Paulo Lages: “Um voo direto de Lisboa para a Maurícia era excelente, mas pode não haver clientes para um charter semanal”
Paulo Lages, coordenador de contratação e produto da GEA, integrou a famtrip do operador turístico Travelplan à Maurícia. Em conversa com o Turisver sublinhou a diversidade do alojamento e a qualidade do serviço, e alertou que os agentes de viagens devem informar os clientes sobre o clima no destino durante o verão português.
Paulo, sei que não conhecia o destino. O que pôde ver aqui durante uma semana correspondeu à expectativa que trazia?
Tinha a expectativa de encontrar um destino interessante, mas realmente é um destino com uma diversidade muito grande, em que temos opções de alojamento standard e opções de grande luxo, o que também permite a tal diversidade de opções para que as agências possam ter uma abrangência maior na venda. E sim, o destino revelou-se magnífico.
Percebeu-se nesta semana aquilo que facilmente qualquer cliente, ou um agente de viagens, pode constatar: que a Maurícia está no inverno, mas que é um inverno em que as temperaturas não baixam muito. Os agentes de viagens têm de explicar bem ao cliente o clima que podem encontrar?
A Maurícia é, certamente, um destino de longo curso diferente daqueles que os portugueses estão habituados nos destinos das Caraíbas. O facto de ser inverno leva a que os turistas possam ter uma semana excelente, com bom tempo, mas também podem ter uma semana como a que nós tivemos, que nos dificultou em algumas tarefas que tínhamos previsto e que não conseguimos fazer.
Isto leva a que tenha que haver informação ao cliente por parte de quem vende, daquilo que são as dificuldades do destino nesta altura do ano, porque os portugueses virão sempre nesta altura do ano e têm que ser informados porque, de contrário, o destino pode ser uma grande desilusão.
O português que vem fora do verão, nomeadamente aquele que viaja no nosso inverno, é normalmente um cliente com mais de poder de compra.Este é um destino que se adapta a esse cliente?
Adapta-se, não só porque nessa altura é verão na Maurícia mas também porque, daquilo que nós verificámos, existe a tal diversidade em que temos hotéis com grande qualidade e com um serviço excelente, destinado a clientes que, por exemplo, possam vir fazer surf ou jogar golfe, que são clientes diferentes e que têm uma carteira também diferente.
Entre os muitos hotéis que visitamos, quais destacaria?
Sem dúvida o Trou aux Biches, que foi o primeiro onde estivemos alojados, embora todos os outros tenham especificidades diferentes. Ou seja, o primeiro onde estivemos veio delinear aqui a tal qualidade e o nível superior de serviço, mas também temos que verificar que há diversos tipos de clientes e que tem que haver opção para todos os clientes. Estivemos também em hotéis que são completamente diferentes, estivemos num hotel que tinha uma filosofia completamente diferente daquilo que é o normal e depois todos os outros, tem diferenças entre si em termos da sua tipologia, em termos de estrelas, tivemos o serviço adequado a cada uma das categorias.
Uma das imagens da Maurícia é a praia. Nós vimos zonas com praias muito muito boas, e vimos outras com praias muito pequenas, com muita rocha… Isso surpreendeu-o de alguma forma?
Surpreendeu, porque para quem nunca tinha estado no destino, aquilo que se vê em imagens, são praias paradisíacas com o azul do mar… Vão fotografar as praias melhores e ficamos com essa imagem, mas depois, quando estamos no destino, chegamos à conclusão que existem praias muito pequenas, aquelas que estão próximas dos hotéis, e efetivamente com dificuldade em termos de entrada no mar porque existem em várias muitas rochas.
“O ideal era haver um charter português, porque é um voo de 12 horas, um voo longo, e se vamos, “complicar” ao adicionar o voo para Madrid e no regresso a não haver ligação no mesmo dia de Madrid, nem para Lisboa nem para o Porto, isso vai dificultar mais a situação”
Muitas pessoas pensarão que vão encontrar um certo “cheirinho” a África na Maurícia, mas o facto é que não se sente África. Como é que analisa este aspeto?
Eu pensei que fosse um país mais africano, mas também muito voltado para a França, ou seja, um país mais francófono, o que não acontece. Verificámos que existe mais a fluência da África do Sul, de países asiáticos, e efetivamente não tem o tal cheiro de África, mas também não se nota a ligação a França, e a verdade é que estes extremos entre a África do Sul e a parte árabe, surpreendem um bocadinho.
Penso que uma das coisas importantes para os agentes de viagens saberem quando têm um cliente que quer vir para as Mauricias, tem a ver com a alimentação que aqui é um bocadinho pró-asiática?
Certo, não é uma alimentação internacional, é uma alimentação mais asiática de facto, com mais picantes, mais condimentos e com as restrições alimentares que cada vez mais os clientes vão tendo, é um facto que tem que se referir esta situação, porque pode ser também uma desilusão: os clientes vão chegar e a comida não é aquilo que podem estar à espera.
Para terminarmos, pensa que o mercado poderá, a curto prazo, vir a ter um charter à partida de Lisboa no verão português, ou acha isso bastante difícil?
O ideal era haver um charter português, porque um voo longo de 12 horas, e se vamos, “complicar” ao adicionar o voo para Madrid, e no regresso a não haver ligação no mesmo dia de Madrid, nem para Lisboa nem para o Porto, isso vai dificultar mais a situação dado que implica uma noite de hotel na capital espanhola. Portanto, se houvesse um voo direto de Lisboa para a Maurícia era excelente, mas pode não haver clientes para um charter semanal. Haver um charter de Madrid é bom mas existem estas particularidades que podem dificultar a venda do destino.
O Turisver visitou a Maurícia a convite da Travelplan, operador turístico do Grupo Ávoris



