Páscoa ainda a “meio gás” na hotelaria, com Madeira a ser “campeã” das reservas
Os resultados do inquérito realizado pela Associação da Hotelaria de Portugal, entre os dias 9 a 20 de março, indicam um arranque modesto das reservas para o período da Páscoa. Ainda assim, as estimativas apontam para uma certa estabilidade, embora seja esperada uma desaceleração do mercado norte-americano.
Para o período das férias escolares, que este ano vai de 27 de março a 12 de abril, as reservas, ao tempo da realização do inquérito, situavam-se, a nível nacional, nos 55%, com um ARR “on the books” de 132 euros. Já para o fim de semana da Páscoa (3 a 5 de abril), a taxa de reservas estava nos 57%, com o ARR “on the books” a atingir os 147 euros.
No período em que foi realizado o inquérito, em grande destaque estava a Madeira, com o nível de reservas a atingir os 75% em todo o período das férias da Páscoa, bem acima dos 55% da da média nacional e os 76% no fim de semana (compara com os 57% da média nacional).
Também a Grande Lisboa e o Algarve apresentavam indicadores acima da média nacional. No caso da Grande Lisboa, as reservas estavam nos 64% e o preço médio nos 164€ para o período das férias e 68% e 168€ para o fim de semana. No caso do Algarve, as reservas estavam nos 62% e 63% para as férias e o fim de semana, respetivamente, e o preço médio estava nos 108€ e 121€, respetivamente.
“O que verificamos é que a Região Autónoma da Madeira, mais uma vez, tem um comportamento muito acima da média nacional, quer de reservas, quer de preço médio para a Páscoa”, comentou Cristina Siza Vieira, vice-presidente executiva da Associação da Hotelaria de Portugal.
Comentando que “o Algarve está a recuperar mais nas reservas on the books, menos no preço”, Cristina Siza Vieira frisou que “o Algarve está com alguma preocupação relativamente ao período da Páscoa, mas a nossa convicção é que vai melhorar ao longo desta semana”.
Já sobre as restantes regiões, a responsável apontou “duas grandes preocupações”, concretamente no Oeste e Vale do Tejo (reservas nos 39% e preço médio de 78€) , e nos Açores”, muito embora “no resto do as reservas ainda estejam muito aquém” daquilo que foram os resultados do ano passado neste período.
Mercados: Coreia do Sul e China “desaparecem do radar” e procura dos Estados Unidos desacelera
Relativamente aos mercados, Portugal mantém-se como um dos principais motores da procura para todo o período das férias da Páscoa e também para e para o fim de semana, sendo apontado por mais de 70% dos inquiridos, seguindo-se Espanha e Reino Unido. Em sentido contrário, destaca-se uma redução da procura proveniente dos Estados Unidos, mencionado apenas por 22% dos hoteleiros para o fim de semana, face aos 38% mencionados no ano anterior.
Comentando os resultados do inquérito, a vice-presidente executiva da AHP fez notar que “em nenhuma região, já são apontados o mercado chinês ou da Coreia. Portanto, para a Páscoa, há a queda violenta dos mercados asiáticos”, tanto que nem para as regiões como o Oeste e Vale do Tejo, onde se insere Fátima, estes mercados são apontados entre os principais – “já não aparecem no nosso radar”, afirmou.
“Os Estados Unidos ainda aparecem com relevo, particularmente na região Norte e, naturalmente, nas regiões dos Açores e da Madeira” mas “fora estas exceções, os mercados do período das férias escolares na Páscoa são mercados europeus”, Disse Cristina Siza Vieira que justificou este comportamento por parte dos mercados com a instabilidade que se vive atualmente.
“Ainda assim, para todo o período, os indicadores apontam para alguma estabilidade. Mais de 50% dos hoteleiros antecipam uma estada média idêntica à de 2025; já quanto aos proveitos totais 54% esperam melhorá-los, no fim de semana, versus 42% para as férias escolares”, sublinha a AHP.
Já no que se refere aos canais de reserva, a Booking e os websites próprios mantêm-se como os principais canais, referidos por 96% e 89% dos inquiridos, respectivamente, apesar de a Expedia registar uma evolução positiva, sendo mencionada por 45% dos hoteleiros, mais 7 p.p. do que no mesmo período do ano anterior.


