Para César Clemente diretor comercial da DIT Portugal “Cuba tem muito por onde crescer nos próximos anos” no mercado português
César Clemente participou na mega famtrip que o operador turístico Travelplan organizou ao Cayo Santa María e Trinidad, dois destinos cubanos que o diretor comercial da DIT Portugal ainda não conhecia. Ao Turisver falou das potencialidades de ambos os destinos, da sua quase complementaridade, das mais valias de Cuba enquanto destino turístico e alertou para a forma de vender o destino.
César, foi difícil escolher as agências premiadas com esta vinda a Cuba a convite da Travelplan?
Esta viagem foi feita com convite direto da Travelplan, por isso quem decidiu quais eram as agências que vinham foi a própria Travelplan. Neste caso, nós não tivemos nada a ver com a escolha das agências que vieram.
Então, pressupõe-se que foram mesmo as que mais venderam o produto Cuba?
Sim, sim. Temos também agências que venderam bastante Cuba com a Travelplan e que não estão aqui presentes porque, como coincidiu com a nossa famtrip à Colômbia, muitas tiveram que optar.
O César veio para fazer alguns contactos, porque vocês, DIT, têm também uma relação com Cuba, mas também para poder conhecer este destino e transmitir, de alguma maneira, às agências do grupo que não vieram. É um bocadinho assim que se passa, não é?
Isso é uma coisa que eu tenho tentado começar a fazer e quero fazer agora, mal chegue a Portugal. Sou apologista de que as agências que vêm fazer as famtrips, quando regressam a Portugal, coloquem nos nossos grupos de partilha de ideias, o que é que viram no destino: este hotel é bom para isto, aquele hotel é bom para aquilo. Porquê? Porque estamos a falar de alguém que esteve in loco e que tem o sentido do português.
Como hoje vêm uns e amanhã vêm outros, isso faz com que, cada vez mais, as agências comecem a ter informação de alguém que esteve no local. Eu quero que as agências comecem a fazer isso e vou dar o exemplo, porque não há nada melhor do que dar o exemplo para se arrancar com as coisas.
Sei que não conhecia Trinidad e o Cayo Santa María. Qual foi a impressão com que ficou?
Não conhecia, a única vez que estive em Cuba foi no ano passado, na nossa macro convenção. Achei que o Cayo Santa María tem muita potencialidade como destino de praia, enquanto que em Trinidad se consegue conciliar as duas coisas, temos muita cultura e património histórico, que é complementado com a praia que fica muito perto e tem bons hotéis.
Para quem quer a praia, Cayo Santa María é o típico destino de praia, com um mar excelente e atividades de água, onde se destaca a interação com golfinhos, mas em Trinidad consegue-se conciliar as duas coisas.
Portanto, foi uma boa ideia o operador ter conseguido colocar no mercado um pacote que oferece os dois destinos?
Concordo plenamente, enquanto há uns anos as pessoas vinham para estar na praia e mais nada, hoje em dia há muitos clientes que gostam de conciliar a praia com o conhecimento da cultura que o destino oferece, e neste caso criar programas que permitam ambas as coisas é muito positivo.
É óbvio que há aqueles clientes que querem chegar a um destino, desfazer as malas no dia em que chegam e fazer as malas no dia em que saem, estar sempre no mesmo hotel, usufruir apenas da praia, mas isso faz com que seja muito mais limitado o conhecimento do destino.
“Acho que, depois de um “boom” de crescimento de hotéis em Cuba, que foi um crescimento muito repentino, hoje as unidades hoteleiras estão a ser construídas mais com “cabeça, tronco e membros””
E qual foi a impressão com que ficou sobre os hotéis que visitámos no Cayo Santa Maria?
No Cayo de Santa Maria, há hotéis melhores e outros piores, hotéis que estão melhor e outros pior, mas isso é uma coisa perfeitamente normal. Gostei muito do The One Gallery, acho que tem um conceito muito interessante, a decoração e toda a estrutura é a mais caribenha, e com todas as coisas que tem lá a nível cultural faz com que se consiga “beber” muito também daquilo que é a cultura cubana, sejam os carros antigos, sejam as obras de arte espalhadas pelo hotel.
