelos portugueses, como uma Iberostar ou uma RIU, o que permitiria ter total confiança na operação, a que não é alheio o tudo incluído, uma coisa que os portugueses procuram bastante”
Está nas previsões da Solférias que a Gâmbia deixe de fazer apenas parte da programação e passe a ter uma operação charter?
No imediato não. E vamos ser sinceros, a maior parte das cadeias hoteleiras que estão aqui não são conhecidas dos portugueses e para alavancar um destino como a Gâmbia, para conseguirmos alguma coisa, como aconteceu no Senegal, precisávamos de uma grande cadeia hoteleira que os portugueses conhecessem bem – como aconteceu quando a RIU entrou no Senegal e ficámos com a certeza que a operação em termos hoteleiros ia correr bem. Para termos uma operação charter para aqui seria preciso uma cadeia hoteleira internacional de renome e conhecida pelos portugueses, como uma Iberostar ou uma RIU, o que permitiria ter total confiança na operação, a que não é alheio o tudo incluído, uma coisa que os portugueses procuram bastante
Sendo um novo destino nesta região de África, isso poderá significar alguma alteração nos vossos charters para o Senegal?
Não, de certeza que não. O Senegal é uma operação já com três anos, que irá continuar para o ano que vem, tendo já a Solférias um voo a partir do Porto e outro a partir de Lisboa, e oferecendo uma excelente relação em termos de qualidade e preço para um destino da África profunda, um charter que esperamos continuar por mais alguns bons anos.
É possível que a Solférias venha a desenhar um programa que conjugue Senegal e Gâmbia, um programa de uma semana ou de mais dias?
É possível, sim. Mas mais uma vez suportados pelos voos da TAP, e não no charter, até porque o charter tem a exclusividade do hotel RIU. Mas sim, é uma hipótese a considerar, até porque o conseguimos fazer facilmente.
“É um destino com muito potencial, com boas praias marcadas por águas quentes e tranquilas, aqui e ali mais animadas, até porque é o Atlântico, e a qualidade hoteleira surpreendeu-me pela positiva”
Sendo estes dois países vizinhos e muito similares, que diferenças encontra entre a Gâmbia e o Senegal? E que imagem leva deste país?
A principal imagem que levo, até porque é uma presença constante, é a simpatia extrema das pessoas, que têm sempre um sorriso na cara, enquanto os senegaleses são um pouco mais retraídos. Claro que isso não significa que sejam antipáticos ou carrancudos, de forma alguma, mas enquanto o gambiano tem sempre um sorriso nos lábios, uma saudação amigável, e está sempre pronto a ajudar quem quer que seja, tanto na rua ou num hotel, o senegalês é mais contido, mais retraído. Também a natureza me encantou, mesmo não tendo visitado o que é mais significativo neste aspecto, que é a Gâmbia do interior, a das aldeias, das florestas intensas, da vida selvagem. Mas pelo que nos foi dado a ver, como o Monkey Park, o interior deve ser algo impressionante em termos de natureza no seu estado mais puro, lugares para onde a Solférias oferece excursões.
É um destino com muito potencial, com boas praias marcadas por águas quentes e tranquilas, aqui e ali mais animadas, até porque é o Atlântico, e a qualidade hoteleira surpreendeu-me pela positiva, o que não significa que todos os hotéis que visitámos sejam indicados para os portugueses. Mas sem dúvida que tem uma boa capacidade e qualidade hoteleira.
Entre os hotéis que visitámos, quais pensa serem os mais indicados para o mercado português e quais os que destaca?
Sem dúvida o African Princess Beach Hotel, um hotel com quartos swim ups, um hotel com tudo incluído e com meia pensão, em que tudo me pareceu ter uma grande qualidade. Gostei também muito do Ngala Lodge, um hotel com muito charme nascido e ampliado a partir de uma casa colonial, que apenas funciona em meia-pensão, um hotel muito romântico e com uma zona de praia lindíssima. E gostei do hotel que nos acomodou durante estes dias, o Bakadaji, um hotel com muita qualidade, bons quartos, uma simpática piscina, um bom espaço ao ar livre de esplanada, mas que tem como único senão o acesso à praia.
Como menos positivo o que aponta que possa, de certa forma,apresentar-se como um handicap para que este se torne num destino turístico africano relevante ou de primeira linha?
Têm principalmente que resolver alguns problemas de infraestruturas, como algumas estradas e acessos aos hotéis. Mas não vejo profundos handicaps. Talvez mesmo, e como já disse, não ter uma marca hoteleira de peso e mais voos.
Quanto tempo é que vai durar esta programação da Solférias para a Gâmbia?
A programação é anual, embora com os voos diretos para Banjul a partir de Lisboa, com a TAP, e pelas razões que já apontei, a programação seja até 30 de abril.
Viria para aqui de férias?
Sem dúvida que sim. Não este ano, mas é um destino que vou ter seriamente em conta para umas próximas férias, e não a longo prazo, até porque vejo este destino como apropriado para todo o tipo de pessoas e gostos, a dois ou em grupo, e em especial para quem goste de aventura, do “diferente”, para quem goste de andar, para quem goste de se misturar com os locais, de aprender com eles sobre a sua cultura, sendo ainda mais especial para quem goste de partilhar risos e simpatia.


