Patrícia Barros da TopAtlântico deixou claro que se o produto Cuba subir os preços no mercado português “será muito complicado”
Para Patrícia Barros, do departamento contratação da TopAtlântico, do Grupo Wamos, que participou na mega famtrip do operador turístico Travelplan a Cuba, afirmou ao Turisver que a viagem ao Cayo Santa María e Trinidad foi uma agradável surpresa, muito pela combinação dos dois destinos e considerou que aumentar a oferta no próximo ano “faz todo o sentido”.
Patrícia, no momento em que estamos a falar, a nossa viagem ao Cayo de Santa María e a Trinidad está a chegar ao fim. Que pontos é que destacava e que possam ter mais interesse para o cliente final?
Sem dúvida a praia, que é fenomenal no Cayo Santa María mas até mesmo a de Trinidad é uma boa praia, depois a simpatia que descobrimos em todas as pessoas locais com que contactei, são dois aspetos inegáveis.
Este ano, Cuba pareceu recuperar no mercado português, muito por via do charter para o Cayo Santa María. As queixas dos portugueses caem muito sobre a alimentação. Qual é a sua visão?
Efetivamente, as queixas têm a ver com a questão da alimentação, mas acho que se os clientes vierem devidamente avisados do que se passa não haverá esse problema, porque uma coisa é facto: não há falta de comer em Cuba, a única questão que se pode por é que pode não haver tanta variedade como nos resorts de outros destinos das Caraíbas mas, apesar disso, a comida que há é de boa qualidade. É claro que se ficarmos sete noites num hotel, pode tornar-se um bocadinho monótono, o que acontece também em outros destinos, mas ninguém passa fome, essa é uma falsa questão.
Este produto, que dá a possibilidade de fazer um combinado do Cayo de Santa María com Trinidad, torna-se apelativo?
Eu acho que é uma excelente alternativa ao combinado Havana e Varadero, porque permite ao cliente fazer praia no Cayo Santa María e depois ter a componente cultural em Trinidad, e para mim esta componente foi uma surpresa. A isto podemos acrescentar também a parte da natureza, com uma visita ao parque Topes de Collantes, que também vale muito a pena. É como disse, tudo isto foi uma grande surpresa para mim, gostei bastante.
Há a perspetiva de a Travelplan poder reforçar esta operação no próximo ano. Que aspetos positivos é que isso teria para as agências de viagem?
Eu acho que seria muito positivo, porque muitos clientes que procuram Caraíbas já conhecem Havana e Varadero, mas o Cayo Santa María ainda é relativamente recente no nosso mercado, e portanto é uma alternativa excelente não só para o destino Cuba, mas para o destino Caraíbas no seu todo, até porque aqui não existem problemas de sargaço, as praias são incríveis, o povo é simpático e portanto faz todo o sentido manter e até reforçar a aposta.
Há quem considere que o mar aqui desta zona é o mais bonito mar de Cuba e até das Caraíbas…
Esta praia aqui em Trinidad, em particular, tem uma beleza verdadeiramente incrível. É verdade que não tem a melhor areia, a água não é tão transparente, tem algumas rochas que podem prejudicar o cliente que quer praia e só praia, mas a situação geográfica da praia em si e toda a beleza natural que envolve o hotel [Meliá Trinidad Península] e toda esta região é incrível. Não me recordo de, nas Caraíbas, ter estado numa praia com a beleza que esta tem.
“Houve bastante procura, sim, principalmente pela questão do sargaço que aqui não existe, daí que diga que aumentar esta operação faça todo o sentido, porque mesmo aqueles clientes que já foram a Havana e a Varadero, podem optar por vir para aqui”
Na Top Atlântico, as vendas para Cuba aumentaram este ano?
Houve bastante procura, sim, principalmente pela questão do sargaço que aqui não existe, daí que diga que aumentar esta operação faz todo o sentido, porque mesmo aqueles clientes que já foram a Havana e a Varadero, podem optar por vir para aqui. Já este ano muitos clientes fugiram para Cuba devido à questão do sargaço, mas claro que é fundamental que venham preparados para o que vão encontrar.
Relativamente ao binómio preço-qualidade, que é sempre algo muito importante para o cliente, a Travelplan diz que se está a vender a um preço baixo para um destino como Cuba…
Relativamente aos outros destinos das Caraíbas, efetivamente o preço está ligeiramente abaixo, mas penso que isso tem a ver com a reputação do destino em termos de comida e de limpeza, e da própria imagem que o destino tem. Claro que isso fez com que os preços tivessem de baixar para conquistar mercado, agora subir os preços e pô-los a igualar os da República Dominicana, por exemplo, será muito complicado, enquanto a imagem do destino não estiver consolidada. Cuba até agora, tem tido um preço mais atrativo do que o México ou a República Dominicana, agora vamos ver para o ano.
Nesta viagem participaram cerca de centena e meia de agentes de viagens. Para vocês, profissionalmente, é positivo ter este contacto com o destino?
Na minha opinião, é fundamental e é transversal a todos os destinos, um agente de viagens que conhece o destino vende-o com uma segurança e um conhecimento que quem não tem e não o consegue transmitir ao cliente.
Ainda agora estava a almoçar com uma colega que me dizia que já tinha vendido centenas de viagens para Cuba, mas nunca com coração, e que só agora, com esta viagem, é que tinha sentido Cuba e podia transmitir essa confiança e a sua experiência.