Já o Vila Galé tem a vantagem de ser um hotel de uma rede portuguesa, acho que é uma unidade onde os clientes já se sentem em casa por saberem que é um Vila Galé, mas há hotéis para todos os estilos.
E em relação ao Meliá Trinidad Península, que lhe pareceu?
Acho que está muito bem conseguido, mostra que Cuba pode fazer as coisas muito bem feitas, no que se refere ao The Level, acho que as pessoas não estão habituadas a que em Cuba haja uma decoração assim, um cuidado tão grande com o serviço, aliás, até na construção foi posto um grande cuidado.
Não vi praticamente nenhuma falha neste hotel, até ao nível do serviço tudo funciona bem, tanto que penso que se trata de um hotel importante até para desmistificar algumas ideias que às vezes as pessoas têm sobre a hotelaria de Cuba. Isto apesar de eu continuar a pensar que as agências devem explicar a um cliente que vem para Cuba, o que é realmente vir para Cuba, porque vir para Cuba não é a mesma coisa que ir para o México ou para a República Dominicana, existem diferenças. Há coisas que são melhores, por exemplo, Cuba não tem sargaço, e há coisas que são piores, e é preferível dizer aos clientes quais são as limitações que há no destino, para que ele já venha avisado e não tenha surpresas negativas.
Uma coisa que “assustou” um bocadinho os clientes portugueses, e não só, foi o caso dos “apagões”, que de alguma forma continuam pontualmente, aqui e ali, mas neste hotel, por exemplo, 70% da energia é gerada por painéis solares, o que significa que está garantida à partida…
Sim, basta ver uma imagem aérea do hotel para se ver que está cheio de painéis. Os outros também têm geradores, apesar de a energia solar ser completamente diferente.
Acho que depois de um “boom” de crescimento de hotéis em Cuba, que foi um crescimento muito repentino, hoje as unidades hoteleiras estão a ser construídas mais com “cabeça, tronco e membros”.
“Os autocarros de turismo são muito novos, muito confortáveis, com carregadores USB e USB-C, que é uma tecnologia muito recente, fizemos uma viagem longa, do Cayo Santa María para Trinidad e ninguém reclamou de nada”
Outra das coisas curiosas e importantes é que um grupo da Travelplan viajou sempre em autocarros…
Os autocarros de turismo são muito novos, muito confortáveis, com carregadores USB e USB-C, que é uma tecnologia muito recente, fizemos uma viagem longa, do Cayo Santa María para Trinidad e ninguém reclamou de nada, aliás, os autocarros têm um condicionado potentíssimo.
Tem havido um grande esforço por parte das entidades cubanas, quer privadas quer públicas, em melhorar muito o destino, e na minha opinião estão no bom caminho, estão a melhorar bastante e acho que têm muito para crescer.
Há a ideia que os portugueses este ano vieram mais para este destino do que nos dois anos anteriores e que somos o único mercado que cresceu para Cuba. Pensa que a tendência será essa para o ano que vem?
Penso que sim, por uma questão muito simples: enquanto no passado houve muitas reclamações por questões relacionadas com a comida, este ano as reclamações foram muito inferiores. Muito também porque as agências começaram a consciencializar os clientes, a dizer ao cliente que Cuba é Cuba.
Se uma agência disser a um cliente que já foi ao México, por exemplo, que o buffet em Cuba é exatamente igual, é óbvio que isso vai ser mau, vai estar a enganar o cliente, porque o cliente vem, as coisas são diferentes e depois vai reclamar. Mas se nós dissermos que as praias são fantásticas, que este é provavelmente o mar mais bonito do Caribe, que não há sargaço, mas há esta e aquela limitação, o cliente fica preparado e ao vir até pode considerar que tem boas surpresas, achar que é melhor do que aquilo que estava à espera – e isso já aconteceu este ano.
Aliás, eu penso que em Portugal, este ano, já se melhorou muito a imagem de Cuba como destino turístico e acho que Cuba tem muito por onde crescer nos próximos anos no mercado português.



